Mercado imobiliário português regista quebra de 4% face a 2019

  • Ema Gil Pires
  • 31 Dezembro 2020

Embora tenha vivido aquele que foi o seu terceiro melhor ano de sempre, o mercado imobiliário português sofreu quebras no que toca ao investimento comercial e residencial, comparativamente a 2019.

Com 2020 a ficar marcado pela pandemia da Covid-19 e pelas dificuldades económicas que esta veio trazer a muitos portugueses e a diversos setores de atividade, o mercado imobiliário português também registou quebras face ao ano anterior, embora tenha vivido aquele que foi o seu terceiro melhor ano de sempre. No seu balanço de final de ano realizado, a consultora JLL estima esta quinta-feira que os portugueses tenham investido 24 mil milhões de euros em compra de habitação durante este ano – valor inferior em 4% aos 25,1 mil milhões de euros investidos em residencial no ano de 2019.

No comunicado de imprensa enviado às redações por parte da consultora, onde se destaca um contexto de estabilidade de preços e de rendas, estima-se ainda que tenha existido um investimento de 2,6 mil milhões de euros em imobiliário comercial, valor que contrasta com os 3,24 mil milhões de euros transacionados nesse segmento no ano anterior, o que corresponde a uma quebra de cerca de 20%.

Já no segmento de escritórios, a consultora mostra como 2020 foi um ano de mudanças, com uma redução da ocupação na ordem dos 35% face a 2019, “devido à suspensão de muitas decisões” de negócio e “à implementação do teletrabalho, que levou a que muitas empresas tenham optado por libertar parte do seu espaço”, refere no comunicado Mariana Rosa, Head of Office/Logistics Agency & Transaction Management da JLL.

Também no que concerne à promoção imobiliária, várias decisões de investimento foram adiadas em 2020, na medida em que a “pandemia veio trazer imprevisibilidade sobre o comportamento dos preços e das rendas, além de uma maior dilatação dos prazos de licenciamento, o que afastou temporariamente alguns investidores do mercado de promoção imobiliária e aumentou a cautela por parte dos que se mantiveram ativos”, nota Gonçalo Santos, Head of Development da JLL. Porém, no último trimestre do ano, começou a registar-se alguma recuperação neste segmento.

Já os setores do retalho e da hotelaria encontram-se, também, entre os mais afetados pela pandemia. No primeiro dos casos, a “restauração foi das áreas mais afetadas“, embora “setores como o de decoração e bricolage, além do desportivo” tenham beneficiado “das tendências que nasceram do confinamento”, refere Patrícia Araújo, Head of Retail da JLL. No caso da hotelaria, registaram-se quedas entre os 60% e os 70%.

O número de hóspedes e dormidas, taxas de ocupação, RevPar e os fluxos nos aeroportos estão fortemente impactados. O impacto faz-se sentir quer no turismo de lazer, quer de negócios, sendo claro que, mesmo num quadro de recuperação, as viagens de lazer serão as mais dinâmicas, uma vez que o turismo de negócios vai ser muito influenciado pelo nível de adoção do teletrabalho por parte das empresas”, diz Karina Simões, Hotel Advisory da JLL em Portugal.

Mas no que toca ao segmento de industrial e de logística, que tem vindo a suscitar cada vez mais interesse nos investidores, o “boom do e-commerce durante a pandemia” levou certas empresas a sentirem a necessidade de encontrarem novas unidades de armazenamento, de forma a conseguirem dar resposta às solicitações de que eram alvo, verificando-se um maior investimento neste âmbito.

Para 2021, devido à existência de uma elevada “liquidez no mercado”, de “investidores tradicionalmente interessados em imobiliário” e de “baixas taxas de juro”, pode esperar-se um crescimento no que toca ao investimento imobiliário. No entanto, o diretor geral da JLL, Pedro Lancastre, alerta para a existência de problemas estruturais que podem ser um entrave para os investidores, sendo assim necessário “resolver os atrasos nos processos de licenciamento e rever a estratégia para os Vistos Gold, que podem voltar a ser um catalisador importante para a retoma económica do país”.

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