Novo Banco faz póquer de prejuízos acima de mil milhões

Banco liderado por António Ramalho apresenta contas esta tarde. Desde 2017 que os prejuízos superam fasquia dos mil milhões de euros. E novo pedido ao Fundo de Resolução ultrapassa os 476 milhões.

O Novo Banco apresenta esta sexta-feira à tarde as contas de 2020 e os resultados vão ser novamente negativos. Desde 2017 que o banco reporta prejuízos acima dos mil milhões de euros. Se aconteceu o mesmo no ano passado, será o póquer para a instituição liderada por António Ramalho, que já tem preparado novo pedido ao Fundo de Resolução, que vai ser superior aos 476 milhões de euros inscritos no orçamento por parte do Governo.

O banco vai a caminho do quarto ano com perdas acima dos mil milhões (o tal póquer, que se usa quando se obtém quatro cartas iguais), depois de ter registado perdas de mais de 850 milhões de euros até setembro, com os resultados a serem penalizados por três fatores:

  • 727,7 milhões de euros de imparidades e provisões, em resultado da descontinuação do negócio em Espanha, e do agravamento do nível de incumprimento de alguns clientes (crédito a clientes, garantias e instituições de crédito), sendo 187,2 milhões de euros de imparidade adicional para riscos de crédito decorrentes da pandemia Covid-19;
  • 260,6 milhões de euros em “resultado da avaliação independente aos fundos de reestruturação. O Grupo continuará a monitorizar esta área à medida que o impacto da pandemia na economia portuguesa de torne mais claro”;
  • 26,9 milhões de euros de reforço da provisão para reestruturação.

O último trimestre de 2020 não terá corrido melhor, como demonstraram já os resultados dos outros grandes bancos nacionais, que, com o agravamento da pandemia na reta final do ano, tiveram de colocar mais dinheiro de lado para fazer face à severidade da crise pandémica.

Novo Banco acumula prejuízos de 7,9 mil milhões

Fonte: Novo Banco

3,5 milhões de prejuízos por dia

Mesmo antes da pandemia, o banco bom do BES nunca saiu do “vermelho” no que toca aos resultados no final do ano — chegou a ter lucro em trimestres. Desde o dia 3 de agosto de 2014, quando foi criado a partir da resolução do BES, o Novo Banco acumula prejuízos na ordem dos 7,9 mil milhões de euros, o que dá uma média de 3,5 milhões de euros de prejuízos por dia.

As perdas decorreram sobretudo do legado “tóxico” do BES: créditos em incumprimento e outros ativos e negócios que o banco teve de se desfazer também para cumprir o plano acordado em 2017 entre o Governo e a Comissão Europeia para a venda ao fundo Lone Star.

Desse plano decidido entre Lisboa e Bruxelas saiu o acordo de capital contingente de 3,9 mil milhões de euros, que tem sido usado para o Novo Banco fazer a limpeza do seu balanço. Este mecanismo obriga o Fundo de Resolução a compensar o banco a repor o capital sempre que as insuficiências para cumprir os rácios resultarem de perdas com um conjunto de ativos problemáticos.

Fundo de Resolução já injetou três mil milhões

Fonte: Novo Banco

Nessa medida, António Ramalho tem nova fatura a apresentar ao Fundo de Resolução por conta dos prejuízos do ano passado. Quanto será? As chamadas de capital ao Fundo de Resolução vão já nos 2.978 milhões, o equivalente a mais de 75% da “garantia pública que o Novo Banco tem aproveitado para “limpar” o balanço. Ainda há 912 milhões de euros disponíveis no acordo de capital contingente que durará até 2026 e a expectativa do Governo é que essa verba não seja totalmente utilizada.

O ministro das Finanças disse contar que o pedido fique abaixo dos 500 milhões. Em entrevista ao ECO no início do ano, o CEO do Novo Banco não se comprometeu com os 476 milhões que foram inscritos no Orçamento do Estado deste ano para o Fundo de Resolução injetar no Novo Banco. E o ECO sabe que será um pedido acima do valor fixado em sede do orçamento (mas que acabou por ser chumbado pelo Parlamento e ainda não há solução alternativa para o Fundo de Resolução fazer esse pagamento).

Nessa entrevista, Ramalho confirmou que 2020 marcou o virar de página de um banco em reestruturação para um banco a gerar lucros e sem necessitar de mais apoios do Fundo de Resolução. “Garanti, desde a primeira hora, duas coisas: que a reestruturação seria realizada até 2020, e que a partir de 2021 o banco já não absorve capital, é ele criador de capital. O que significa que espero que essa discussão [de novo pedido ao Fundo de Resolução] não se coloque.

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