Banca acaba com borlas para quem tem mais dinheiro na conta

BCP começa a cobrar a partir de hoje aos clientes com mais de 10 mil euros na conta. Banco a banco, as isenções para os maiores saldos foram desaparecendo num contexto de aperto do negócio bancário.

A partir de agora, se for cliente do BCP, mesmo que tenha mais de 10 mil euros na conta, vai ter de pagar comissão de manutenção. O banco liderado por Miguel Maya mexeu no preçário e deixa, a partir de hoje, de isentar os saldos acima desse numerário. Com isto, acabaram-se as borlas dos grandes bancos que beneficiavam os particulares com mais dinheiro à ordem.

Nos últimos anos, instituição a instituição, foram apertando gradualmente as isenções no pagamento das comissões de manutenção de conta. Até há pouco tempo, a gratuitidade das contas abrangia apenas os clientes com saldos maiores. Mas também esses passaram agora a pagar — mantendo-se algumas exceções, como para os estudantes, por exemplo –, deixando de haver discriminações em função do valor depositado.

No BCP, o último dos grandes bancos que mantinha essa política de isenção, os clientes com Conta Millennium Start, Conta U — vocacionada para os clientes mais jovens da instituição — Conta Millennium, Conta Herança Indivisa e Conta Standard com quantias depositadas acima de 10 mil euros passam agora a ter de pagar uma comissão mensal de 5,41 euros. Ao fim de um ano, o encargo total que dantes era de 0 euros sobe para 64,9 euros.

Outros bancos já haviam cortado totalmente com estas benesses para grandes clientes particulares, perante um contexto operacional particularmente desafiante e que veio a tornar-se ainda mais adverso com a crise da pandemia.

Várias razões ajudam a explicar esta tendência: com o Banco Central Europeu (BCE) a manter os juros em mínimos históricos — agora por mais tempo do que o previsto por causa do problema de saúde pública em todo o mundo –, os bancos viram o seu tradicional negócio num beco sem saída. Para compensar o esmagamento da margem de juros (diferença entre os juros recebidos nos empréstimos e os juros pagos nos depósitos), o setor procedeu, em grande medida, a um aumento generalizado das comissões, medidas para puxarem a rentabilidade e os lucros.

Em Portugal, os bancos estão proibidos de cobrar juros nos depósitos, ao contrário de outros países, que já começaram a cobrar não só a clientes institucionais (e geralmente com depósitos abastados) mas também a clientes particulares. A discrepância das regras tem levado os banqueiros a assumir uma postura crítica dado que cria uma situação que os penaliza face aos pares europeus. Adicionalmente, a recente iniciativa do Parlamento que veio impor restrições na política de comissionamento dos bancos veio deixá-los sob maior pressão para encontrar receita noutro lado.

Atualmente, isenções de conta só em casos específicos. Uma ronda pelos precários dos cinco principais bancos — Caixa Geral de Depósitos, BCP, Santander Totta, Novo Banco e BPI — permite perceber que contas para jovens e estudantes ainda escapam às comissões de manutenção. Há outras situações concretas, dependendo de banco para banco.

Com o aproximar do final do ano, as instituições preparam-se para alterações no preçário com olhos colocados em 2021, que continuará a ser marcado pelos efeitos da pandemia. O BPI já anunciou mudanças nos preços dos seus produtos e serviços, que vão afetar sobretudo alguns dos que são considerados mais básicos. É o caso, justamente, da manutenção de conta cujos encargos chegam a disparar perto de 30% no início do próximo ano. Mas os agravamentos também chegam à conta à ordem tradicional e aos cartões de débito, por exemplo.

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