De tripulantes até diretores, quase 800 aceitam sair da TAP

É entre os tripulantes que a adesão está a ser mais elevada, mas cerca de 100 profissionais que querem ir embora trabalham na sede. Incluem-se diretores de departamentos e quadros intermédios.

Quase 800 trabalhadores da TAP candidataram-se ao programa de medidas voluntárias da companhia aérea, sabe o ECO. A adesão a rescisões por mútuo acordo, reformas antecipadas, pré-reformas, trabalho a tempo parcial e licenças sem vencimento é possível até final do dia desta quarta-feira, estando a efetivação prevista até 31 de março.

A grande maioria dos pedidos — cerca de 500 — diz respeito a rescisões por mútuo acordo, segundo apurou o ECO. Esta opção permite aos trabalhadores passarem para o fundo de desemprego, com uma indemnização majorada de 25% e com uma bonificação adicional de 2,5 salários (num máximo de 250 mil euros). Leva ainda anuidades técnicas e fica com seguro de saúde e facilidades de passagem por dois anos.

É entre os tripulantes que há mais adesões às rescisões por mútuo acordo e poderá limitar mesmo o número de despedimentos por iniciativa da empresa. Além das rescisões, haverá também saídas por reformas antecipadas e pré-reformas. Há opções que não implicam deixar totalmente a empresa como o regime de redução das horas trabalhadas e as licenças sem vencimento.

Após as negociações entre a TAP e os sindicatos, passou a estar prevista a saída de 800 pessoas das várias categorias profissionais (menos de metade da meta inicial de 2.000 pessoas), mas será agora feito um ajustamento com base na adesão às várias medidas. Para determinar quem irá sair, serão aplicados vários critérios em simultâneo, sendo que o absentismo (produtividade) e o custo (medido pelo salário fixo) serão fatores penalizadores.

Por outro lado, a experiência e antiguidade na empresa, bem como as habilitações literárias e técnicas poderão beneficiar os trabalhadores. No final deste mês chegam também ao fim os últimos contratos a prazo que não serão renovados e que levam à saída de mais de 1.300 trabalhadores da TAP.

Quadros de topo e intermédios abandonam empresa

Apesar de ser entre os tripulantes que a adesão às medidas voluntárias está a ser mais elevada, cerca de 100 profissionais que querem ir embora fazem trabalho de escritório na sede da companhia aérea. Neste grupo estão diretores de departamentos e quadros intermédios, cuja saída está a criar desconforto sobre a atividade da empresa durante a recuperação da atividade.

Nas áreas comercial, de procurement, finanças, IT, operações, recursos humanos, marketing e vendas ou receitas haverá baixas entre quadros intermédios e de topo. É o caso de Dionísio Barum, diretor de vendas para Portugal que estava há quase 40 anos na TAP, da diretora de marketing Paula Canada ou do diretor de customer service Eduardo Correia de Matos. O diretor de operações de voos (DOV) da TAP, Carlos Damásio, já cessou também funções depois de, em fevereiro, ter manifestado “elevada preocupação” com a reestruturação da companhia.

A TAP já tinha perdido o diretor financeiro da TAP, Raffael Quintas, que estava ligado ao anterior acionista David Neeleman. Desempenhava funções como Representante para as Relações com o Mercado de Capitais e com a CMVM e como CFO. No caso da primeira, foi já substituído por Renato Salomone e, na segunda, poderá ser escolhido apenas na mesma altura que o novo CEO.

O brasileiro era, aliás, o último administrador nomeado por Neeleman vai assim sair da Comissão Executiva da TAP. Em abril, também Diogo Lacerda Machado e Esmeralda Dourado irão deixar o conselho de administração da TAP. O mandato do atual terminou em dezembro, mas o processo de reestruturação que está em negociação em Bruxelas está a atrasar a realização de uma assembleia geral eletiva, que está ainda sem data e só deverá acontecer depois de já ter sido oficializado o nome de Jaan Albrecht como CEO.

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