Quase metade dos profissionais em Portugal considera que os seus planos de carreira foram afetados pela pandemia

Para 32% dos inquiridos, o impacto da Covid-19 ao nível profissional foi negativo, enquanto apenas para 15% dos profissionais em território mostrou-se positivo, revela a Robert Walters.

A Covid-19 teve um impacto direto nos planos de carreira de quase metade dos profissionais em Portugal, com 47% a afirmar que os seus planos foram afetados pela pandemia mundial, revela a consultora de recrutamento especializado Robert Walters, em comunicado. Para 32% dos inquiridos, o impacto foi negativo, enquanto apenas para 15% dos profissionais em território nacional a pandemia influenciou positivamente as suas carreiras.

Por outro lado, de acordo com o “Salary Survey 2021”, 42% dos inquiridos não estão certos relativamente ao impacto da Covid-19 a nível profissional, enquanto só 11% refere que a pandemia não teve qualquer a consequência nos seus planos de carreira.

“Para se adaptar ou superar este impacto, 40% dos profissionais considera melhorar as suas qualificações e habilidades na sua área atual através de formações ou cursos académicos, 35% considera aprender novas habilidades, 27% está aberto a entrar num novo setor que complemente as suas habilidades transferíveis e 13% considera abrir o seu próprio negócio”, pode ler-se no comunicado. Já cerca de 10% dos profissionais inquiridos está mesmo a pensar mudar de cidade ou até de país.

Embora quase metade dos profissionais (45%) considere que a pandemia não lhes proporcionou nenhum “tipo de oportunidade ou benefício profissional”, 24% considera que ter melhorado a comunicação em chamadas, videoconferências e apresentações, 17% realizou formação em novas áreas, 15% encontrou projetos mais desafiantes, 9% consegui trabalho num setor equivalente ao seu, 5% teve uma nova oportunidade num setor diferente e, finalmente, 4% diz ter melhorado as suas habilidades ao nível comercial.

42% dos profissionais desempregados atribui causa do despedimento a efeitos da Covid-19

Já no que toca à situação profissional, 14% dos inquiridos encontrava-se desempregado no momento do inquérito da consultora, dos quais, quando questionados sobre a causa do seu desemprego, 42% afirma dever-se à pandemia (reestruturações, fecho ou interrupção de negócio da empresa), 32% considera que o seu contrato foi terminado por alguns dos motivos anteriores ou por razões não relacionadas com a Covid-19 e 6% justifica que a automação, a tecnologia ou os novos sistemas no escritório substituíram a sua função.

No entanto, muitos dos profissionais atualmente empregados já se encontram à procura de um novo desafio, sendo que quase 70% está confiante relativamente a novas oportunidades de trabalho no seu setor. “35% dos profissionais a trabalhar atualmente já se encontra em busca de uma nova oportunidade de trabalho. Por outro lado, 17% irá começar a procurar uma nova oportunidade nos próximos meses, e apenas 20% dos profissionais inquiridos não deseja realizar uma mudança de emprego. Destes últimos, 47% está feliz no seu posto atual e 53% entrou na atual empresa recentemente”, revela a empresa em comunicado.

3 em cada 10 profissionais esperam aumento salarial

Apesar de esperançosos quanto a novas oportunidades no mercado de trabalho, só três em cada dez profissionais esperam receber um aumento salarial durante 2021. Já quem considera pouco provável “engordar” o salário justifica a descrença com o facto de a empresa ter procedido recentemente a despedimentos ou com o forte impacto que a pandemia provocou no negócio.

Por outro lado, a Robert Walters inquiriu, também, os responsáveis de seleção sobre as dificuldades ao nível da contratação. Para 62% dos inquiridos, o principal desafio é “o facto de os candidatos terem expectativas salariais e de benefícios demasiado elevadas”, seguindo-se a falta de experiência no setor (52%) e a falta de soft skills essenciais (51%). Embora em menor escala, também a falta de qualificações técnicas e a elevada competição dificultam a seleção.

No que toca a soft skills, de acordo com a empresa com sede em Madrid, a trabalho em equipa em equipa, resolução de problemas, pensamento crítico e habilidades de comunicação são, por ordem decrescente, as competências mais procuradas pelas empresas este ano.

Trazer de 2020 para 2021: horário flexível, teletrabalho e iniciativas de bem-estar

No ano passado, muitos profissionais experimentaram novas formas, ritmos e dinâmicas de trabalho e, muitas delas, revelaram-se do seu agrado. A possibilidade de ter um horário flexível, de trabalhar a partir de casa e as várias iniciativas de bem-estar implementadas pelas empresas são as principais ações que os inquiridos em território nacional esperam manter no futuro.

Já do lado das organizações, as principais medidas que as empresas inquiridas pensam manter em este ano, em resposta à Covid-19, prendem-se com o maior investimento em tecnologias, aplicações e ferramentas, a melhoria de políticas de saúde mental e bem-estar, a maior oferta ao nível de formação, a reconfiguração dos espaços do escritório e, ainda, a limitação ou pausa no que diz respeito à contratação de pessoal.

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