“Setor privado falhou e a cidade teve de avançar”. Lisboa estreia três novos hubs de carregamento rápido em fevereiro

Na calha para o próximo ano está também o lançamento de um novo concurso para mais três postos de carregamento rápido na cidade de Lisboa, anunciou o vereador Miguel Gaspar.

A Câmara Municipal de Lisboa vai inaugurar em fevereiro de 2021 mais três hubs multicarregadores na cidade, ou seja, três postos de carregamento rápido para carros elétricos, num total de 12 novos pontos de abastecimento de energia elétrica, anunciou Miguel Gaspar, vereador da autarquia para a Mobilidade.

O responsável sublinhou que a Câmara Municipal não tem qualquer ambição de se tornar num operador de postos de carregamento elétrico, mas teve de assumir esse papel por falta de iniciativa privada e para “dotar a cidade de uma rede adequada às necessidades” dos utilizadores de carros elétricos, disse num webinar online que decorreu esta segunda-feira e no qual qual a Mobi.E apresentou o seu novo posicionamento de mercado. “

“O setor privado falhou e a cidade teve de avançar mais depressa. O mercado vai ser dominado por operadores privados, mas também deve haver capacidade pública para operar”, disse o vereador.

Na calha para o próximo ano está também o lançamento de um novo concurso para mais três postos de carregamento rápido na cidade de Lisboa, que Miguel Gaspar espera que possam ser assumidos por operadores privados. No entanto, Miguel Gaspar garante que se assim não for a CML assumirá também esse novo investimento. O responsável revelou ainda que em Lisboa existem 4.000 “dísticos verdes” para carros elétricos, que equivalem a 20% da mobilidade elétrica em Portugal.

Para este verão chegou a estar prevista a criação de uma Zona de Emissões Reduzidas (ZER) na Baixa/Chiado, em Lisboa, entretanto adiada pelo presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, que remeteu o projeto para um próximo mandato. O autarca tinha já anunciado em junho que iria propor à autarquia uma “recalendarização” relativa ao desenvolvimento desta ZER, que contempla restrições ao trânsito automóvel, bem como intervenções no espaço público, com criação de mais ciclovias e área pedonal.

“Faz sentido continuar a fazer investimento e ele vai ser feito”, diz ministro

Ao nível do país, o ministro do Ambiente e Ação Climática, Matos Fernandes, anunciou no mesmo evento que o Governo vai investir mais três milhões de euros na mobilidade elétrica.”É da maior importância que a rede de carregamento elétrico continue a densificar-se. Faz sentido continuar a fazer investimento público e ele vai ser feito. A mobilidade elétrica é uma prioridade”, disse Matos Fernandes, comparando a rede Mobi.E à rede de multibanco, onde as pessoas podem levantar dinheiro independentemente do banco de que são clientes. A Mobi.E quer chegar a 2025 com 20 mil postos de carregamento elétrico.

No início do mês de outubro lançou um concurso público para um projeto-piloto de dez ‘hubs’ de carregamento de veículos elétricos – em 10 cidades do país escolhidas com base no nível de procura por este tipo de serviços – constituídos por um posto de carregamento ultrarrápido, três postos de carregamento rápidos e cinco postos de carregamento normais, que visa reforçar a infraestrutura de carregamento de acesso público em 90 postos de carregamento.

Este projeto-piloto, integrado no Programa de Estabilização Económica e Social (PEES) do Governo, conta com o financiamento de 1,75 milhões de euros provenientes do Fundo Ambiental. Paralelamente, foi também lançado um concurso para exploração de 12 postos de carregamento ultrarrápido que engloba um investimento de um milhão de euros, também financiado pelo Fundo Ambiental, no âmbito do PEES.

“São processos que estão na rua, que estamos neste momento a aguardar as propostas”, disse o CEO da Mobi.E, esclarecendo que, no caso do primeiro concurso, o prazo para entrega de candidaturas termina no final desta semana e, no segundo, podem ser apresentadas propostas até ao final da próxima semana.

“Apesar de, em 2020, termos vivido este contexto pandémico, a mobilidade elétrica, felizmente, resistiu bem. Os consumos que nós temos agora no último mês de outubro representam 90% dos consumos que tínhamos no início do ano. Nem todos os setores se podem comparar a este. […] Nós tínhamos cerca de 700 postos de carregamento no início do ano e iremos acabar este ano à volta de 1.400, portanto vamos duplicar neste ano a rede de postos”, sublinhou Luís Barroso.

 

A Rede MOBI.E em números

  • Tem mais de 1.000 postos de carregamento
  • O objetivo é terminar o ano com 1.400 postos de carregamento
  • Mais de 2.000 pontos de carregamento (tomadas)
  • Cobertura de 268 municípios com postos de carregamento (inclui Regiões Autónomas)
  • Cobertura de mais de 85% de municípios com postos de carregamento
  • Objetivo de cobertura de todos os municípios com postos de carregamento até ao final do ano
  • Nos primeiros 10 meses do ano foram registados quase 80 mil carregamentos
  • A utilização da rede MOBI.E já permitiu poupar 13 mil toneladas de CO2
  • Investimento da MOBI.E, em 2020, de cerca de 3 milhões de euros
  • 58 OPC (Operador de Posto de Carregamento) constituem a rede MOBI.E
  • 18 CEME (Comercializadores de Eletricidade para a Mobilidade Elétrica) disponibilizam eletricidade na rede MOBI.E

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história e às newsletters ECO Insider e Novo Normal.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

“Setor privado falhou e a cidade teve de avançar”. Lisboa estreia três novos hubs de carregamento rápido em fevereiro

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião