Quer cuidar da sua saúde mental? Este “kit básico” está online e é gratuito

A ManifestaMente lança o "kit básico de Saúde Mental": um curso online e gratuito para promover a saúde mental e ajudar a eliminar preconceitos que conta com o apoio da DGS.

Aumento da ansiedade. Irritabilidade. Alterações do sono e da alimentação. Dificuldades de atenção e concentração. Agravamento de problemas de saúde mental já existentes. Estes são alguns sinais de alerta que podem indicar problemas na sua saúde mental, explica o “kit básico de saúde mental”, um projeto que a organização sem fins lucrativos ManifestaMente lança esta sexta-feira.

O “manual” é, na verdade, mais do que um guia de sinais de alerta e ferramentas: é um curso online sobre saúde mental de 90 minutos, gratuito, que tem como objetivo ajudar a população portuguesa a proteger a sua saúde mental, a identificar sinais de alerta e a encontrar soluções num ano em que a saúde mental tem sido particularmente afetada – e falada – devido à pandemia. E que conta com o apoio da Direção-geral da Saúde. O lançamento é feito a propósito da semana em que se assinala o Dia Mundial da Saúde Mental, a 10 de outubro.

“No contexto atual, todos os tópicos se revestem de particular importância. Tendo em conta os desafios que a atual pandemia trouxe a nível de relacionamentos interpessoais, condições de trabalho e dificuldades económicas, a saúde mental está especialmente em risco”, alerta Beatriz Lourenço, médica psiquiatra, coordenadora do kit básico de saúde mental e vice-presidente da ManifestaMente, em conversa com a Pessoas.

Dividido em nove capítulos, o curso é um laboratório prático sobre saúde e doença mental que oferece aos participantes a oportunidade de saberem o que fazer para melhorar a sua saúde mental e a dos que o rodeiam, como procurar ajuda, distinguir mitos e verdades e, ainda, saber mais sobre o tema em contexto de pandemia.

Saúde mental no trabalho

No momento em que lê esta frase, um em cada cinco portugueses está a passar por um problema de saúde mental. E uma em cada três pessoas passará, em algum momento da sua vida, por um problema semelhante.

Um estudo realizado pela Escola Nacional de Saúde Pública, em março e abril deste ano, revela que mais de 80% dos inquiridos reportou efeitos negativos da pandemia na sua saúde mental, sendo as mulheres, as pessoas em teletrabalho e as pessoas que suspenderam a sua atividade profissional os grupos mais afetados.

“O medo de contrair a doença, a sobrecarga dos profissionais de saúde, a adaptação das escolas, o teletrabalho, o isolamento social e o desemprego são enormes desafios à saúde mental de todos nós. O Kit Básico de Saúde Mental é o resultado de muitos meses de trabalho para garantir que a informação disponibilizada é rigorosa, mas também acessível a toda a população”, garante Miguel Xavier, médico psiquiatra e diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental da Direção-Geral da Saúde, citado em comunicado.

Garantir o bem-estar individual e dos que nos rodeiam, reconhecer precocemente os sinais de alerta, saber ajudar o próximo e procurar ajuda especializada nos serviços de saúde são competências essenciais para promover a saúde mental.

Dois em cada dez trabalhadores sofrem de problemas de saúde psicológica e faltam 1,3 dias por ano, devido a esses problemas, revela Beatriz Lourenço. “Pode ser interessante organizar uma sessão de grupo com os trabalhadores de uma empresa seguida de uma discussão sobre os temas que se revelaram mais importantes”, e o kit pode ser um ponto de partida para iniciar a discussão dentro da organização. É que cuidar da saúde mental numa organização pode ajudar os trabalhadores e, a longo prazo, evitar o absentismo e aumentar a produtividade.

O teletrabalho permitiu a milhares de portugueses manter os postos de trabalho, mas a prática “não está isenta de desafios para a saúde mental dos trabalhadores”, destaca a psiquiatra. “O teletrabalho pode condicionar e aumentar o isolamento social e interferir com as rotinas familiares. A dificuldade em manter horários definidos (de trabalho e não-trabalho) ao longo do dia e a necessidade de recorrer ao multitasking, trabalhando e cuidando dos filhos ao mesmo tempo, por exemplo, pode aumentar os níveis de cansaço, irritabilidade e ansiedade“, explica.

“O mais importante a reter é que a saúde mental é muito mais do que a ausência de doença mental. A saúde mental é um estado que nos permite tirar partido das nossas capacidades, lidar com as adversidades normais da vida, trabalhar produtivamente e contribuir para a nossa comunidade”, lembra a especialista.

Promover a saúde mental no dia-a-dia

Segundo a OMS, a saúde mental é “um estado de completo bem-estar físico, mental e social”, e a doença mental “diz respeito a uma ampla gama de problemas, caracterizados por alterações do pensamento, do humor, da energia e/ou do comportamento, que resultam na incapacidade de lidar com os desafios e rotinas comuns da vida”, esclarece Beatriz Lourenço.

A saúde mental faz parte da saúde em geral, apesar de muitas vezes ser vista como um “parente pobre”, lembra a psiquiatra. Ter uma alimentação equilibrada, praticar exercício físico de forma regular, respeitar a necessidade de descanso, manter a ligação a pessoas próximas e à comunidade e adaptar-se às adversidades da vida, são algumas soluções para cuidar da saúde mental no dia-a-dia.

 

O kit estará disponível na página oficial da ManifestaMente a partir desta sexta-feira e o curso inclui um certificado de participação. O projeto da ManifestaMente é cofinanciado pelo Programa Nacional para a Saúde Mental, no âmbito dos projetos de apoio financeiro da Direção-Geral da Saúde.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Quer cuidar da sua saúde mental? Este “kit básico” está online e é gratuito

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião