Comunicação e cooperação aumentam motivação no trabalho, revela estudo

A boa comunicação é um dos fatores de motivação no trabalho que não escolhem gerações. Mas há diferenças. Os "baby boomers" privilegiam o escritório e os mais jovens procuram mais desafios, revela EY.

Conhecer as motivações dos trabalhadores pode ajudar a atrair e a reter talento. O bom ambiente de trabalho, uma boa relação com as chefias e a colaboração entre colegas, são fatores de motivação transversais a todas as gerações. Mas há diferenças. A geração dos babyboomers, nascida no início dos anos 40 e que é hoje a mais velha no mercado de trabalho, foi a que sentiu mais impacto com os desafios trazidos pela pandemia: é a que mais privilegia o espaço de trabalho físico e a que agora procura mais equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Por outro lado, a geração mais nova –Geração Z — quer mais oportunidades de crescimento profissional, sendo também a menos propensa a mudar de emprego.

São algumas das conclusões do estudo “Motivação de Geração em Geração”, realizado pela consultora EY com respostas de 1.300 trabalhadores de diferentes faixas etárias em Portugal, antes e durante a pandemia da Covid-19. O inquérito teve por base seis fatores que podem contribuir para a motivação: a empresa; desenvolvimento e carreira; remuneração e benefícios; ambiente de trabalho; comunicação; e natureza das tarefas realizadas.

Baby boomers sentiram maior impacto e antecipam saídas

Entre as quatro gerações no mercado de trabalho – baby boomers, Geração X, millennials e Geração Z –, são os primeiros, nascidos entre 1946 e 1960, que dizem ter sentido um maior impacto pelos desafios impostos pela pandemia. Os baby boomers passaram a valorizar mais a autonomia na função desempenhada e a desejar ter mais informação sobre as estratégias da empresa.

De acordo com a EY, se antes estes trabalhadores atribuíam pouca importância ao espaço físico de trabalho, são agora a geração que mais o privilegia. Devido à pandemia, o equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal também se tornou mais importante para os baby boomers.

“O clima de incerteza sobre o futuro da economia e do mercado de trabalho originou um recuo das gerações mais jovens, em particular da Geração Z, que é, agora, aquela que menos poderá abraçar um novo desafio profissional nos tempos mais próximos”, aponta Anabela Silva, partner e responsável pela área de people advisory services da EY, citada em comunicado.

Antes da pandemia, eram as gerações mais jovens quem mais ponderava sair da empresa durante o próximo ano, refere a EY. O novo estudo revela que os baby boomers são quem mais equaciona essa possibilidade.

Bom ambiente e relações saudáveis no trabalho aumentam motivação

Apesar das diferenças, as quatro gerações têm características em comum: consideram que um bom ambiente de trabalho, a boa relação com as chefias e a colaboração entre colegas pode contribuir para a sua motivação no local de trabalho. Também o desenvolvimento profissional, através da formação e desafios constantes, é valorizado por todas as gerações.

Antes da pandemia, mais de metade dos millennials (nascidos entre 1980 e 1995) e da Geração Z (nascidos a partir 1996) consideravam importante a proximidade entre o local de residência e o local de trabalho. No estudo realizado depois da pandemia, apenas um terço dá importância a esta proximidade. No inquérito, a maioria dos trabalhadores desta geração diz sentir-se pouco desafiado profissionalmente.

Os baby boomers destacam ainda o reconhecimento do seu trabalho e são dos que mais privilegiam a autonomia. O impacto da pandemia nesta geração reflete-se ainda na importância atribuída ao espaço físico de trabalho: antes, era a geração que menos importância atribuía ao espaço físico de trabalho, que agora considera ser da máxima importância.

Para a Geração X (nascidos entre 1961 e 1979), a remuneração é um fator determinante para a escolha de novos projetos profissionais e o reconhecimento profissional é um fator de motivação. Por último, a Geração Z — a mais nova no mercado de trabalho –, valoriza as perspetivas de evolução na carreira. Ao contrário das restantes, dão menos importância à autonomia e estão à procura de novos projetos profissionais.

Empresas podem contribuir para a motivação

Devido à pandemia, todas as gerações atribuem mais importância à inovação tecnológica da empresa, mas são as gerações seniores aquelas que mais dão valor à inovação tecnológica nas empresas. Da mesma forma, não são as gerações mais jovens que valorizam o papel social e ambiental das empresas, mas sim as mais experientes, revela o estudo.

“É assim essencial que as organizações criem um projeto integrado de gestão do talento assente na gestão da performance, desenvolvimento e carreiras, para conseguir cumprir as expectativas de todas as gerações e reconhecer o mérito e o talento”, alerta a EY.

Tendo em conta os resultados do estudo, a consultora acredita que a aposta no employer branding, no desenvolvimento e aposta na formação, a promoção de um bom ambiente de trabalho, a boa comunicação e a atenção à remuneração e aos benefíciosque, de acordo com o estudo, é fator de insatisfação transversal a todas as gerações –, pode ajudar a ter trabalhadores mais motivados.

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