Com quebra de 22% nas receitas, Media Capital antecipa “reforço do posicionamento” no setor

  • Lusa e ECO
  • 9 Novembro 2020

O grupo Media Capital viu os rendimentos consolidados descerem 22% até outubro, para 104,6 milhões, comparativamente com 2019. Mas antecipa um "reforço" do "posicionamento competitivo" no setor.

Os rendimentos consolidados da Media Capital desceram 22% até outubro deste ano, para 104,6 milhões de euros revelou a dona da TVI, num comunicado à CMVM. Porém, apesar do “ano muito difícil”, o presidente executivo, Manuel Alves Monteiro, antecipa “um reforço” do “posicionamento competitivo” do grupo no setor.

“Durante os primeiros dez meses do corrente ano, em resultado do efeito conjugado da pandemia e da redução (em termos acumulados) de quota de audiência do principal canal televisivo (TVI – canal generalista) face ao período homólogo, os rendimentos operacionais do grupo foram negativamente afetados, nomeadamente ao nível da publicidade”, indicou a empresa, numa nota sobre o desempenho operacional e financeiro e perspetivas.

Segundo a Media Capital, estes impactos “tiveram maior incidência nos meses de março a junho, período em que o mercado publicitário relevante do grupo Media Capital (TV FTA, TV Cabo, Rádio e Digital) recuou de forma agregada 17%, 45%, 44% e 19% face ao período homólogo, respetivamente”. O grupo recordou ainda o “efeito adverso da pandemia no mercado de publicidade”.

Apesar do ano 2020 ser marcadamente um ano muito difícil, o grupo soube ser resiliente e alcançou resultados operacionais e financeiros bastante positivos nestes primeiros dez meses do ano.

Manuel Alves Monteiro

Presidente executivo da Media Capital

A empresa, que foi vendida pela espanhola Prisa a vários investidores portugueses nas últimas semanas, registou uma queda do EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 13,4 milhões de euros nos primeiros dez meses de 2019 para 6,8 milhões de euros negativos no mesmo período de 2020, referiu o grupo.

“Destaque para os últimos quatro meses, onde o EBITDA se encontrou consistentemente acima dos valores registados em 2019, suportado pela recuperação dos rendimentos operacionais e pela redução dos gastos operacionais face ao período homólogo”, salientou a Media Capital, que viu os gastos operacionais, antes de depreciações e amortizações, recuarem 8%, alcançando 111,4 milhões de euros até outubro, lê-se na mesma nota.

O grupo deu ainda conta do endividamento financeiro líquido do período em análise, que “devido a uma cuidada gestão de tesouraria” diminuiu 7,3 milhões de euros desde junho de 2020 (de 93,5 milhões de euros para 86,2 milhões de euros)”.

“Neste ambiente, e consciente da sua relevância e responsabilidade enquanto grupo de media de excelência e referência em Portugal, foram tomadas as medidas operacionais e estratégicas adequadas por forma a corresponder aos difíceis desafios, garantindo em simultâneo a qualidade da cobertura jornalística e dos restantes conteúdos ao público em geral, bem como a execução das necessárias medidas de segurança sanitária”, garantiu a empresa.

A Media Capital ressalvou que “estas iniciativas acarretam um inevitável agravamento de gastos, com o concomitante impacto negativo em termos de rentabilidade, que encontra justificação atendendo ao papel do grupo na sociedade”.

Paralelamente, “foram encetadas medidas de eficiência operacional para acomodar parte do impacto económico negativo” e “que englobaram a redução de gastos de outras naturezas e de despesas de capital, bem como uma gestão especialmente atenta do fundo de maneio”, disse o grupo.

Para o futuro, a empresa diz que “é através da continuação da melhoria dos contextos externo e interno que o grupo antecipa um reforço do seu posicionamento competitivo no setor e um desagravamento substancial dos comparativos financeiros nos restantes meses de 2020, antecipando um valor anual de EBITDA ajustado de gastos com reestruturação a tender para zero para o corrente ano”.

A Media Capital garante que tem em implantação uma nova estratégia “existindo uma forte expectativa de que o grupo saberá recuperar níveis históricos de rentabilidade já exibidos em exercícios passados”.

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