Altice Europe avisa que regras do 5G são “anticoncorrenciais”

A casa-mãe da Altice Europe reagiu pela primeira vez ao regulamento do leilão do 5G, considerando que contém regras "anticoncorrenciais". Mas espera pelos resultados do processo para avaliar impacto.

O administrador financeiro da Altice Europe, Malo Corbin, considera que as regras previstas no regulamento do leilão do 5G em Portugal são “anticoncorrenciais” por darem “algumas vantagens aos novos entrantes”. Mas afirmou que é preciso esperar pelos “resultados” do leilão “para ver o impacto” deste processo no negócio da dona da Meo.

Malo Corbin, que gere a pasta das finanças da casa-mãe da Altice Portugal, foi questionado sobre a situação neste mercado por um analista do Credit Suisse, durante a conferência telefónica de apresentação de resultados. O analista pediu um comentário aos “riscos” que regras definidas pela Anacom para “novos entrantes” representam para o negócio da companhia.

Em resposta, o administrador financeiro afirmou que “o leilão vai ter lugar em novembro e dezembro”. “Temos de ver os resultados desse leilão para ver o impacto”, apontou, reconhecendo, deste modo, que o processo do leilão continua, apesar da forte litigância da Nos e da Vodafone para tentarem travar o procedimento, apresentando providências cautelares que estão a ser analisadas pela justiça. A Meo também já assumiu seguir a via judicial, mas ainda não anunciou nenhuma ação em concreto.

“O regulador em Portugal apresentou o regulamento do leilão e não é vantajoso. Dá algumas vantagens aos novos entrantres. Acreditamos que é anticoncorrencial. Não vemos como sendo positivo para o país, para o investimento de todos os players existentes no mercado, especialmente numa altura em que estamos todos sob pressão da pandemia”, afirmou o gestor, que considera que o “papel do Estado e do regulador” deveria ser o de “apoiar os players atuais” neste período de crise económica e social.

Em resposta a outro analista, que também colocou questões sobre o mercado português, Dennis Okhuijsen, conselheiro da Altice Europe, lembrou que Portugal esteve na linha da frente de outras tecnologias, como o 4G e a fibra ótica, e que “os operadores existentes fizeram investimentos tremendos para colocar Portugal na liderança dessa área”. “É muito contraintuitivo que o Governo português pareça estar a mudar a tática do mercado”, indicou, reconhecendo que a Altice está “certamente alinhada” com as críticas das operadoras concorrentes.

Na apresentação de resultados divulgada esta quinta-feira, a Altice Europe indica que a data estimada para o início do leilão de frequências para o 5G é 21 de novembro de 2020.

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