TAP espera encaixar 35 milhões com oito aviões. Admite vender 11

Companhia vai operar, em 2025, uma frota com 99 aeronaves. Os ATR desaparecem, enquanto os Airbus perdem peso. Será feita uma aposta nos E-Jets, os jatos mais eficientes da Embraer.

A TAP está prestes a fechar a venda de oito aviões Airbus 320, esperando um encaixe financeiro entre 35 e 40 milhões de euros. O valor está presente na proposta de plano de reestruturação enviada para a Comissão Europeia, a que o ECO teve acesso. Esta operação faz parte do redimensionamento da frota que a companhia aérea está a levar cabo para se adaptar ao impacto da pandemia na procura por viagens. No fim do período, em 2025, a frota será composta por 99 aviões.

O “phase-out acelerado de oito A320fam em 2020″ é uma das medidas de poupança de fluxo de caixa que a TAP apresenta à Comissão Europeia como estando já a tentar implementar. Refere que “prevê-se 35 a 40 milhões de euros em valor incremental da venda” das aeronaves. “O impacto será em janeiro de 2021, data esperada para finalizar a venda. Não inclui custos de manutenção a serem poupados em períodos futuros de cerca de 35 milhões de euros“, explica.

Não foi ainda em janeiro, segundo apurou o ECO, mas o negócio está prestes a ser fechado com um comprador que ainda não é conhecido. Esta poderá não ser a única alienação já que o plano de reestruturação prevê que o mesmo está a ser estudado com 11 aeronaves.

As vendas estão a ser acompanhadas de outras medidas de redução da frota. A TAP cancelou encomendas que tinham sido feitas, negociou a devolução de alguns aviões e acordou com a Airbus adiar a entrega de 15 novos aviões para 2022, adiando encargos de mil milhões de dólares.

Temos uma companhia aérea que está sobredimensionada. Não podemos manter uma dimensão artificial que não tem neste momento procura”, dizia o ministro Pedro Nuno Santos ainda em novembro. Um mês depois, aquando da apresentação do plano, dizia que “temos de reduzir a dimensão da empresa, mas sabemos que há um número mínimo”.

A estratégia pós-Covid será focada no hub, ou seja, nas ligações intercontinentais e longo curso. A aposta é no longo curso, mas também na TAP Express (antiga Portugália). Esta dupla estratégia reflete-se na recomposição da frota. Logo no início há uma forte quebra para 88 aviões (de 108 em 2020) que vai sendo recuperada ao longo do período do plano de reestruturação. Os ATR desaparecem, enquanto os Airbus perdem peso. A recuperação da frota é feita através de E-Jets, os jatos da Embraer (conhecidos pelos menores custos) que chegaram a Portugal em 2016 pela mão da TAP Express.

A TAP deverá assim chegar a 2025 a operar 99 aviões, se a o plano avançar nestes termos. A proposta desenvolvida pelo Governo, TAP e pela consultora BCG foi enviada pelas autoridades portuguesas para a Comissão Europeia a 10 de dezembro (último dia do prazo para ser feito) e aguarda ainda aprovação. O ministro Pedro Nuno Santos disse, na semana passada, que esse passo — fundamental para desbloquear mais financiamento público à TAP — poderá ser dado apenas em maio.

Projeções para a frota da TAP até 2025

Fonte: proposta de plano de reestruturação para a TAP

 

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