Mais de 95% das perdas foram originadas no tempo de Salgado

Ramalho diz que o banco foi alvo de "críticas sem precedentes" nos últimos meses em relação à venda de ativos. Depois de um longo silêncio, diz que "começou ciclo de esclarecimento".

António Ramalho adiantou esta quarta-feira que 95% das perdas de 4.000 milhões de euros identificadas pela auditoria especial da Deloitte no período entre 2024 e 2018 tiveram origem no período do BES.

“Das perdas, mais de 95% são originadas por perdas antes de 2014, não há um único crédito, um único novo nome que tenha sido concedido posteriormente à resolução”, referiu o presidente do Novo Banco esta quarta-feira, em conferência de imprensa.

Mais tarde, Ramalho repetiu que “não há uma nova operação” do pós-resolução nestas perdas. “Há operações de reestruturação em curso e que ainda aguardamos para saber se foram ou não bem-sucedidas”, disse aos jornalistas.

“Críticas sem precedentes”

Dois dias depois da entrega da auditoria especial da Deloitte, o presidente do Novo Banco veio a público explicar as operações de vendas de ativos que foram questionadas nos últimos meses.

António Ramalho disse que o banco foi alvo de “críticas sem precedentes” em relação a estas operações. Porém, depois de um longo silêncio por “questões éticas”, diz que “começou ciclo de esclarecimento”.

O relatório da auditoria da Deloitte, que foi entregue ao Governo na segunda-feira, revelou perdas líquidas de mais de 4.000 milhões de euros no Novo Banco com origem no BES, e descrevendo “um conjunto de insuficiências e deficiências graves” no banco até 2014.

Ramalho não quis adiantar muito sobre a auditoria. Porém, revelou que foi uma análise abrangente, adiantando que as perdas de 4.000 milhões identificadas pela Deloitte representam 70% do total das perdas do banco verificadas naquele período. Terão ascendido a cerca de 5,700 no total, uma vez que a análise da Deloitte compreendeu uma amostra.

Sobre a divulgação da auditoria, que deverá acontecer mas de uma forma censurada, António Ramalho disse estar de acordo com a sua publicação mas desde que não promova uma “deterioração do sigilo bancário”, isto porque “prejudicaria a nossa recuperação de crédito” em incumprimento.

(Notícia atualizada às 12h45)

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