Grupo de associados quer plano para sanear contas do Montepio. Pede eleições antecipadas

Grupo de associados do Montepio defende plano de saneamento da instituição e exige eleições antecipadas, pois atual gestão está "esgotada". Governo e reguladores também são chamados a ajudar.

A situação do Montepio é “dificílima” mas é “reversível” e, por isso, um grupo de associados que pertenceram a listas da oposição a Tomás Correia quer mobilizar a comunidade da mutualista para começar a preparar um plano de saneamento da instituição, juntamente com o Governo e reguladores, que acusam de se alhearem dos problemas. Também pretende a realização de eleições antecipadas, dado que a atual gestão de Virgílio Lima já “esgotou”.

Para já não há propostas no papel, apenas ideias. Até porque o movimento que subscreve a declaração “É urgente salvar o Montepio” quer mobilizar associados em busca de soluções e chamar a atenção dos poderes públicos em relação à gravidade da situação do grupo, explicou João Costa Pinto, ex-presidente da comissão de auditoria do Banco de Portugal e atual conselheiro da mutualista.

Costa Pinto é um dos subscritores da declaração, cuja apresentação decorreu esta terça-feira e junta mais três dezenas de associados, incluindo Fernando Ribeiro Mendes (ex-administrador do Montepio e candidato derrotado nas últimas eleições), Eugénio Rosa (ex-dirigente do Montepio) e João Proença (ex-líder da UGT).

A dimensão do desafio financeiro é tal que não é viável a conceção e aprovação de um programa de reequilíbrio em tempo útil para resolver os desequilíbrios sem o papel do Governo“, adiantou Costa Pinto, defendendo um plano a médio e longo prazo dado o desafio de reequilíbrio a fazer no grupo Montepio.

No entender deste grupo de associados, haverá dois níveis de ação: na Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), com mais de 600 mil associados, e no Banco Montepio, que é controlado pela primeira.

Sem cálculos precisos, Eugénio Rosa indicou que o desequilíbrio financeiro na mutualista será da ordem dos 500 milhões de euros. “Se retirarmos os ativos fictícios –, os ativos por impostos diferidos –, chegamos à conclusão que esses ativos são inferiores ao passivo, àquilo que a AMMG deve, em cerca de 500 milhões de euros”, disse o economista que já pertenceu aos órgãos da instituição.

Em relação ao Banco Montepio, o desafio é diferente. Eugénio Rosa explicou que o banco precisa de mais capital para conceder empréstimos, que é o que está na base do negócio bancário.

Neste ponto, Costa Pinto acrescentou que a solução para o banco poderá passar por uma espécie de “bad bank”, isto é, um veículo que ficasse a gerir e a maximizar com tempo os ativos problemáticos (crédito malparado e imóveis) do banco. Isto permitiria libertar capital necessário para aumentar o negócio. O conselheiro também sugeriu a abertura do capital do banco a outras entidades através de aumentos de capital, salvaguardando-se o controlo da mutualista. Mas sem grandes pormenores.

O Governo e os reguladores também são chamados. E se forem precisos recursos públicos, porque não? “O ex-ministro das Finanças Mário Centeno disse há algum tempo que se o governo fosse chamado a ajudar o Montepio que estaria disponível”, lembrou Mário Valadas, outro dos subscritores presentes na conferência de imprensa.

Para já não há negociações com o Governo, embora este grupo tivesse já realizado alguns contactos, mas com respostas insatisfatórias. “O que tem acontecido é um passar de responsabilidades uns para os outros ou um lacónico estamos a acompanhar a situação”, lamentou Manuel Ferreira, conselheiro da AMMG que também subscreve a declaração. Este dirigente disse não acreditar que Governo e reguladores possam “estar a fazer coisas à margem” dos associados.

Assim, à espera de mais contributos, o próprio grupo de subscritores fará as suas propostas. Foi abordada a possibilidade de criação de um fundo de garantia mutualista para proteger as poupanças dos associados, tal como existe um fundo de garantia de depósitos bancário.

Mas uma coisa é certa: este plano não inclui a atual administração liderada por Virgílio Lima, cuja capacidade de ação se encontra esgotada. Quais as diferenças entre a atual gestão e este grupo de associados? “Desde logo reconhecer os problemas e tirar as consequências para que a situação não se prolongue e agrave nesta situação de pandemia”, disse Costa Pinto.

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