Mais de metade dos trabalhadores expostos a riscos para saúde mental no emprego

54% dos trabalhadores que referiram a exposição a fatores de risco para a saúde mental no seu local de trabalho. Sobrecarga de trabalho, pressão dos prazos e maus colegas são as principais ameaças.

Há cada vez mais trabalhadores preocupados com as ameaças à sua saúde mental. Mais de metade das pessoas empregadas diz estar exposta a fatores de risco no seu local de trabalho que põe em perigo o seu bem-estar mental, como a pressão dos prazos, a sobrecarga de trabalho ou a convivência com pessoas problemáticas.

De acordo com o inquérito do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativo ao segundo trimestre, 54% dos trabalhadores referiram a exposição a fatores de risco para a saúde mental no seu local de trabalho. Trata-se de um aumento de 17,2 pontos percentuais desde 2013, altura da crise económica e social provocada pelo programa de ajustamento da troika.

A “pressão dos prazos e a sobrecarga de trabalho” é a principal ameaça identificada pelos trabalhadores, afetando mais de 40% da população empregada. Mais de 27% indicou como fator de risco “o contacto no local de trabalho com pessoas problemáticas mas não violentas”, como clientes, pacientes, alunos, cidadãos, entre outros, de acordo com o INE. Cerca de 10% referiu o fator “insegurança no emprego”.

Estes fatores afetavam em 2020 ligeiramente mais mulheres (54,8%) que homens (53,3%) e mais frequentemente os grupos etários dos 35 aos 54 anos.

A região do Alentejo foi aquela em mais pessoas referiram a exposição a estes fatores, 56,7%, situando-se no outro extremo a Região Autónoma da Madeira, 51,2%.

Teletrabalho reduz acidentes de trabalho

O INE explica que o contexto do trabalho mudou de 2013 para 2020, também por causa da atual situação de pandemia. Isso ajuda a explicar alguns resultados do inquérito, como a queda no número de acidentes de trabalho.

“O funcionamento do mercado de trabalho apresenta características distintas [face a 2013], sendo de sublinhar o elevado volume de pessoas empregadas a trabalhar a partir de casa ou em regime de lay-off simplificado no segundo trimestre de 2020”, explica o gabinete de estatísticas.

Em particular, acrescenta o INE, a população empregada dos 15 aos 74 anos a trabalhar a partir de casa ascendeu a mais de 1 milhão de pessoas, quase ¼ da população empregada daquele grupo etário, “o que poderá ter constituído um dos fatores para a redução da incidência dos acidentes de trabalho em 2020”.

Em 2020, 165,1 milhares de pessoas dos 15 aos 74 anos empregadas referiram ter tido pelo menos um acidente de trabalho durante esse período, representando 3,2% da população empregada. Em 2013, esta percentagem foi 4,0%.

(Notícia atualizada às 11h59)

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