Supervisor europeu leva Caixa e BCP aos testes de stress à banca

Reguladores vão colocar os maiores bancos europeus à prova da pandemia. Foram chamados a Caixa e o BCP de Portugal. Resultados dos testes de stress serão conhecidos até julho.

Caixa Geral de Depósitos (CGD) e BCP foram incluídos na amostra de bancos para a realização de testes de stress que vão ser conduzidos pela Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla em inglês) no decurso deste ano, anunciou o regulador europeu esta sexta-feira. O exame à banca europeia irá permitir avaliar o impacto da pandemia de Covid-19 na resiliência do sistema.

Os dois bancos nacionais fazem parte de uma lista de 50 grandes instituições financeiras da União Europeia que vão ser submetidas a testes de esforço num cenário macroeconómico adverso. Esta amostra de meia centena de bancos cobre cerca de 70% do total de ativos dos bancos na região comunitária.

“Depois de adiado o exercício de 2020, devido à pandemia de Covid-19, os testes de stress desde ano irão fornecer um input valioso sobre a resiliência do setor bancário europeu”, anunciou esta sexta-feira a EBA.

“Assim, o cenário adverso é baseado numa narrativa de um cenário Covid-19 prolongado e num ambiente de taxas de juros ‘mais baixas por mais tempo’, em que choques de confiança negativos prolongariam a contração económica”, acrescenta o regulador. Os resultados dos testes de stress serão conhecidos até 31 de julho.

O BCP não integrava a lista original da EBA, mas foi adicionado, juntamente com outros dois bancos, o espanhol Bankinter e o italiano Mediobanca, devido à exclusão do BFA Tenedora De Acciones e do CaixaBank (dono do BPI), por motivos de fusão.

Este exercício irá avaliar o impacto de um cenário macroeconómico adverso na solvência dos bancos. Os testes permitirão aos supervisores avaliar se as almofadas de capital dos bancos, que foram acumulando nos últimos anos, são suficientes para cobrir perdas e apoiar a economia em tempos de stress.

Será tido em conta a crise pandémica nestes testes. Será assumido que em 2023, a nível da União Europeia, o PIB real diminuiria 3,6% cumulativamente, a taxa de desemprego aumentaria 4,7 pontos percentuais, os preços das casas diminuiriam 16,1% e os preços dos imóveis comerciais diminuiriam 31,2%. Por outro lado, os preços das ações nos mercados financeiros globais afundariam 50% nas economias avançadas e 65% nas economias emergentes no primeiro ano.

“O cenário adverso de 2021 é muito grave, tendo em vista o ponto de partida macroeconómico mais fraco em 2020 como resultado da severa recessão induzida pela pandemia”, sinaliza a EBA.

Do total de 50 bancos, 38 (incluindo os dois portugueses) estão sob supervisão do Banco Central Europeu, que será responsável pelos testes.

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