Investimento captado por vistos “gold” recua 10% em setembro

  • Lusa
  • 10 Outubro 2020

Portugal captou 43,5 milhões de euros em investimento estrangeiro por via dos vistos "gold" em setembro, um recuo de 10% em termos homólogos.

O investimento captado através dos vistos gold caiu 10% em setembro, face a igual período de 2019, para 43,5 milhões de euros, segundo contas feitas pela Lusa com base nas estatísticas do SEF.

Em setembro, o investimento resultante da concessão de Autorização de Residência para Investimento (ARI) atingiu 43.512.585,46 euros, menos 10% que um ano antes (48,4 milhões de euros). Face a agosto (57,6 milhões de euros), a queda foi de 24%.

No mês passado foram atribuídos 78 vistos gold’, dos quais 70 por via da aquisição de bens imóveis (16 na compra para reabilitação urbana) e oito através do critério de transferência de capital.

A compra de imóveis registou um investimento de 39,4 milhões de euros no mês em análise, dos quais 5,6 milhões de euros corresponderam à aquisição para reabilitação urbana.

Já a transferência de capitais totalizou um investimento de 4,1 milhões de euros, não tendo sido, mais uma vez, atribuído qualquer visto por via da criação de postos de trabalho.

Do total das concessões de vistos gold em agosto, 19 foram provenientes da China, nove do Vietname, seis da África do Sul, cinco do Brasil e outros cinco dos Estados Unidos.

Do total acumulado do ano, o montante captado por este instrumento ascendeu a 540 milhões de euros, menos 10% que nos primeiros nove meses de 2019.

Entre janeiro e setembro foram atribuídos 993 vistos ‘dourados’.

O programa dos vistos ‘gold’ foi lançado precisamente há oito anos e, de acordo com alguns media, o Governo pretenderá acabar com este instrumento em Lisboa e Porto, até ao final do ano, cumprindo o objetivo de aliviar a pressão no mercado nas duas cidades.

Mais de 5,5 mil milhões de euros captados em oito anos

O investimento captado através do programa de vistos gold totaliza mais de 5,5 mil milhões de euros em quase oito anos de existência, com a aquisição de bens imóveis a representar quase 90% daquele montante.

De acordo com dados do SEF, o programa de concessão de Autorização de Residência para Investimento (ARI), lançado em outubro de 2012, registou até setembro um investimento acumulado de 5.532.470.527,84 euros.

Deste montante, a aquisição de imóveis corresponde a 89% do investimento captado, totalizando ao fim de quase oito anos 4.998.215.303,96 euros.

Dos 4,9 mil milhões de euros captados em compra de imóveis, cerca de 263 milhões de euros corresponde a investimento realizado na compra para reabilitação urbana. Por sua vez, os vistos atribuídos por via do critério de transferência de capitais totalizaram 534.255.223,88 euros.

Desde a criação deste instrumento, que visa a captação de investimento estrangeiro, foram atribuídos 9.200 ARI: dois em 2012, 494 em 2013, 1.526 em 2014, 766 em 2015, 1.414 em 2016, 1.351 em 2017, 1.409 em 2018, 1.245 em 2019 e 993 em 2020.

Até setembro, em termos acumulados, foram atribuídos 8.654 vistos ‘gold’ por via de compra de imóveis, dos quais 731 tendo em vista a reabilitação urbana.

Por requisito da transferência de capital, os vistos concedidos totalizam 529 e mantêm-se 17 por via da criação de postos de trabalho (nos últimos meses não tem sido registado qualquer visto atribuído por esta via).

Por nacionalidades, a China lidera a atribuição de vistos (4.708), seguida do Brasil (973), Turquia (441), África do Sul (384) e Rússia (353).

Desde o início do programa foram atribuídas 15.792 autorizações de residência a familiares reagrupados, das quais 1.169 em 2020.

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