Alemanha testa rendimento básico incondicional de 1.200 euros por mês durante três anos

Dinheiro grátis. A Finlândia testou-o e concluiu que, afinal, este mecanismo não puxa pelo emprego. Agora é a vez da Alemanha experimentar. Desta vez, o estudo será financiado por doações.

A partir desta semana, 120 alemães vão passar a receber, todos os meses, um cheque de 1.200 euros, sem qualquer condição. Depois da Finlândia, será agora a Alemanha a testar o rendimento básico incondicional, conceito nascido na Utopia de Thomas Moore que tem conquistado terreno e atenção nos últimos anos.

De acordo com o Business Insider, este teste contará com a participação de 120 voluntários, que receberão 1.200 euros por mês, durante três anos. A experiência destes alemães será, depois, comparada com a de outros voluntários aos quais não será atribuído o apoio. Este estudo será financiado por doações: 140 mil pessoas já contribuíram para tornar este teste uma realidade.

De notar que esta experiência será guiada pelo Instituto Alemão para a Pesquisa Económica e implicará o preenchimento por parte de todos os participantes de questionários sobre as suas vidas, carreiras e estados emocionais. Isto para apurar que impacto terá o rendimento básico incondicional em todos estes aspetos, já que os defensores deste apoio acreditam que não só reduz a desigualdade, como promove o bem-estar, o empreendedorismo e a procura por melhores empregos. Por outro lado, há quem defenda que este mecanismo, além de ser demasiado caro, dá azo à preguiça e desencoraja a procura por trabalho.

O debate está, em ambos os lados, marcado por clichés. Quem se opõe diz que o rendimento básico incondicional levaria os beneficiários a pararem de trabalhar. Quem é a favor argumenta que as pessoas continuarão a fazer o trabalho que as faça sentirem-se realizadas, que as pessoas serão mais criativas e abertas à caridade e que salvarão a democracia”, explica Jürgen Schupp, que liderará este estudo, ao Der Spiegel. O economista acredita, por isso, que a recolha de provas empíricas enriquecerá este debate.

Entre 2017 e 2018, a Finlândia também esteve a testar o rendimento básico incondicional. A experiência envolveu 2.000 desempregados, que receberam 560 euros por mês. O estudo concluiu, contudo, que o recurso a este mecanismo não resultou num aumento significativo do emprego.

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