Lucros dos CTT afundam 43% mas encomendas disparam. Paga dividendo de 8,5 cêntimos

O resultado líquido dos CTT caiu quase 43% em 2020, para 16,7 milhões de euros, num ano em que a pandemia prejudicou o negócio do correio mas impulsionou o comércio eletrónico e as encomendas.

Os CTT lucraram 16,7 milhões de euros no ano da pandemia, uma quebra de 42,9% que compara com o crescimento de 36% do ano anterior. Apesar do forte recuo, o negócio melhorou bastante nos últimos três meses de 2020, período em que o resultado líquido quase duplicou, para 12,3 milhões de euros.

Face a estes resultados, o grupo volta a pagar dividendos este ano. Num documento enviado à CMVM, o Conselho de Administração diz que vai propor aos acionistas um dividendo de 8,5 cêntimos por ação, a pagar no dia 21 de maio. Representa um corte de quase 23% face ao dividendo proposto no ano passado, que foi cancelado por causa da pandemia, bem como uma redução de 15% face ao dividendo de 10 cêntimos que a empresa pagou em 2019.

Num ano atípico para a generalidade das empresas, o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) dos CTT caiu 10,8%, para 90,5 milhões de euros. A empresa justifica a redução com a “interrupção” do negócio do correio durante o confinamento e a “recuperação lenta” que se seguiu.

A empresa liderada por João Bento diz-se ainda pressionada pelo “insustentável enquadramento regulatório e de preços”, designadamente no serviço universal postal, e salienta que, para aceitar renovar o contrato com o Estado, as condições terão de “melhorar significativamente”. A concessão deveria ter terminado a 31 de dezembro, mas foi prolongada até ao final deste ano, por não terem havido condições para uma negociação entre o Governo e a companhia, à luz da Covid-19.

Em simultâneo, os custos operacionais subiram com o aumento expressivo no volume de encomendas. Mas a empresa assegura que o segmento de Expresso e Encomendas, mais o Banco CTT, são duas “alavancas de crescimento” que prometem vir a ofuscar a queda das receitas do core business. Os CTT têm bons motivos para seguir caminhos alternativos ao correio — para 2021, estima uma quebra entre 8-10% no volume de cartas. Isto sem contar com a possibilidade de novos confinamentos.

Para João Bento, “estes resultados operacionais demonstram que os CTT têm seguido uma estratégia acertada. Mesmo em contexto pandémico, o reposicionamento da marca e reforço da aposta na área de Expresso e Encomendas trouxe resultados muito positivos”, diz o gestor, citado em comunicado.

Estes resultados operacionais demonstram que os CTT têm seguido uma estratégia acertada.

João Bento

Presidente executivo dos CTT

Lucros dos CTT por ano:

Fonte: Resultados consolidados dos CTT

Há menos cartas, mas encomendas disparam e banco já dá lucro

Apesar da pandemia, as receitas dos CTT cresceram 0,7% em 2020, para 745,2 milhões de euros. Analisando por segmentos, a rubrica de “correio e outros” encolheu 10,8%, para 426,1 milhões de euros, mas o Expresso e Encomendas disparou com o crescimento “robusto” do correio eletrónico. Concretamente neste negócio, as receitas dispararam 26,6%, para 193 milhões de euros, enquanto as do Banco CTT avançaram 30,5%, para 82,1 milhões de euros.

Na análise operacional, o grupo entregou menos 102,1 milhões de cartas, jornais, revistas e publicidade, uma queda de 16,5% no correio endereçado, para 516,9 milhões de objetos. No correio publicitário não endereçado, a quebra foi mais acentuada, de 20,9%, para 412,3 milhões de objetos.

Quanto às encomendas, o grupo não revela o número exato de pacotes transportados e entregues. Mas destaca uma alteração “no perfil de envios”. Houve uma redução no tráfego B2B no primeiro semestre e um “forte crescimento da atividade e-commerce (B2C)”. “Aliado a um grande dinamismo comercial e reposicionamento dos CTT, resultou num elevado crescimento dos volumes”, informa a empresa. No segundo semestre, recuperou o B2B e manteve-se o crescimento do B2C.

Outro destaque é o Banco CTT, que deu lucro pela primeira vez. “Em 2020, num ano profundamente marcado pelo impacto da pandemia de Covid-19 no contexto económico, o Banco CTT atingiu pela primeira vez um resultado líquido consolidado positivo”, indicam a empresa. Foram 200 mil euros.

Os rendimentos, que cresceram 30,5% e alcançaram 82,1 milhões de euros (incluindo 12,9 milhões da 321 Crédito), contaram com a “performance positiva da margem financeira de 44,6 milhões de euros em 2020”, 52,3% acima do alcançado no ano anterior.

No ano em que o Banco CTT começou a cobrar aos clientes pelo cartão de débito, “as comissões recebidas cresceram 4,7 milhões de euros”, um aumento de 52,9% que resulta, sobretudo, do aumento de 14,6% das transações, 64,4% do crédito à habitação e 607% (isto é, sete vezes mais) das contas e cartões.

No que toca ao crédito, começando pelo automóvel, a produção situou-se em 2020 em 193,8 milhões, um aumento de 35,4%. Neste segmento, o banco tem uma carteira líquida de imparidades de 560,4 milhões. No crédito à habitação, a carteira líquida de imparidades avançou 29,5%, para 524,6 milhões de euros, mas a produção caiu 15,5% (-29,4 milhões).

Os depósitos de clientes aumentaram 31,6%, para 1.689,1 milhões de euros, tendo sido criadas junto do Banco CTT mais 56 mil contas, num total de 517 mil.

“No final de 2020, os pedidos de moratórias formalizados atingiram uma exposição total de 40,4 milhões de euros (31,1 milhões de crédito à habitação, 6,4 milhões de crédito automóvel e 2,9 milhões de outros créditos), representando 3,6% do total da carteira bruta de crédito”, referem os CTT. A empresa sublinha ainda, sobre o negócio bancário, que “as moratórias privadas de crédito automóvel terminaram a 30 de setembro e atingiam, à data, 27,6 milhões de euros, representando 40,1% do total das moratórias formalizadas na altura”. No final de 2020, 13,7% dos créditos para compra de automóvel que estiveram abrangidos pela moratória privada estavam em incumprimento.

Receitas dos CTT por ano:

Fonte: Resultados consolidados dos CTT

Gastos operacionais dos CTT sobem 2,5%

Passando aos gastos operacionais, estes subiram 2,5%, para 654,7 milhões de euros, impulsionados pelo aumento expressivo do volume de encomendas.

Os gastos com pessoal caíram 1,6%, para 338,6 milhões de euros. No final do ano, os CTT contavam com 12.234 trabalhadores, menos 121 (1%) do que um ano antes. A empresa reduziu os efetivos, sobretudo, no negócio de correio.

Por fim, quanto à dívida, os CTT fecharam o ano da pandemia com uma dívida líquida de 41,4 milhões de euros. O passivo representa 11,4% mais do que a 31 de dezembro de 2019.

(Notícia atualizada pela última vez às 19h43)

Evolução das ações dos CTT na bolsa de Lisboa:

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