Acionista da Groundforce acusa Pedro Nuno Santos de “roubo” e de querer nacionalizar a empresa

Alfredo Casimiro crítica o ministro Pedro Nuno Santos, acusando-o de "chantagem" e de "roubo". Culpa-o ainda pelos salários em atraso de 2.400 trabalhadores.

O maior acionista da Groundforce, Alfredo Casimiro, acusa o ministro das Infraestruturas Pedro Nuno Santos de “roubo” e de querer uma nacionalização. A empresa de handling — que é detida em 50,1% pela Parsogal e em 49,9% pela TAP — estava a negociar com o Governo o desbloqueio de verbas que serviriam para pagar salários em atraso de 2.400 trabalhadores. Mas as duas partes não chegaram a acordo sobre as condições.

“É o que quer o Senhor Ministro Pedro Nuno Santos: nacionalizar a Groundforce e entregá-la daqui a uns tempos a outro privado. Estão a aproveitar-se da pandemia para fazer um roubo“, acusa Casimiro, num comunicado divulgado esta quinta-feira.

Em julho, a empresa pediu uma garantia pública para um empréstimo de 30 milhões de euros e, simultaneamente, o adiantamento do pagamento das faturas emitidas à TAP por serviços prestados. Deste último foram pagos 13 milhões de euros, mas seis milhões já venceram. Ou seja, a dívida atual é de sete milhões e pode aumentar para os dez. Só para pagar os salários são precisos três milhões. Valor que o empresário considera “uma gota de água quando comparados com as centenas de milhões que o Estado injetou e injetará na TAP”.

Perante o atraso nos salários de fevereiro, o também presidente do Conselho de Administração estava a negociar com o Ministério das Infraestruturas e da Habitação um novo adiantamento do pagamento de serviços, sendo que lhe tinha sido pedido que fosse dada a participação de 50,1% como garantia. Após ter recursado numa primeira fase, Casimiro acabou por aceitar, mas pediu que essa penhora ficasse em vigor apenas até ser conseguido um empréstimo bancário com garantia pública. Esta foi a proposta enviada na quarta-feira, mas o empresário alega que “o Senhor Ministro ignorou e voltou a apresentar a sua primeira proposta, mas agora ainda mais agressiva”.

O acionista privado responsabiliza assim Pedro Nuno Santos por não conseguir regularizar a situação junto dos trabalhadores, sublinhando quem decide quando será dado o aval por parte do Estado é o próprio Governo. “O Senhor Ministro propõe que eu possa perder as minhas ações na Groundforce se o Estado se atrasar na concessão do aval. Isto é inadmissível: quem tem a caneta é ele e quem decide senta-se com ele no Conselho de Ministros. Não sou eu, porque se fosse não estávamos à espera há sete meses” escreve, na nota.

“Cedi tudo com o único objetivo de pagar os salários dos 2.400 trabalhadores da Groundforce. O Senhor Ministro sabe que a proposta que fez não pode ser aceite numa negociação de boa-fé. Ao contrário do que nos prometeu em julho, o Senhor Ministro não nos apoiou e é agora o único responsável pela falta de pagamento dos salários dos trabalhadores“, refere, apelando, por fim, ao primeiro-ministro e ao Presidente da República “que impeçam este ataque à dignidade dos trabalhadores”.

(Notícia atualizada pela última vez às 20h18)

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