EDP emite 750 milhões em dívida “verde” a 60 anos com juro de 1,95%

Elétrica liderada por Miguel Stilwell d'Andrade esteve no mercado esta segunda-feira. Forte procura fez cair a taxa exigida pelos investidores para 1,95%.

A EDP emitiu 750 milhões de euros em dívida “verde”, numa operação de colocação esta segunda-feira, que vai servir para financiar ou refinanciar projetos green do grupo. O elevado número de ofertas a fazer cair a taxa exigida pelos investidores para baixo da fasquia dos 2% em títulos que têm uma maturidade de 60 anos.

“A EDP fixou hoje [segunda-feira] o preço para uma emissão de instrumentos representativos de dívida subordinada fixed to reset rate no montante total de 750 milhões de euros, com uma opção de reembolso antecipado 5,25 anos após a data de emissão, data de vencimento em agosto de 2081 e uma yield de 1,95% aplicável até à primeira data de reset a ocorrer 5 anos e 6 meses após a emissão”, explica a elétrica liderada por Miguel Stilwell d’Andrade em comunicado ao mercado.

A taxa conseguida nesta operação compara positivamente com as que a EDP tem alcançado noutras emissões comparáveis, a 60 anos. Na primeira vez que a empresa agora liderada por Stilwell foi ao mercado obter financiamento com maturidade em 2081, em 2015, pagou um juro de 5,5%. Em janeiro de 2019, a elétrica viu a taxa cair para 4,5%, mas neste caso colocou mil milhões de euros.

“Com esta operação, a EDP já colocou acima de 5 mil milhões de euros de obrigações verdes no mercado desde a emissão inaugural em outubro de 2018, sempre com uma procura muito acima da oferta disponível, mesmo em contextos de mercado mais voláteis, como foi hoje o caso”, diz o CFO Rui Teixeira, em declarações ao ECO.

A procura superou a oferta em cerca de 3,7 vezes, o que ajudou a pressionar em baixa o juro, segundo dados a que o ECO teve acesso. Do montante total emitido, mais de 80% da emissão foi colocada junto de gestores de ativos. Em termos geográficos, 25% foi captado no Reino Unido e Irlanda, 20% em França e outros 18% na Alemanha e Áustria.

Procura é “sinal claríssimo” de confiança nas renováveis

A resposta dos investidores a esta operação é assim um sinal claríssimo de confiança na solidez da EDP e no nosso plano de crescimento nas energias renováveis. Esta emissão, a quarta que a EDP faz no formato híbrido, permite reforçar a flexibilidade financeira do grupo e o seu formato green confirma o nosso compromisso com o desenvolvimento de projetos sustentáveis”, sublinha o CFO.

A emissão de dívida acontece menos de uma semana depois de os acionistas da elétrica terem aprovado o conselho de administração para o próximo mandato. Nessa altura, o CEO Miguel Stilwell d’Andrade explicou que a empresa está na linha da frente para aproveitar a avalanche de capital disponível para financiar a transição energética. A EDP quer continuar a reforçar a aposta nas renováveis, sendo que os planos para os próximos anos será conhecido dentro de um mês, quando a empresa apresentar um novo plano estratégico.

Os títulos emitidos esta segunda-feira são híbridos, que têm opção de diferimento de juros, que é cash-cumulative e compounding, e estão sujeitos a eventos que despoletam o pagamento obrigatório. O cupão está sujeito a resets em datas pré-definidas e de acordo com mecânicas pré-definidas e melhor descritas nos termos da emissão.

As obrigações — instrumentos representativos de dívida não são garantidos (unsecured) que são sénior apenas relativamente às ações ordinárias da EDP e subordinados às suas obrigações de dívida sénior — vão ser admitidas à negociação na Euronext Dublin. O dinheiro será utilizado para financiar ou refinanciar, no todo ou em parte, o portfólio de projetos green elegíveis do grupo EDP.

O BofA Securities, CaixaBank, Citi, J.P. Morgan, Mediobanca, Millennium BCP, Santander, Société Générale e UniCredit atuaram como joint lead managers e joint bookrunners.

(Notícia atualizada às 19h15 com declarações do CFO Rui Teixeira)

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