Centeno recupera velho lema em semana de OE. “As contas devem ser, de facto, certas”, diz o governador

Na semana em que o Parlamento vota a proposta de Orçamento do Estado para 2021, o governador do Banco de Portugal voltou a um lema que usou enquanto ministro: "As contas devem ser, de facto, certas".

Na semana em que o Parlamento vota o Orçamento do Estado para 2021, o governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, recuperou um lema que o guiou enquanto ministro das Finanças nos últimos cinco anos: “Devemos ter a perceção e a compreensão que tudo conta e que as contas devem ser, de facto, certas”.

Centeno falava na Sessão Solene da Semana da Formação Financeira 2020, uma iniciativa que visa promover a literacia financeira dos portugueses, mas surge numa altura em que Governo e partidos negoceiam a proposta orçamental do Estado para o próximo ano e com implicações para os bolsos de todos.

“Não só todos contam, mas também tudo conta. Tudo conta, mas em especial tudo conta na dimensão financeira. (…) Aprendemos que a vida é feita de pequenos nadas. E na dimensão financeira isso é ainda mais verdade. Nós devemos ter a perceção e a compreensão que tudo conta e que as contas devem ser de facto certas”, disse Centeno, que ficou conhecido por ser o “ministro das contas certas” ao conduzir Portugal de uma situação de défice orçamental a um inédito excedente de 0,1% do PIB no ano passado.

Com a pandemia, as contas públicas vão voltar ao vermelho perante a necessidade do Governo responder à crise com mais apoios às famílias e empresas. O Executivo prevê défices de 7,3% e 4,3% do PIB este ano e no próximo, respetivamente.

"Não só todos contam, mas também tudo conta. Tudo conta, mas em especial tudo conta na dimensão financeira. (…) Aprendemos que a vida é feita de pequenos nadas. E na dimensão financeira isso é ainda mais verdade. Nós devemos ter a perceção e a compreensão que tudo conta e que as contas devem ser de facto certas.”

Mário Centeno

Governador do Banco de Portugal

Centeno, falando agora na qualidade de governador do Banco de Portugal e de presidente do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, cargo que ocupa desde julho passado, lembrou a importância de se assumir uma postura de aprendizagem contínua ao longo da vida. Tal como ele próprio assume.

“Aqueles que são hoje alunos e estão nas escolas a aprender não devem esquecer que devem passar toda a sua vida a ser estudantes. Aqueles que hoje são alunos um dia serão ex-alunos mas fomos todos estudantes. E acreditem que ainda hoje, eu, nas funções que desempenho, continuo a estudar e a aprender dimensões muito importantes na literacia financeira“, disse.

O governador explicou que “em todos os domínios da nossa vida, mais informação habilita-nos sempre a tomar decisões mais informadas e consciência”. “É isto que significa exatamente liberdade”, disse.

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