Governo quer pôr painéis solares nas autoestradas e barragens já nos próximos leilões

O secretário de Estado da Energia, João Galamba, anunciou que o Governo está a estudar para os próximos leilões "superfícies não convencionais que possam ser utilizadas para instalar painéis solares"

O secretário de Estado da Energia, João Galamba, anunciou esta quinta-feira que os próximos leilões de energia solar em Portugal, previstos já para 2021, vão incluir a possibilidade de instalar novas centrais fotovoltaicas nas superfícies das barragens e separadores centrais das autoestradas.

“Estamos a avaliar a possibilidade de o próximo leilão ter, na sua totalidade ou numa parte significativa, superfícies não convencionais, ou seja, incluir barragens, separadores centrais das autoestradas, e todas as outras superfícies não convencionais que possam ser utilizadas para instalar painéis solares e que não ocupem mais terrenos disponível”, disse Galamba.

Quanto à capacidade de produção de energia elétrica a partir do solar, Portugal já tem “cerca de 800 MW licenciados antes dos leilões, 2 GW nos leilões e agora com os acordos 3 GW. Chegou a hora de começar a estudar alternativas para instalar as centrais fotovoltaicas e manter os leilões. Queremos alavancar a experiência que já temos, mas diversificar”.

Quanto à energia eólica, a aposta do Governo não passará por leilões, mas sim pelo repowering e sobreequipamento da capacidade já instalada. “Dizem que o fim das tarifas garantidas reduziu o apetite dos investidores por estes projetos Veremos se a nossa estratégia resulta, mas acreditamos que sim e que estes novos projetos eólicos podem avançar sem tarifas garantidas“, disse o secretário de Estado, prometendo uma “avaliação ambiental mais simplificada para não travar novos investimentos nas eólicas”.

“Quando a área ocupada não aumentar, não haverá lugar a novos estudos de impacto ambiental. As energias eólicas são um ativo que temos e queremos manter”, frisou.

Sobre o hidrogénio verde, Galamba optou por não responder às provocações do vice-presidente do PSD, Salvador Malheiro, que na conferência da APREN voltou a classificar o projeto de produção de hidrogénio em Sines como “megalómano” e acusou o Governo de “arrogância” na gestão da estratégia nacional de hidrogénio.

“Nos gases renováveis, é pública a aposta do Governo. Entendemos que a aposta no hidrogénio aumenta o valor económico de cada euro investido em eletricidade renovável. Olhamos para os gases renováveis não como concorrentes da eletrificação mas como complementares, numa relação simbiótica. O benefício é mútuo. A eletrificação continua a ser a aposta primordial na descarbonização mas não é a solução para tudo”, disse. Galamba, referindo-se à indústria e aos transportes pesados”.

Na sua intervenção no encerramento da conferência anual da APREN Portugal RenewableEnergy Summit 2020, Galamba respondeu diretamente ao desafio lançado no painel anterior por António Costa Silva, conselheiro contratado pelo Governo para ajudar a elaborar o Plano de recuperação Económica: “É muito importante percebermos o que queremos da energia”.

“Acho que esta pergunta é evidente em Portugal. Queremos que a energia seja, além de um vetor de descarbonização, uma oportunidade para o desenvolvimento económico e social do país, e entendemos que temos todas as condições para o fazer, naturais, institucionais e conjunturais”, disse Galamba.

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