Sonangol admite sair do BCP ou analisar fusão do banco, diz CEO da petrolífera à Reuters
"Se se apresentar uma boa oportunidade para desinvestimento, iremos avaliá-la", disse o CEO da petrolífera estatal angolana, Sebastião Gaspar Martins, admitindo que também poderá analisar fusão.
A Sonangol está disponível para vender a posição que detém no BCP BCP 2,76% ou até analisar uma fusão com outros bancos, afirmou o CEO da petrolífera estatal angolana, Sebastião Gaspar Martins, em entrevista à Reuters. A participação é de quase 20%, estando avaliada em cerca de 350 milhões de euros (considerando o valor do banco em bolsa).
“No caso do Millennium bcp estamos a monitorar o seu desempenho. Se se apresentar uma boa oportunidade para desinvestimento, iremos avaliá-la e fazer as recomendações que se afigurarem as mais acertadas para o contexto e necessidades da Sonangol“, afirmou Sebastião Gaspar Martins, à agência financeira.
“A Sonangol está a acompanhar os movimentos eventuais de consolidação bancária em Portugal e, caso surja alguma oportunidade, o assunto será avaliado com os outros parceiros investidores no Millennium bcp”, acrescentou.
Até hoje, os responsáveis da Sonangol, com 19,49% do BCP, sempre foram reiterando o interesse em manter a participação no banco português, considerando-a um “investimento estratégico”, apesar da política de venda de ativos não core. Os chineses da Fosun são o maior acionista da instituição financeira, com 29,01%.
As ações do BCP estão a valorizar 0,34% para 0,119 euros, apresentando uma capitalização bolsista de 1,8 mil milhões de euros. A posição dos angolanos encontra-se avaliada em cerca de 350 milhões de euros.
"No caso do Millennium bcp estamos a monitorar o seu desempenho. Se se apresentar uma boa oportunidade para desinvestimento, iremos avaliá-la e fazer as recomendações que se afigurarem as mais acertadas para o contexto e necessidades da Sonangol.”
Sonangol quer acelerar venda de ativos. Galp é para manter
Em entrevista à Reuters, Sebastião Gaspar Martins revelou que a Sonangol vai acelerar as reformas e os esforços para aumentar as receitas no próximo ano, depois de a pandemia de Covid-19 ter provocado atrasos no processo de alienação de ativos da petrolífera.
“Sim, tendo em conta a desaceleração económica mundial, os investidores estão mais conservadores. A dinâmica de negócio e a forma como as pessoas se relacionavam, no ambiente de negócios, também mudaram e houve a necessidade de serem feitos ajustes que levam o seu tempo”, explicou Sebastião Gaspar Martins. Até agora, o programa de venda de ativos rendeu cerca de 60 milhões de dólares.
Em relação à Galp, o gestor adiantou que a Sonangol pretende “definitivamente manter” a sua participação indireta na petrolífera. O CEO da petrolífera estatal angolana também disse que espera recuperar o controlo da participação que detinha conjuntamente com o falecido marido do antigo CEO da Sonangol e a mulher mais rica de África Isabel dos Santos no coração de uma batalha judicial em Amesterdão.
(Notícia atualizada às 10h45)
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