5G já rende mais 100 milhões que o pedido pela Anacom

O 5G português vai custar às operadoras de telecomunicações, pelo menos, mais 100 milhões de euros do que o preço de reserva do leilão. Operação dura há 39 dias, sem sinal de acabar.

João Cadete de Matos, presidente da Anacom.MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

As licenças de 5G continuam a encarecer no leilão da Anacom. Ao fim de 39 dias de licitações na fase principal do processo, o preço a pagar pelas operadoras está já 100 milhões de euros acima do valor base das frequências definido inicialmente pelo regulador.

Quando o procedimento arrancou no final do ano passado, o valor de reserva das licenças à venda nas duas fases do leilão era de 237,9 milhões de euros. Contudo, ao final da tarde de terça-feira, o valor global ia já nos 339 milhões de euros, com as empresas de telecomunicações a continuarem a disputar vários lotes na faixa dos 3,6 GHz, uma das mais importantes para o 5G.

Contabilizando apenas a fase principal do leilão — a que está atualmente em curso –, o investimento em 5G pelas operadoras é já de 254,732 milhões de euros, montante que deverá continuar a subir. Os 54 lotes à venda tinham um preço de reserva de 195,9 milhões.

Não se sabe quando o processo vai terminar, pois o leilão continuará enquanto o preço estiver a subir. Mas, para já, uma coisa é certa: o procedimento, que chegou a ver-se envolvido em polémica (as operadoras não concordam com as regras e tentaram travá-lo na justiça), está a superar mesmo as expectativas da própria Anacom.

A 15 de dezembro, no Parlamento, o presidente do regulador afirmava esperar que a venda estivesse concluída em janeiro e que a atribuição das licenças fosse feita até ao final de março.

“Contamos que, durante o mês de janeiro, dependendo do número de rondas, [seja possível] ter o leilão concluído e, a partir daí, fazer todos os procedimentos de atribuição dos direitos e, durante o primeiro trimestre, as empresas vencedoras tenham as licenças atribuídas e estejam em condições de desenvolver os seus negócios com base nessas licenças”, disse João Cadete de Matos.

É público que Meo, Nos e Vodafone estão a disputar frequências no leilão principal (não o fazer seria recusar a uma quota de mercado minimamente relevante no futuro) e que a Dense Air, uma operadora grossista que já tem licenças de 5G (longa história) também se inscreveu para participar no procedimento.

Além dos 255 milhões que operadoras como Meo, Nos e Vodafone deverão ter de pagar pelas licenças de 5G, houve ainda uma fase do leilão exclusiva para “novos entrantes” (empresas de fora do setor que queiram aproveitar a oportunidade para se lançarem no mercado português). Os quatro lotes de frequências à venda foram arrebatados por 84,351 milhões de euros, o dobro dos 42 milhões definidos como preço de reserva.

Também não se conhece a identidade das empresas a licitarem as frequências. No caso dos “novos entrantes”, o grupo Másmóvil, dono da Nowo, revelou à imprensa espanhola ter adquirido frequências no leilão português para “novos entrantes” e disse querer construir uma rede 4G em Portugal. Mas nada impede a empresa de participar no leilão principal.

No mercado há ainda rumores de um outro “novo entrante” no setor das telecomunicações português, que poderá ser o grupo romeno Digi Communications. Mas a informação não está confirmada.

Na apresentação de resultados anuais da empresa, o ECO perguntou diretamente ao presidente executivo, Zoltán Teszári, se a empresa adquiriu ou planeia adquirir espetro em Portugal. O gestor esquivou-se à questão, respondendo que a Digi está constantemente “em busca de oportunidades nos mercados em que opera, mas também em novos mercados”.

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