Deco aplaude extensão da moratória no crédito às famílias, mas diz ser uma “meia medida”

A associação de consumidores vê como positiva a extensão da moratória do crédito em seis meses, até setembro de 2021, mas lamenta que o prazo para aderir à medida acabe no final deste mês.

O Governo decidiu estender a moratória do crédito por mais seis meses, até ao final de setembro do próximo ano. A Deco aplaude a decisão do Governo considerando-a como sendo “positiva” para as famílias, mas lamenta que se trate de uma “meia medida” lembrando que este anúncio surge a poucos dias de terminar o prazo de adesão ao regime.

“Para aquelas famílias que estão com grandes dificuldades financeiras, que foram confrontadas com situações de perda de rendimentos ou desemprego, é uma medida que vem ajudar”, começa por reconhecer Natália Nunes. A coordenadora do gabinete de proteção financeira da Deco considera, contudo, que se trata de “uma meia medida porque a 30 de setembro vai terminar a possibilidade de se poder aderir à moratória”.

“Aquelas famílias que, por exemplo, em outubro ou novembro, fiquem numa situação de desemprego, sem rendimentos ou com baixos rendimentos já não podem aderir à moratória e havia alguma expectativa relativamente a esta questão”, o que a especialista da Deco vê como sendo para já uma expectativa que saiu defraudada.

A especialista dá como exemplo a moratória da Associação de Instituições de Crédito Especializado (ASFAC) cuja possibilidade de adesão terminou no final de junho e cujo prazo para beneficiar da suspensão do pagamento das prestações termina já no final deste mês de setembro em várias instituições de crédito.

Esta é uma situação que suscita preocupação a Natália Nunes. “Aquilo que se avizinha é que as famílias comecem a ter de suportar mais encargos, e resta saber se vão ter capacidade para os horar“, diz lembrando os números que apontam para a subida do desemprego e os pedidos de ajuda que já está a receber no seu gabinete relativamente a pessoas que aderiram à moratória do crédito da ASFAC e que procuram uma solução para a sua situação a partir de outubro.

Nestas circunstâncias, a especialista considera que “será necessário adotar outras medidas” referindo em concreto a implementação de “um regime extraordinário que ajudasse as famílias na renegociação dos créditos”.

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