Oportunidades para empresárias mulheres em Portugal pioram em ano de pandemia

Portugal caiu seis posições no relatório Mastercard Index of Women Entrepreneurs 2020. Ranking que avalia os melhores países para mulheres empresárias é, pela primeira vez, liderado por Israel.

As mulheres empresárias foram desproporcionalmente afetadas pela pandemia Covid-19 em todo o mundo, com 87% a afirmar ter sido atingida negativamente, a nível global. A forte representação das mulheres nos setores que sofreram maior impacto pela desaceleração económica, o fosso digital em termos de género e a pressão das responsabilidades familiares, estão entre os fatores que deixaram as mulheres mais vulneráveis, conclui o relatório Mastercard Index of Women Entrepreneurs 2020, um ranking que avalia os melhores países para mulheres empresárias e que analisou 58 países. Portugal caiu seis posições desde 2019.

Os dados revelam que, em ano de Covid-19, as mulheres portuguesas tiveram menos oportunidades de evoluir no mundo dos negócios, ressalva o estudo, colocando Portugal atrás de países como Israel — o melhor país para mulheres empresárias — Suíça, Polónia, Reino Unido, Suécia, Espanha, Irlanda e França.

De acordo com a Mastercard, os dados revelam uma “necessidade urgente” de apoiar as mulheres empresárias. Em Portugal, as mulheres representam cerca de 30% dos gestores de topo, de acordo com os dados mais recentes do Boletim Económico do Banco de Portugal. Um estudo divulgado esta semana pela Zurich Group revela que a possibilidade de ter um posto de trabalho com flexibilidade poderá impulsionar mais mulheres a candidatarem-se a cargos de gestão nas empresas.

Comparado com 2019, Portugal caiu seis lugares no Índice Mastercard, para a 19.ª posição, mas o relatório destaca alguns passos positivos, tais como a introdução do direito à licença parcial remunerada para pais com filhos até determinada idade.

Apesar da classificação, Portugal figura na lista de países onde as mulheres têm maior acesso a recursos necessários para iniciar um negócio. “Nestes países, as mulheres prosperam num cenário de ecossistema empreendedor de apoio, combinado com uma grande facilidade de fazer negócios, um governo solidário, programas, infraestrutura física desenvolvida e sistemas financeiros e de negócios, disponibilidade de redes de negócios e orientação”, detalha o relatório.

“Uma crise revela sempre as vulnerabilidades no sistema e a Covid-19 expô-las fortemente. Temos visto a dimensão surpreendente de disparidades que as mulheres enfrentam nos negócios. Mas, ao contrário de qualquer outra recessão económica, a Covid-19 também abriu caminho a progressos consideráveis e percebemos o que podemos alcançar quando é dada a devida oportunidade. No entanto, temos a coragem de a aproveitar, de ouvir os dados expostos neste relatório de 2020 e de agir em conformidade? Ou vamos agarrar-nos a um sistema falhado e permitir que a pandemia elimine o progresso alcançado até agora? Estas são questões críticas que os decisores precisam de colocar em primeiro lugar para planear o caminho para a recuperação económica”, sublinha Sue Kelsey, vice-presidente executiva da MasterCard, citada em comunicado.

Entre os países europeus que constam do ranking apenas Portugal, Irlanda, Dinamarca, Bélgica, Roménia e Turquia perderam posições relativamente ao ano passado, sendo “o cenário global europeu bastante positivo”, refere o documento.

Para apoiar as mulheres empresárias, os países devem apostar em “medidas de alívio para as PME – desde subsídios salariais, regimes de licenças, limites máximos de contribuições até resgates fiscais –, bem como o apoio do estado aos cuidados prestados às crianças“.

Pela primeira vez na história do índice, Israel lidera as tabelas como melhor país para mulheres empresárias em todo o mundo, que tem sido impulsionado por um apoio institucional centrado nas PME, destaca o relatório. No pódio, encontramos ainda os Estados Unidos em segundo lugar e a Suíça em terceiro lugar.

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