Vários países já têm planos para vacinar população. E Portugal?

Reino Unido, Alemanha, França e Espanha são alguns dos países que já definiram metas ou planos de vacinação contra a Covid-19. E em Portugal? Governo está a desenhar um plano com "quatro dimensões".

Com várias vacinas experimentais a mostrarem-se preliminarmente eficazes contra a Covid-19, alguns países da Europa já estão a pensar na vacinação. Reino Unido e Alemanha planeiam começar a vacinar os cidadãos em dezembro, França prevê iniciar a distribuição em janeiro e o primeiro-ministro espanhol não escondeu que quer ter uma boa parte do país já vacinada até ao final do primeiro semestre de 2021.

E em Portugal? A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, disse na segunda-feira que está a ser desenhado um plano de vacinação. Já esta terça-feira, a ministra da Saúde, Marta Temido, recusou qualquer atraso e assegurou que Portugal está a trabalhar num plano com “quatro dimensões”: foco nos grupos de risco e prioritários, distribuição da vacina consoante as características, acompanhamento dos cidadãos e vigilância para possíveis efeitos secundários e comunicação da vacina à comunidade.

Com as farmacêuticas a acelerarem o passo no desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19, Pfizer/BioNTech, Moderna e Universidade de Oxford/AstraZeneca são os três grupos que já divulgaram informação sobre a eficácia das suas candidatas. As taxas rondam — e, em alguns casos, superam — os 90%, mas as vacinas experimentais variam muito na forma de conservação. Por exemplo, a vacina da Pfizer tem de ser armazenada a uma temperatura inferior a 70 graus negativos, gerando desafios logísticos.

Mesmo sem garantias de aprovação pelo regulador europeu dos medicamentos, os países puseram-se a mexer. De acordo com o The Guardian, Reino Unido e Alemanha já anunciaram planos de vacinação que preveem o início da administração das vacinas já em dezembro. Aliás, no caso britânico, os reguladores poderão mesmo dar “luz verde” à vacina da Pfizer antes mesmo da aprovação dos reguladores nos EUA, o que pode acontecer já no decorrer desta semana.

Já França e Espanha tencionam dar início à inoculação em janeiro de 2021, havendo uma vacina aprovada por volta dessa altura, como se antecipa. Segundo o The Local, no caso francês, a discussão pública já chega mesmo à possibilidade de tornar a vacinação obrigatória. “O meu medo é o de que não sejam vacinadas pessoas suficientes em França”, admitiu o primeiro-ministro, Jean Castex, numa altura em que apenas 59% dos franceses admitem estar preparados para serem vacinados contra o novo coronavírus.

Já no caso espanhol, são conhecidos os planos do primeiro-ministro Pedro Sánchez: ir vacinando a população no primeiro trimestre e ter uma boa parte dos espanhóis já inoculada até ao fim do semestre. Tendo sido um dos primeiros países da União Europeia a apresentar um plano de vacinação contra a Covid-19, o primeiro-ministro garantiu também que existirão 13 mil pontos de vacinação em todo o país.

Os portugueses continuam, para já, à espera de conhecer o plano em detalhe, embora quer a diretora-geral da Saúde, quer a ministra da Saúde, já tenham “tranquilizado” a população, assegurando que o país está a preparar-se para ter a vacina disponível assim que haja uma vacina disponível.

Portugal tem vindo a adquirir doses de vacinas experimentais ao abrigo de um mecanismo europeu comum aos vários Estados-membros. Segundo o primeiro-ministro, António Costa, estarão já asseguradas 6,9 milhões de doses de uma das vacinas, 4,6 milhões de doses de outra e 4,5 milhões de outra, apesar de não ter especificado de quais.

A Comissão Europeia tem já acordos para a compra de vacinas à AstraZeneca/Universidade de Oxford, à Pfizer/BioNTech e à Johnson & Johnson, pelo menos, encontrando-se a negociar outros. Na terça-feira, Bruxelas anunciou a compra de 160 milhões de doses de vacina à Moderna.

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