Consórcio para o hidrogénio lança concurso para “trazer fabricante de eletrolisadores” para Sines

O CEO da EDP Inovação, António Vidigal, disse que para arrancar no terreno o projeto H2Sines precisa de uma "decisão de investimento que ainda não está tomada".

O CEO da EDP Inovação, António Vidigal, revelou que neste momento um dos principais objetivos no âmbito do projeto H2Sines, que junta a elétrica à Galp, REN, Martifer, Vestas e Engie num consórcio que está a avaliar a produção de hidrogénio em larga escala em Portugal, é “trazer um fabricante de eletrolisadores” para Sines. “Estamos a lutar por isso, num concurso que vamos lançar”, disse o responsável da empresa num webinar dedicado ao tema “Hidrogénio: oportunidade ou risco?”, organizado pela Ordem dos Engenheiros.

Outro dos temas que está agora em cima da mesa é a negociação dos futuros preços do hidrogénio vai ser produzido em Sines. “Temos acordos de confidencialidade com os parceiros holandeses e estamos a negociar preços com eles”, disse o CEO, garantindo que, para arrancar no terreno, o projeto precisa de uma “decisão de investimento que ainda não está tomada”. António Vidigal frisa que “o projeto vai ser feito por fases”, com avaliações de controlo no final de cada uma delas: primeiro um protótipo de 10 MW, depois 100 MW, e só por fim os desejados 1000 MW.

Também presente no webinar, Sérgio Goulart Machado, diretor de Global Business Development da Galp, disse que o H2Sines beneficia do “alinhamento” de um conjunto de empresas com capacidade e vontade de desenvolver o projeto. “É um projeto de larga escala, mas não é megalómano. É para ser desenvolvido de uma forma faseada. Ninguém se propôs fazer 1 GW de eletrólise de um dia para o outro. Ninguém vai tomar a decisão final de investimento num dia e fazer todo o projeto de uma só vez. Temos de ver, de fase em fase, se estão reunidas as condições para avançar”, frisou.

Na sua visão, a prioridade agora é reduzir os custos do hidrogénio produzido em Sines, em função do valor de investimento, tomando partido das “economias de escala” e dos apoios ao investimento. “Há fundos europeus específicos que estão disponíveis para este tipo de projetos”, disse.

H2Sines em investigação, mas credibilidade da EDP é “a toda a prova”

Sobre o inquérito a correr no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), órgão do Ministério Público (MP) especializado no combate à criminalidade mais complexa, que a Procuradoria-Geral da República já confirmou que “se encontra em investigação, não tem arguidos constituídos e está em segredo de justiça”, nenhum dos dois se pronunciou. Mas António Vidigal sublinhou que “uma empresa como a EDP, com presença em todo o mundo, tem credibilidade a toda a prova, como o provou no aumento de capital que fez recentemente”.

De acordo com a revista Sábado, as empresas do consórcio H2Sines estarão a ser investigadas — juntamente com o ministro da Economia, Siza Vieira, e o secretário de Estado da Energia João Galamba — por indícios de tráfico de influência e corrupção, entre outros crimes económico-financeiros, relativo a apoios que o Estado vai dar a empresas privadas nos próximos anos para a produção de hidrogénio verde.

Investimento no hidrogénio começou há mais de dois anos

O CEO da EDP Inovação lembrou ainda que o investimento da EDP no hidrogénio começou há mais de dois anos e tem neste momento vários projetos em evolução”, entre eles o Beyhond H2 Offshore, para a produção de gás renovável a partir da energia eólica offshore e da água do mar, com parceiros nacionais e noruegueses (e que recentemente recebeu financiamento na Noruega). Outro dos projetos diz respeito ao demonstrador de hidrogénio na central de ciclo combinado do Ribatejo (uma espécie de “pré-protótipo” para o H2Sines, que vai arrancar em 2021), com 1 MW. Quanto ao hidrogénio ali produzido, a EDP está a planear canalizá-lo para projetos de mobilidade na área da logística ou transporte urbano de passageiros.

E, mais recentemente, o projeto H2Sines, que António Vidigal diz que “nasceu pelo interesse expresso por um conjunto de empresas do lado holandês [ABN AMRO, Vopak, Shell, Gasunie, entre outras] e pelo Porto de Roterdão, que quer tornar-se num hub de abastecimento de energia no norte da Europa e está à procura de parceiros em todo o mundo que o abasteçam com hidrogénio verde”.

“O que nos dizem é que que estão disponíveis para o importar todo o hidrogénio verde que Portugal consiga produzir. Acham que vão ter sempre falta e que conseguem arranjar clientes na Holanda e Alemanha que possam pagar o sobrecusto de preço do hidrogénio verde implica”, disse o CEO. Uma “pequena” parte deste sobrecusto, explica, advém da utilização da água do mar por dessalinização (já em prática na central de Sines) no processo de eletrólise.

Quanto aos usos do hidrogénio nacional, o responsável da EDP diz que vai ser:

  • Exportado por via marítima para o Porto de Roterdão;
  • Usado na refinaria de Sines da Galp como matéria-prima e para abastecer clientes industrias locais;
  • Injetado no pipeline da REN;
  • Distribuído por via terrestre em camiões cisterna para aplicações na mobilidade e indústria por todo o país:

Para isso, o projeto beneficia das boas condições para produzir energia renovável, uma refinaria e ligação à rede da REN, infraestruturas existentes (Porto de Sines, linha elétrica, água, caminhos de ferro), diz o responsável da Galp

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