Número de desempregados inscritos no IEFP dispara 37%. Já são 407 mil

Portugal terminou julho com 407.302 desempregados inscritos no IEFP, isto é, mais 0,2% do que em junho e mais 37% do que no período homólogo. Pandemia abana mercado laboral.

Depois de ter diminuído em junho, o número de desempregados inscritos no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) voltou a aumentar. Em julho, registou-se um aumento de 0,2%, face ao mês anterior, tendo o universo total de inscritos subido para 407.302 indivíduos. Na comparação homóloga, o salto é ainda mais expressivo: verificou-se um disparo de 37%, com mais 110 mil inscritos do que em julho de 2019.

“No fim do mês de julho de 2020, estavam registados, nos serviços de emprego do continente e regiões autónomas, 407.302 indivíduos desempregados. O total de desempregados registados no país foi superior ao verificado no mesmo mês de 2019 (+110.012; +37%) e face ao mês anterior (+637; +0,2%)“, explica o IEFP, na nota divulgada esta quinta-feira.

No que diz respeito à variação em cadeia, em junho, registou-se o primeiro recuo desde o início da pandemia, mas a tendência acabou por inverter-se e em julho já se verificou um novo aumento. Ainda assim, o Ministério do Trabalho faz questão de notar que essa subida é menos significativa do que as registadas nos primeiros meses da crise pandémica. “As variações mensais [estão] a abrandar face aos meses de março e abril“, sublinha o gabinete de Ana Mendes Godinho.

Há 407 mil desempregados, mais 91.740 do que em fevereiro

Fonte: IEFP

A nível regional, o Algarve voltou a destacar-se, com o aumento homólogo do número de desempregados mais pronunciado do país. Em causa está uma subida de 216,1%. Esta região tem sido particularmente afetada pela pandemia, já que o setor do turismo — ao qual está intensamente ligada — tem sido um dos mais prejudicados, situação agravada pela exclusão de Portugal da lista de corredores aéreos do Reino Unido.

Em sentido contrário, os Açores registaram, em julho, um recuo do número de desempregados de 1,4%. Desde o início da pandemia, esta região tem permanecido a exceção ao aumento generalizado dos desempregados.

Na nota divulgada esta quinta-feira, é indicado, além disso, que o desemprego aumentou nos três setores da atividade, tendo os serviços registado o salto mais expressivo: 47,4% face ao período homólogo. E no quadro desse setor, foi no alojamento, restauração e similares que se verificou a subida mais pronunciada (96,7%). Isto em comparação com o mesmo mês de 2019. Na variação em cadeia, verificou-se um decréscimo de 3,5% do universo de desempregado.

Quanto ao desemprego jovem, verificou-se um decréscimo de 0,3% face ao mês anterior, sendo julho o segundo mês de descida em cadeia. Ainda assim, registou-se um aumento de 58%, em termos homólogos.

Em julho, verificaram-se ainda 12.705 ofertas, mais 6,5% do que no mês anterior, mas menos 34,2% do que no período homólogo. Por outro lado, foram feitas 6.712 colocações, menos 12,9% do que em junho e menos 3,8% do que em julho de 2019.

Em reação aos dados divulgados esta quinta-feira pelo IEFP, Catarina Martins salientou que não são uma surpresa e apelou a mais apoios à economia, mas “com regras para as empresas que os recebem”. “Todos sabemos que há empresas que receberam apoios e despediram trabalhadores”, lembrou a bloquista, considerando que tal é “inaceitável”. “Mais apoios à economia, mas com mais condições para proteger o trabalho. Precisamos de apoios sociais mais fortes, com uma lógica diferente”, rematou a deputada.

(Notícia atualizada às 12h17 com mais informação)

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