Crédito ao consumo trava para 500 milhões com o agudizar da pandemia

Descida no crédito para compra de automóvel explica novo travão na evolução do crédito ao consumo em novembro. Foram concedidos 503 milhões de euros pelos bancos e financeiras.

A concessão de crédito ao consumo travou em novembro pelo segundo mês. Os bancos e as financeiras disponibilizaram 503 milhões de euros em empréstimos aos consumidores, num mês marcado por um aperto das restrições à circulação por causa da pandemia. A evolução negativa do crédito automóvel ajuda a explicar esta descida.

De acordo com os dados divulgados pelo Banco de Portugal, os portugueses procuraram financiamento, junto dos bancos e das financeiras, de perto de 503,1 milhões de euros para fins de consumo. Trata-se de uma descida de 5,9% (ou menos 31,8 milhões) face a outubro, que também já tinha registado um travão.

Novembro foi segundo mês de quebra dos novos montantes de crédito ao consumo, perante novas restrições para controlar a pandemia, numa evolução descendente que surge após a recuperação registada no meses de verão face impacto do primeiro confinamento que se fez sentir na concessão em abril e maio.

Fonte: Banco de Portugal

Naquele mês, os portugueses contrataram cerca de 200 milhões de euros em crédito automóvel, o que corresponde a uma redução de 15,6% (-37 milhões de euros) face ao mês anterior, em que foram concedidos 237,3 milhões de euros.

A redução da concessão foi transversal às diferentes tipologias de financiamento automóvel e atingiu tanto as viaturas novas como as usadas. Para a aquisição de carros usados, os portugueses financiaram-se em 136,5 milhões de euros em novembro, menos 16,6%. Os novos empréstimos para a compra de carros atingiram os 63,8 milhões, menos 13,5%, segundo os dados do supervisor bancário.

Já os outros créditos pessoais — que incluem financiamentos para a aquisição de férias, artigos para o lar e eletrodomésticos, por exemplo — aumentaram e compensaram, ainda que de forma muito ligeira, a descida no crédito automóvel. Os bancos e as financeiras concederam quase 199 milhões de euros com esse fim, tratando-se de uma subida de 1,4% face ao mês anterior.

Também os financiamentos com cartões de crédito subiram. Foram mais 4,8% de novos montantes disponibilizados, atingindo um total de 95,5 milhões de euros, o valor mais elevado desde o início da pandemia.

Por fim, o crédito pessoal com finalidade de educação, saúde, entre outros, registou a quebra mais acentuada, embora seja a finalidade com menos peso no total do crédito ao consumo: caiu 18,6% para 8,4 milhões.

(Notícia atualizada às 11h34)

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