Reino Unido dá até 2027 para operadoras expulsarem chinesa Huawei da rede 5G

A Huawei vai ser gradualmente expulsa da rede móvel de quinta geração no Reino Unido, decretou o Governo de Boris Johnson. Operadoras ficam já proibidas de adquirir equipamento da marca.

O Governo britânico proibiu as empresas de telecomunicações britânicas de adquirirem novos equipamentos fabricados pela Huawei e lançou as bases para a expulsão total da empresa chinesa da rede 5G na região. A decisão foi oficializada pelo Conselho de Segurança Nacional britânico, um órgão que é encabeçado pelo primeiro-ministro, Boris Johnson.

Ao abrigo da decisão confirmada esta terça-feira, as empresas do setor terão que desligar todos os equipamentos da Huawei que sirvam de base ao funcionamento do 5G até 2027. A partir desse ano, a Huawei estará totalmente fora da rede móvel de quinta geração no Reino Unido, espera o executivo. Além disso, as operadoras terão dois anos para abandonar a tecnologia da Huawei na rede de fibra ótica.

Esta era uma medida já esperada, mas que representa um recuo de Boris Johnson face ao que tinha decidido recentemente. Ainda em janeiro, o executivo dizia ser possível mitigar o risco de ciberespionagem no uso de equipamento da fabricante chinesa, uma acusação que tem perseguido a Huawei nos últimos meses e que a gigante da tecnologia nega veementemente. Na altura, a quota de mercado da Huawei foi limitada a 35%.

A motivar a alteração de postura estarão as sanções dos EUA à Huawei, que deverão limitar o fornecimento de alguns componentes de hardware à empresa chinesa. Essas sanções deverão forçar a Huawei a procurar alternativas na China, gerando ainda mais preocupações de segurança aos responsáveis políticos no Reino Unido.

Lamentavelmente, o nosso futuro no Reino Unido politizou-se. Isto tem a ver com a política comercial dos EUA e não com segurança.

Edward Brewster

Porta-voz da Huawei no Reino Unido

A Huawei já reagiu à decisão britânica. Numa declaração enviada ao ECO, Edward Bewster, porta-voz da Huawei no Reino Unido, apelou ao Governo britânico para que reconsidere a decisão e mostra-se desiludido com o país.

“Esta decisão desapontante é uma má notícia para toda a gente no Reino Unido que tenha um telefone móvel. Ameaça colocar o Reino Unido na via digital mais lenta, aumentar os preços e aprofundar a divisão digital. Em vez de ‘nivelar’, o Governo está a desnivelar e apelamos a que reconsiderem. Continuamos confiantes de que as restrições norte-americanas não afetarão a resiliência e a segurança dos produtos que fornecemos para o Reino Unido”, assegura o responsável da empresa.

“Lamentavelmente, o nosso futuro no Reino Unido politizou-se. Isto tem a ver com a política comercial dos EUA e não com segurança”, frisa Edward Bewster. “Nos últimos 20 anos, a Huawei focou-se em construir um Reino Unido melhor e mais conectado. Como negócio responsável, vamos continuar a dar suporte aos nossos clientes como sempre temos feito”, reforça.

Agora, a Huawei vai “conduzir uma revisão detalhada” das medidas anunciadas esta terça-feira, bem como as implicações das mesmas para o negócio da empresa naquela região. “Vamos trabalhar com o Governo do Reino Unido para explicar como podemos continuar a contribuir para um Reino Unido melhor e mais conectado”, conclui.

Uma pedrada na relação bilateral

Efetivamente, a expulsão da Huawei da rede 5G britânica representa uma vitória para os EUA. A Administração Trump é frontalmente contra a tecnologia chinesa e tem vindo a pressionar a Europa a apertar o cerco ao 5G da Huawei. O país teme que a tecnologia fabricada pela empresa chinesa possa servir de veículo de espionagem do regime comunista chinês.

Ao mesmo tempo, esta tomada de posição de Boris Johnson deverá enfurecer Pequim e deteriorar significativamente as relações entre o Reino Unido e a China. A relação entrou em decadência nas duas últimas semanas, depois de o regime de Xi Jinping ter implementado em Hong Kong uma lei de segurança ao arrepio das condições do acordo de cedência do território que entrou em vigor em 1997.

Na sequência da entrada em vigor dessa lei, que permite ao regime chinês perseguir e prender os críticos do regime, o Reino Unido decidiu abrir as portas aos residentes de Hong Kong, dando ainda a possibilidade de estes pedirem a nacionalidade britânica passados alguns anos.

(Notícia atualizada pela última vez às 14h10 com reação da Huawei)

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