Novo confinamento leva Fórum para a Competitividade a rever em baixa estimativa do PIB de 2020

"Há o risco crescente de o quarto trimestre ser pior do que o esperado, agravado pelo confinamento entretanto aprovado". Fórum para a Competitividade estima quebra do PIB de 2020 entre 8% e 10%.

Há um “risco crescente” de o quarto trimestre “ser pior do que o esperado”, porque Portugal voltou ao estado de emergência para travar a evolução da pandemia de Covid-19, antecipa o Fórum para a Competitividade na sua nota de conjuntura relativa a novembro. Por isso, a instituição voltou a rever em baixa as suas previsões para o conjunto do ano, antecipando agora uma contração da economia entre 8% e 10%.

Há o risco crescente de o quarto trimestre ser pior do que o esperado, agravado pelo confinamento entretanto aprovado, pelo que Fórum para a Competitividade revê em baixa a sua estimativa do PIB de 2020, para entre -8% e -10%”, pode ler-se na nota a que o ECO teve acesso. No boletim anterior, as perspetivas tinham sido ligeiramente revistas em alta para uma quebra do Produto a oscilar entre 7% e 9%, porque o terceiro trimestre se revelou melhor do que o esperado.

Agora com o agravar da pandemia o pessimismo regressa àquela que é normalmente a instituição mais pessimista. O Executivo, no Orçamento do Estado para 2021, aponta para uma contração de 8,5%. Mas o Fundo Monetário Internacional também aponta para uma quebra de 10% do PIB este ano enquanto a Comissão Europeia prevê uma contração de 9,3%.

“Há sinais de uma nova contração do PIB europeu no quarto trimestre, dados pelo indicador PMI, em novembro, que caiu de 50 para 45,1, já na zona de recessão. Para além disso, há também notícias de prolongamento do confinamento, como é o caso da Alemanha, quase até ao Natal, o que deverá ter consequências recessivas”, justifica a instituição liderada por Pedro Ferraz da Costa.

A justificar o pessimismo está a queda da confiança na indústria em novembro, “para níveis mais baixos dos de setembro, indiciando que a recuperação que se verificava está em risco”, mas também a “forte desaceleração das vendas de cimento em outubro” o que não augura nada de bom para o setor da construção que parecia ser a exceção até agora. Já ao nível dos serviços, em novembro, “a confiança dos consumidores caiu de forma pronunciada, atingindo o valor mais baixo desde maio”.

No entanto, para o próximo ano, o Fórum considera que “há sinais positivos”, como a proximidade de uma vacina, “mas também muita incerteza, até pela possibilidade de uma terceira vaga da pandemia. “Dado o baixo peso do setor digital (o que terá beneficiado mais com a pandemia) e a elevada proporção do turismo (o mais prejudicado), a economia portuguesa deverá ter uma retoma mais lenta do que a da União Europeia”, antecipa a instituição.

A “fraca dimensão relativa do estímulo orçamental”, para ajudar a anular os efeitos da crise pandémica, também ajudam a explicar que Portugal possa ter uma receuparação que não irá além dos 1% a 4%, em 2021, nos cálculos do Fórum para a Competitividade.

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