Em confinamento? Saiba como melhorar a sua carreira sem sair do sofá

Se já pensou em dar um novo rumo à sua situação profissional, aproveite os dias de confinamento para rever o CV, reforçar a rede de contactos, apostar na formação e cuidar da saúde física e mental.

Quem decide que quer mudar de carreira, pergunta-me muitas vezes: como é que eu decido? Quais é que são os primeiros passos?“, começa por contar à Pessoas Carolina Almeida Leite, associate manager de tax & legal da Michael Page. Se está a pensar em mudar ou em melhorar a sua carreira — mas acha que o confinamento está a dificultar esse objetivo — o primeiro passo deve passar por uma avaliação da sua situação atual, dos seus objetivos e expectativas e, só depois, deve começar a elaborar um plano de ação.

Rever o CV, produzir conteúdo nas redes como o LinkedIn, avaliar quais as suas competências atuais e apostar na saúde física e mental são algumas das estratégias para iniciar um processo de mudança, e o período de confinamento obrigatório, ao fim de semana, podem bem ser uma boa oportunidade.

Esteja atento aos “sinais”

A pandemia trouxe desafios acrescidos, entre eles, o cansaço decorrente do teletrabalho e uma maior preocupação com a saúde mental no local de trabalho. Se está a pensar fazer alterações na sua vida, é essencial começar por avaliar fatores como o stress, cansaço e os seus sentimentos em relação à sua situação profissional atual, alerta a escola de tecnologia Ironhack, que refere que há cinco sinais que revelam que está na altura de mudar a sua carreira: stress, irritabilidade e cansaço constante, sensação de que “o tempo não passa”, não falar de trabalho com amigos ou familiares, falta de identificação com o propósito da organização e, ainda, escassez de oportunidades no setor em que se encontra.

Ajuste expectativas, preveja riscos e consequências e prepare-se psicologicamente para eventuais mudanças. “Devemos fazer uma boa autoavaliação das nossas soft skills e hard skills de uma forma realista, apesar dos aparentes gostos. Se calhar, até tenho um certo gosto por uma profissão mais criativa, mas talvez tenha um perfil mais analítico. Se temos um perfil mais de front-office, de back-office, etc.”, acrescenta Carolina Leite, da Michael Page.

“Estou feliz com a minha realidade atual? Se não estou, o que me incomoda? Se estou, quero manter-me nesse estágio ou tenho habilidades para crescer dentro do meu ambiente?”, exemplifica Kauê Camargo, country manager Brasil da Rede Dinâmica XXI, uma organização de apoio ao empreendedorismo e inovação em Portugal.

Caso ainda não seja óbvio por que se deve construir o plano de carreira, então tenha em consideração que o mercado procura cada vez mais profissionais capazes de resolver problemas e seguros quanto ao que pretendem fazer com a sua carreira, pelo menos a curto prazo.

Carolina Rodrigues

Consultora de seleção e recrutamento da área de IT na Multipessoal

“Quando encontrarmos as respostas a essas perguntas, temos de trabalhar e usar a internet a nosso favor, procurando conteúdos e conexões que possam ajudar-nos a trilhar o caminho que escolhemos. Precisamos de ter coragem para sair da nossa zona de conforto e para abordarmos pessoas que aparecem no nosso caminho“, sublinha o responsável.

Construir um plano de carreira pode ser o primeiro passo.

Construa o seu “plano de carreira”

“O plano de ação integra ações de curto ou longo prazo que definem como será a progressão no percurso de carreira, devendo estas ser específicas, mensuráveis, realistas, relevantes e enquadradas num espaço temporal. Por exemplo, se o objetivo for encontrar um novo emprego, um dos objetivos a definir será quantas candidaturas deverá fazer por semana, e os meios para o fazer”, explica à Pessoas Carolina Rodrigues, consultora de seleção e recrutamento da área de IT na Multipessoal.

O planeamento de carreira assenta em três fases: definição de metas e objetivos profissionais, autoavaliação das competências e características individuais e elaboração de um plano de ação.

Em que empresa, setor de atuação ou país quero estar? Qual o cargo que quero ocupar? Que competências me faltam desenvolver? Que recursos me faltam adquirir?”, são algumas das questões do primeiro passo da construção do plano de carreira. “Com base nas respostas a estas interrogações, é possível delinear metas e objetivos, como por exemplo: mudança de emprego, mudança de setor de atuação, promoção na empresa, aumento salarial, trabalhar fora do país, entre outros”, detalha Carolina Rodrigues, da Multipessoal.

Com a resposta a estas interrogações, pode começar a construir os seus objetivos, que podem passar por “mudança de emprego, mudança de setor de atuação, promoção na empresa, aumento salarial, trabalhar fora do país, entre outros“, sublinha.

Já há ferramentas que podem ajudar, como a *NET Interest Profiler, onde, através de um inquérito, pode descobrir quais as áreas de trabalho mais adequadas aos seus gostos e competências.

“O plano de ação integra ações de curto ou longo prazo que definem como será a progressão no percurso de carreira, devendo estas ser específicas, mensuráveis, realistas, relevantes e enquadradas num espaço temporal. Por exemplo, se o objetivo for encontrar um novo emprego, uma das tarefas a definir será quantas candidaturas deverá fazer por semana, e os meios para o fazer”, explica Carolina Rodrigues. “Caso ainda não seja óbvio por que se deve construir o plano de carreira, então tenha em consideração que o mercado procura cada vez mais profissionais capazes de resolver problemas e seguros quanto ao que pretendem fazer com a sua carreira, pelo menos a curto prazo”, alerta a especialista.

Melhore a sua “imagem” e reforce a rede de contactos

É uma boa oportunidade para as pessoas olharem para o seu LinkedIn com um espírito crítico e tornarem-no mais profissional, mais apetecível à curiosidade de terceiros”, sublinha Ricardo Carneiro, diretor de recrutamento da Multipessoal. Dentro da sua especialização, pode aproveitar para produzir conteúdo, seja através de um artigo de opinião ou da partilha de dados sobre o setor em que trabalha no LinkedIn, lembra o responsável.

“Está provado que, quanto mais ativas as pessoas forem na perspetiva de terem conteúdos originais, maior visibilidade ganham”, destaca. “Por outro lado, se estiver ativamente à procura de emprego, deve atualizar o currículo, tornando-o simples, conciso e profissional”, lembra Ricardo Carneiro. Posteriormente, foque-se no plano de ação, mas antes defina bem quais são as suas competências, em que setor gostaria de trabalhar, qual o networking que tem para chegar a estas empresas.

A Robert Walters lembra ainda que, além de produzir, pode explorar artigos já existentes sobre aconselhamento de carreira, de fontes governamentais a revistas de negócios, como a Fast Company, Business Insider, Inc. e Harvard Business Review.

Aposte na formação

Se já fez uma avaliação e identificou quais a competências que pode reforçar, as formações online podem ser uma boa estratégia para colmatar essa falha e aumentar as possibilidades de implementar uma mudança na sua carreira profissional. Para facilitar, combine fontes visuais e áudio, como por exemplo webinars, sessões ao vivo no Facebook ou LinkedIn com formadores de carreira, participe em conversas e faça networking com outros profissionais em grupos online, pesquise tópicos relevantes de carreira no YouTube ou oiça os seus podcasts favoritos ou TED talks.

“Por outro lado, se estiver em busca de uma certificação profissional mais completa para impulsionar a sua carreira, pode optar por inscrever-se em cursos pagos. Verifique com o seu manager se sua empresa tem um orçamento de formação que possa utilizar – seja ao fim de semana ou em horário pós-laboral”, refere a Robert Walters, em comunicado.

Aulas de e-learning para desenvolvimento profissional, cursos online abertos em plataformas como a Massive Open Online Courses (MOOCs), Coursera, edX e Future Learn, ou módulos gratuitos nas universidades de Harvard, Stanford e Yale são algumas das opções. Por outro lado, se procura aprendizagem direcionada ou específica de uma plataforma, experimente o Microsoft Learn, Facebook Blueprint, LinkedIn Learning ou o Google Digital Garage, que agregam uma série de cursos internos e externos.

“Explorem o LinkedIn e o YouTube atrás dos melhores conteúdos e pessoas, mas sempre com atenção e o sentido crítico ativo, pois na mesma intensidade de informações valiosas que podemos encontrar, é muito fácil perder o foco e consumirmos conteúdos falsos e oportunistas”, alerta Kauê Camargo.

Renegociar salários? Avalie o mercado e o setor

“Também é uma boa altura para ter algum sentido estratégico e para tentar perceber quais são os setores do futuro, quais são as áreas onde, com as minhas competências, poderei ‘piscar o olho’ em termos de mercado de trabalho”, metaforiza Ricardo Carneiro, da Multipessoal. Avalie se está num setor mais tradicional e mais exposto à crise causada pela pandemia da Covid-19, pois poderá ajudá-lo a entender a estabilidade do seu posto de trabalho ou avaliar se será a melhor altura para renegociar salários.

“Antes de pedirmos um aumento devemos sempre pensar em que está a nossa empresa, porque se trabalhar num restaurante como manager, não é a melhor altura para pedir um aumento. Caso estejamos num setor que está a florescer com a crise e onde achamos que podemos aproveitar para renegociar o nosso salário, é sempre importante ter uma conversa estruturada, analítica e com casos concretos”, aconselha Carolina Leite, da Michael Page. Defina também um timing e faça uma autoavaliação da sua função no mercado e no setor, assim como da própria empresa. Para conseguir saber qual o seu valor, poderá contactar com profissionais de empresas e áreas concorrentes, sem nunca esquecer a realidade geográfica e económica do país e do setor, acrescenta a responsável.

 

Para o caso de já estar a caminho de um novo emprego, tente deixar uma boa impressão. “É importante ter sempre a preocupação de sairmos de onde estamos bem vistos, deixar o nosso trabalho bem fechado. Não nos preocuparmos só com o tempo que temos de dar em termos legais”, acrescenta.

Mente sã em corpo são

Não menos importante é cuidar da saúde física e mental, pois a saúde poderá ter impacto direto na vida profissional.

“Melhorar as suas qualificações não tem de ser apenas para o seu crescimento profissional. Vale a pena dedicar tempo a melhorar sua própria saúde física, emocional e mental, especialmente durante esta segunda vaga de confinamento devido ao Covid-19. Além da sua rotina habitual do dia-a-dia e ao fim de semana, porque não aproveitar a oportunidade de realizar atividades que sempre quis experimentar? Concentre-se em exercícios regulares, seja ioga em casa ou uma breve corrida matinal ao ar livre. Procure alimentar-se de forma saudável e consistente, realizando pausas longe do computador e do trabalho durante a semana”, alerta a Robert Walters.

Nos dias de semana, mantenha o horário de trabalho habitual e evite trabalhar fora de horas. Comunique frequentemente com os seus colegas de trabalho, amigos e família e aproveite para explorar conteúdos relacionados com os seus hóbis ou gostos pessoais, através de conteúdos em podcasts, aplicações ou na internet.

“Precisamos de separar os espaços físicos e as atividades diárias para não cairmos na armadilha de ocuparmos todo o nosso tempo com atividades profissionais, e deixarmos nossa vida pessoal em segundo plano. Se este já for o cenário, sugiro criar uma rotina de meditação, atividade física e leitura de livros, para ocuparmos (e desocuparmos) nossa cabeça com novos hábitos e exercícios, para equilibrarmos o lado pessoal”, sublinha Kauê Camargo, country manager da Rede Dinâmica XXI.

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