Mutualista “repudia” ação de associados. É “ataque à estabilidade” do Montepio

Grupo de associados da Mutualista Montepio apelou ao Governo para salvar o Grupo Montepio. Mutualista estranha ação, alertando que ação só "instala desconfiança e lesa fortemente a atividade".

Alertando que a situação do Montepio é “dificílima” mas é “reversível”, um grupo de associados que pertenceram a listas da oposição a Tomás Correia apelou ao Governo que ajudasse a salvar a instituição. A ação empreendida por um “reduzido número de associados” causou estranheza ao Conselho de Administração do Montepio Geral Associação Mutualista. Entidade liderada por Virgílio Lima repudia os alertas, afirmando que a ação só “instala desconfiança e lesa fortemente a atividade”.

“Esta ação, executada em termos públicos e com forte impacto na confiança e reputação da marca Montepio, assenta em questões que não foram apresentadas em sede própria da Associação, nomeadamente na última Assembleia Geral de associados, onde os temas têm vindo a ser amplamente partilhados, discutidos e clarificados”, diz o Conselho de Administração da Mutualista, em comunicado.

Segundo Eugénio Rosa, um dos promotores da ação, a mutualista apresenta um desequilíbrio financeiro na ordem dos 500 milhões de euros. “A dimensão do desafio financeiro é tal que não é viável a conceção e aprovação de um programa de reequilíbrio em tempo útil para resolver os desequilíbrios sem o papel do Governo”, de acordo com Costa Pinto, outro dos autores desta ação.

A entidade liderada por Virgílio Lima considera que “as dúvidas instaladas a respeito de temas aprovados pelos associados e acompanhados de perto pelas entidades de tutela e supervisão da Associação Mutualista e do Banco Montepio configuram um ataque à estabilidade deste grupo mutualista“. Reconhece que o “momento apresenta dificuldades que são sistémicas. As entidades do Grupo Montepio não são imunes, mas prosseguem numa gestão determinada e orientada à superação dos desafios”.

Veículo para gerir ativos está em andamento

Uma das soluções apresentadas pelos associados para o Banco Montepio passa pela criação de uma espécie de “bad bank”, isto é, um veículo que ficasse a gerir e a maximizar com tempo os ativos problemáticos (crédito malparado e imóveis) do banco. Isto permitiria libertar capital necessário para aumentar o negócio, segundo Costa Pinto.

"Estranho que as referências expressas em algumas declarações dos signatários quanto à constituição de um veículo para gestão de ativos improdutivos apontem para uma solução que, contrariamente ao afirmado, não consubstancia proposta gerada pelos próprios.”

Conselho de Administração do Montepio Geral Associação Mutualista

A mutualista diz que a ideia foi do banco. E está a andar. É “estranho que as referências expressas em algumas declarações dos signatários quanto à constituição de um veículo para gestão de ativos improdutivos apontem para uma solução que, contrariamente ao afirmado, não consubstancia proposta gerada pelos próprios, mas antes um projeto em construção no seio do Grupo Montepio, pelos respetivos órgãos de gestão, e que foi partilhado na última reunião de Conselho Geral desta Instituição. E não são apresentadas outras soluções”, atira.

Luta por poder tem lugar próprio

A gestão da mutualista diz que a ação levada a cabo por estes associados é “uma estratégia de disputa de poder que tem sede e momento próprios para ter lugar”.

“O Conselho de Administração do Montepio Geral Associação Mutualista reitera o seu repúdio a uma iniciativa empreendida por um conjunto de associados determinados a lutar por eleições antecipadas e pela gestão da entidade tutelar do Grupo Montepio – o Montepio Geral Associação Mutualista –, sem respeito pelos órgãos sociais eleitos e pela democracia interna”.

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