Quer testar os seus trabalhadores à Covid-19? Estas empresas fazem rastreios em massa

Mesmo que o teletrabalho tenha vindo para ficar, o trabalho presencial vai continuar. Para garantir a segurança sanitária, há muitas empresas que oferecem serviços de testagem em massa.

Com o desconfinamento a ser muito lento, o teletrabalho, em situações que assim o permitem, vai manter-se. Para as empresas que precisam de trabalhadores presenciais, as condições de segurança sanitária configuram-se, neste momento, como uma das principais preocupações.

Assim, a realização de rastreios à Covid-19 aos trabalhadores apresenta-se de enorme importância — de forma a perceber se estão infetados ou se, por outro lado, já contactaram anteriormente com o vírus. No primeiro caso, de forma a perceber se um indivíduo está doente no preciso momento da testagem, recorre-se a uma de duas ferramentas: os testes PCR ou os testes rápidos de antigénio. Por outro lado, para se averiguar se alguém já é imune ao novo coronavírus, utilizam-se os chamados testes serológicos.

Várias iniciativas têm surgido, nos últimos meses, com o intuito de oferecer a estas empresas a possibilidade de fazerem uma testagem em bloco dos seus trabalhadores. O ECO reuniu, assim, as entidades que podem realizar, em Portugal, este tipo de rastreios.

Biosurfit

A Biosurfit, empresa que opera na área dos dispositivos médicos e de diagnóstico, sentiu a necessidade de se “reinventar” neste tempo de pandemia. Assim, a organização começou por, em parceria com a Cruz Vermelha Portuguesa, dar início à realização de testes individuais de despiste à Covid-19, revela ao ECO, Rosa Santos, CEO da Biosurfit.

O projeto foi evoluindo até passar a ser aplicado em contexto empresarial. Neste momento, os serviços da Biosurfit são requeridos em duas situações bem distintas. “Temos empresas que nos contactam quando já têm um caso positivo ou um surto e querem, portanto, testar toda a sua população (…), e temos outras que são proativas e que têm uma testagem semanal, quinzenal ou mensal“, conta Rosa Santos.

Apesar de contarem com “seis postos móveis” espalhados pelo país, o procedimento mais comum passa pelo envio, por parte da Biosurfit, de uma equipa de testagem à empresa em causa, de modo a que esta não precise de “parar a sua atividade” – algo que tem já acontecido de norte a sul de Portugal.

Disponibilizando a possibilidade de realização de testes serológicos, de testes rápidos de antigénio e de testes PCR, a Biosurfit conta, principalmente, com a sua força de trabalho interna, que faz “cerca de 80% do serviço”. Porém, “quando, num mesmo dia, existem dois ou três clientes”, estando “os profissionais” da empresa “todos alocados”, existe a necessidade de recorrer a profissionais de saúde de entidades parceiras, refere a CEO.

MedicisForma

A MedicisForma, que opera no âmbito da Saúde e Segurança em contexto laboral, é uma das empresas que se propôs a ajudar no rastreio da Covid-19. Segundo a informação disponibilizada no seu site, a MedicisForma oferece-se para realizar a testagem em contexto empresarial, através de testes rápidos de antigénio ou de testes rápidos que permitem detetar se o indivíduo já adquiriu anticorpos contra a doença, através de uma análise ao sangue.

Disponível para organizações que pretenderem realizar um “número superior a 10 testes”, a MedicisForma propõe-se a realizar estes testes nas próprias instalações do cliente, com os resultados a serem entregues, de acordo com a informação disponibilizada, em cerca de 15 minutos.

Fight Covid

Desenvolvido em parceria entre a empresa SGS Portugal e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o projeto Fight Covid tem como sua principal finalidade a “alocação e disponibilização de unidades de resposta rápida” destinadas à “realização de testes Covid-19 a particulares, empresas e outras entidades”, pode ler-se no site da iniciativa.

Dando às empresas a possibilidade de pedirem, por via de agendamento, a realização de cada uma das três tipologias de testagem mais conhecidas – testes PCR, testes de antigénio ou testes serológicos – os resultados destes rastreios são, após a colheita, analisados pelo Centro de Testes de Ciências (CTC) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Proteção Covid-19

Uma outra iniciativa desta natureza é a Proteção Covid-19. Apesar de, tal como conta ao ECO Mário Pinheiro, o responsável pelo projeto, este ter tido como primeira função, desde maio do ano passado, a “comercialização de testes” serológicos e de testes rápidos de antigénio, mais recentemente foi sentida a necessidade de se expandir os serviços disponibilizados.

Sabendo que os testes rápidos de antigénio “correm o risco de, caso não sejam bem executados, gerarem falsos positivos”, Mário Pinheiro optou por estabelecer, a partir de meados de janeiro, “parcerias com vários enfermeiros e enfermeiras capacitadas para a realização do teste”, os quais se deslocam até às empresas, acompanhados de “todos os instrumentos e dos equipamentos de proteção individual” necessários para realizar a testagem.

Neste momento, o projeto disponibiliza dois tipos de rastreio: com testes rápidos serológicos, através do sangue, e de testes rápidos de antigénio, com recurso a zaragatoa. Porém, Mário Pinheiro revela que, “na próxima semana”, o projeto espera receber uma encomenda de um outro tipo de teste rápido de antigénio, menos invasivo.

Este meio de testagem, “já certificado pela CEE e registado pelo Infarmed”, dá a possibilidade das “pessoas se testarem a elas próprias”, na medida em que a zaragatoa utilizada para o efeito apenas necessita de ser inserida “cerca de três centímetros dentro da narina” do indivíduo.

Segundo Mário Ferreira, é entre as “empresas que não têm condições para estar em teletrabalho” que se regista uma maior procura deste serviço de testagem em contexto laboral, destacando-se nomeadamente as áreas da “contabilidade, advocacia e construção civil”. As escolas privadas, “que à partida terão de começar a testar de forma independente”, também deverão começar a aderir a este tipo de serviços.

Unilabs

O Programa Unilabs Protect destina-se também a todas as organizações que pretendem testar os seus colaboradores, mediante marcação prévia e nas unidades de testagem próprias da Unilabs, empresa de Diagnóstico Clínico. De acordo com a informação disponibilizada no site da empresa, existem unidades de testagem nas principais capitais de distrito do país, com grande parte delas a funcionar em modelo Drive Thru.

Por via dos testes PCR, com recurso a zaragatoa, a Unilabs propõe-se assim a ajudar as empresas a “identificar portadores do vírus”, comprometendo-se a enviar os resultados dos testes “para o cliente num prazo de 24 horas”, por e-mail ou por mensagem telefónica (SMS). Além do mais, após a testagem, os trabalhadores da empresa não têm de realizar qualquer tipo de pagamento, sendo esse “feito posteriormente pela empresa”, adianta a Unilabs no seu site.

covidtesterapido.pt

A plataforma covidtesterapido.pt, que permite ajudar indivíduos a saberem onde podem ser testados e o preço associado a esse procedimento, oferece também algumas soluções para empresas. Como conta ao ECO João Monteiro, o criador da página, esta plataforma propõe-se fazer a ponte entre as empresas que pretendem ver os seus trabalhadores testados e os prestadores de serviços de testagem.

Assim, contando neste momento com “cerca de 80 parceiros” de norte a sul do país, que “mobilizam equipas” para irem “às empresas fazer essa testagem”, a plataforma covidtesterapido.pt coloca o foco no rastreio através de testes rápidos de antigénio, por serem aqueles que dão às empresas a possibilidade de “detetarem o mais rapidamente possível possíveis surtos e de controlá-los no momento”.

De acordo com João Monteiro, todos os prestadores de serviço responsáveis pela testagem através desta plataforma são “certificados pela entidade reguladora de saúde e pelo Infarmed”, sendo os testes realizados por profissionais de saúde, de forma a garantir uma “rastreabilidade dos testes”. Algo que é muito importante porque, tal como alerta, “se uma pessoa fizer o teste a si próprio, pode acabar por não comunicar o seu caso” às autoridades competentes.

Atlanticare

Também a Atlanticare, empresa de serviços externos de Segurança e Saúde no Trabalho, viu na testagem em bloco de organizações uma boa oportunidade de negócio. Deste modo, apresentam-se como intermediários entre as empresas que procuram estes serviços de testagem e os laboratórios clínicos, que realizam efetivamente esses testes e comunicam os seus resultados às autoridades de saúde.

Como explica através do seu site, a empresa tem diversas “Unidades Móveis de intervenção rápida” aptas para se deslocarem a empresas espalhadas por todo o país, para a realização de rastreios através de testes PCR. Para que tal seja possível, conta com o apoio de “laboratórios de referência”, disponibilizando os “resultados em 24 horas”.

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