Um a um, conheça os novos donos da Media Capital

O grupo espanhol Prisa desfez-se finalmente das ações da Media Capital, após vários negócios falhados nos últimos anos. Está fechada a nova estrutura acionista da dona da TVI e da rádio Comercial.

Está fechada a nova estrutura acionista da Media Capital. Depois de várias tentativas falhadas, a Prisa acaba de concluir a alienação de todas as ações que detinha na dona da TVI, depois de ter falhado operações com a Altice Portugal e com a Cofina nos últimos anos.

Do outro lado desta operação de venda de títulos em blocos está um conjunto de investidores que darão à Media Capital uma nova estrutura acionista diversificada. Estes tinham acordado em setembro comprar as ações que eram da Prisa, e as transações foram executadas no início desta semana, segundo vários comunicados enviados à CMVM.

Com a saída de cena dos espanhóis, o empresário Mário Ferreira, através da Pluris Investments, detém agora a maior “fatia” das ações, seguindo-se uma holding fundada pelo empresário Paulo Gaspar, filho do presidente do grupo Lusiaves. Há também novos rostos nos mercados de capitais, como a apresentadora Cristina Ferreira e o cantor Tony Carreira… e até desistências, como a do cantor Pedro Abrunhosa.

Pluris Investments – 30,22%

Holding controlada por Mário Ferreira e participada também pela esposa do empresário, Paula Dias Ferreira. O dono da Douro Azul, comprou 30,22% da Media Capital à Prisa em meados deste ano, por 10,5 milhões de euros. Está agora sob escrutínio regulatório.

A CMVM encontra-se inclinada para decidir que o investidor tem agido em concertação com a Prisa e a ERC admite ter havido alteração não autorizada de domínio no grupo de media português. Ambos os processos poderão ter consequências imprevisíveis.

(Mário Ferreira também é acionista do ECO.)

Mário Ferreira é agora o principal acionista da Media Capital.

Triun SGPS – 23%

Tinha acordado em setembro ficar com 20% da Media Capital, mas acabou por reforçar a aposta. A Triun, liderada pelo empresário Paulo Gaspar (filho do presidente da Lusiaves e também administrador do grupo), é agora o segundo maior acionista da dona da TVI.

No controlo da empresa estão ainda outros membros da família, nomeadamente Mariana da Mota Francisco Gaspar e Francisco Miguel da Mota Gaspar.

Biz Partners – 11,9725%

É um consórcio alargado de investidores que tinha chegado a acordo com a Prisa para a compra desta posição. No entanto, desde que o acordo foi anunciado, houve alterações relevantes na estrutura do mesmo:

  • HiperGo (Miguel Osório Araújo) – controla 33,4099% da Biz Partners, o que corresponde a uma posição indireta de cerca de 4% na Media Capital.
  • IBG (Isabel Rodrigues de Sá) – controla 16,7049% da Biz Partners, o que corresponde a uma posição indireta de cerca de 2% na Media Capital.
  • Castro Group (Paulo Pereira de Castro) – controla 16,7049% da Biz Partners, o que corresponde a uma posição indireta de cerca de 2% na Media Capital.
  • Capitais Privados (João Martins de Barros) controla 16,4753% da Biz Partners, o que corresponde a uma posição indireta de cerca de 1,97% na Media Capital.
  • Regimidia (Tony Carreira) controla 8,3525% da Biz Partners, o que corresponde a uma posição indireta de cerca de 1% na Media Capital.
  • Benecar Automóveis (Nuno Faustino da Silva) – controla 8,3525% da Biz Partners, o que corresponde a uma posição indireta de cerca de 1% na Media Capital.

Anteriormente, neste consórcio, estavam ainda a Tensai Indústria (Manuel João Preto), a Pelican Score Investimentos (Bruno Ribas Esteves de Albernaz) e a Palpitevalor (Patrícia Dantas de Oliveira). Estes investidores terão, assim, desistido do negócio.

Tony Carreira faz parte do consórcio Biz Partners que controla agora quase 12% da Media Capital.José Sena Goulão/Lusa

CIN – 11,2%

A CIN é agora a terceira maior acionista da Media Capital. Detém 11,2% do grupo de media português. (A CIN também é acionista do ECO.)

Zenithodyssey – 10%

É um consórcio de vários investidores que chegou a acordo com a Prisa para comprar 16% da Media Capital. Contudo, a CIN, que participava no consórcio, acabou por seguir a solo, pelo que a Zenithodyssey passa, assim, a deter 10% da Media Capital, após revistas as condições do negócio com a Prisa. A estrutura da sociedade é a seguinte:

  • Polopiqué (Luís Guimarães) – controla 45% da Zenithodyssey, o que corresponde a uma posição indireta de cerca de 4,5% na Media Capital. (A Polopiqué também é acionista do ECO.)
  • Volume Volátil (Filipe Barbosa Carvalho) – controla 20% da Zenithodyssey, o que corresponde a uma posição indireta de cerca de 2% na Media Capital.
  • Zafgest (Rui Costa Freitas) – controla 17,5% da Zenithodyssey, o que corresponde a uma posição indireta de cerca de 1,75% na Media Capital.
  • Alfredo & Carlos (Alfredo Alves Pereira e Carlos Alves Pereira) – controla 17,5% da Zenithodyssey, o que corresponde a uma posição indireta de 1,75% na Media Capital.
Luís Guimarães, presidente da Polopiqué e principal acionista da Zenithodyssey.Nuno Oliveira/Portugaltextil

Abanca – 5,05%

Até agora, era o maior dos pequenos acionistas da Media Capital. O banco espanhol esteve para se desfazer da posição na primeira Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pela Cofina sobre a Media Capital e planeava participar no aumento de capital da dona do Correio da Manhã.

Com as operações a caírem por terra, o Abanca continua dono dos mesmos 5,05% da Media Capital, através da subsidiária NCG Banco.

Juan Carlos Escotet, presidente do grupo Abanca, que já era acionista da Media Capital.Abanca

Fitas & Essências – 3%

É controlada por Stéphane Rodolphe Picciotto, administrador da Confetil e Eurextil. Assume agora uma posição de 3% na Media Capital, em linha com o que tinha acordado com a Prisa.

António Carvalho – 1,7975%

O investidor privado António Carvalho também assinou um acordo com a Prisa para ficar com 2% da Media Capital. Mas acabou por ver a sua posição diluída para um patamar abaixo do necessário para ser considerada uma posição qualificada. Controla agora cerca de 1,8% da Media Capital.

Manuel Ferreira Lemos – 1%

O empresário Manuel José Lemos de Ferreira Lemos, que é presidente do conselho de administração do Hospital Terra Quente, do Hospital de Bragança e do Hospital Privado de Chaves, vai ficar com 1% do grupo de media.

Cristina Ferreira – 2,5%

Em 2018, surpreendeu os portugueses ao passar da TVI para a SIC. Em 2020, repetiu a façanha, deixando o grupo Impresa e regressando à Media Capital, agora como diretora e, também, como acionista. Cristina Ferreira, através da DoCasal Investimentos, consumou a compra de 2,5% do grupo, como já era esperado.

Também tem sido um dos nomes apontados para o novo Conselho de Administração do grupo, que deverá ser nomeado numa assembleia-geral a 24 de novembro, mas ainda não se conhece a proposta para os órgãos sociais.

Cristina Ferreira já é dona de 2,5% da Media Capital.Paula Nunes

Free float – 0,26%

Dispersas na bolsa de Lisboa estão, por fim, 0,26% das ações da Media Capital.

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