Mais de um terço dos novos desempregados são do setor do imobiliário

Em fevereiro, havia 70 mil desempregados ligados ao imobiliário. Cinco meses depois, o universo passou para 105 mil. E esse aumento representa mais de um terço da subida total dos novos desempregados.

A pandemia de coronavírus está a fazer tremer o mercado de trabalho nacional. Desde fevereiro, o universo de desempregados inscritos no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) aumentou em 92 mil, estando mais de um terço desses indivíduos ligados às atividades imobiliárias, administrativas e dos serviços de apoio. Ainda que seja o turismo a registar a subida homóloga mais pronunciada, é este setor onde se encontra a maior fatia do total de novos desempregados.

Em julho, o número de desempregados inscritos nos serviços de emprego fixou-se nos 407.302 indivíduos, mais 0,2% do que em junho e mais 37% do que no mesmo mês do ano passado. Em comparação com fevereiro — mês anterior à chegada da pandemia de coronavírus a Portugal — verificou-se um aumento de 29%, ou seja, 91.740 portugueses perderam o emprego e inscreveram-se nos centros do IEFP, só nos últimos cinco meses.

Deste aumento de quase 92 mil desempregados, mais de um terço (34.872) estavam ligados ao setor das atividades imobiliárias, administrativas e dos serviços de apoio. Os dados de julho revelam também que quase 30% dos desempregados que estão atualmente inscritos em julho no IEFP estão ligados a esse setor.

Portanto, apesar de ser o setor do alojamento, restauração e similares a registar o aumento homólogo (96,7%) mais significativo do número de desempregados, é no setor do imobiliário, atividades administrativas e serviços de apoio que se concentra atualmente a maior fatia de indivíduos inscritos nos centros de emprego (105.149).

Maior fatia dos desempregados está ligada ao turismo

Fonte: IEFP

Em sentido inverso, é no o setor da eletricidade, gás e água, saneamento, resíduos e despoluição que se encontra atualmente o menor número de desempregados inscritos no IEFP: 1.253 indivíduos ou 0,4% do universo total registado em julho.

Turismo com 13 mil novos desempregados desde início da pandemia

Entre fevereiro e julho, o setor do alojamento, restauração e similares viu crescer em quase 13 mil o número de desempregados inscritos no IEFP, isto é, de 29.220 indivíduos em fevereiro passou para um total de 42.137.

Apesar de em termos homólogos continuar com quebras significativas, este setor verificou, em julho, um decréscimo (-3,5%) dos desempregados, na variação em cadeia. Há hoje, portanto, menos 1.530 desempregados nos centros de emprego do que em junho.

Na quarta-feira, António Costa propôs que os milhares de profissionais do setor do turismo que perderam o emprego sejam convertidos em profissionais do setor social. “Muitas das milhares de pessoas que estão neste momento a perder o emprego no turismo são pessoas que já têm uma formação de base e uma experiência de cuidado pessoal e relacionamento pessoal que são um recurso fundamental para, com formação naturalmente, serem facilmente convertidas para continuar a trabalhar com pessoas agora nas instituições [do setor social]”, disse o primeiro-ministro.

Em reação, a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) já disse que essa proposta seria inaceitável. “Se o Governo dá por perdida a retoma da atividade turística e os milhares de empregos associados ao setor que tem sido o motor da economia nacional, nós não o faremos. A nossa solução será sempre a de recuperar as empresas do turismo e não desistir delas”, sublinhou Francisco Calheiros, líder da CTP.

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