Fórum para a Competitividade vê PIB a crescer no máximo 3% em 2021 e critica Programa de Estabilidade

O Fórum para a Competitividade reviu em alta a previsão de crescimento do PIB português este ano. Porém, tece duras críticas ao Programa de Estabilidade e ao Plano de Recuperação e Resiliência.

Por causa do segundo confinamento, o Fórum para a Competitividade tornou-se uma das instituições com previsões mais pessimistas para a economia portuguesa, antecipando um intervalo de variação do PIB que ia entre uma queda de 4% em 2021 e um crescimento de apenas 1%. Porém, as expectativas mudaram e agora o Fórum revê em alta a previsão para um crescimento económico entre 1% a 3% este ano, inferior aos 4% esperados pelo Governo no Programa de Estabilidade.

“Para o conjunto do ano, a incerteza sobre o turismo permanece um dos principais obstáculos, para além da timidez do auxílio orçamental, do atraso nos fundos da ‘bazuca’ europeia e da incógnita do mercado de trabalho. Assim, o Fórum para a Competitividade espera um crescimento entre 1% e 3%, mesmo assim uma quebra entre 5% e 7% face ao PIB de 2019“, lê-se na nota de conjuntura de abril.

O Fórum nota, ainda assim, que os dados do primeiro trimestre mostram que “o confinamento teve custos bem mais pesados do que antecipado”. O PIB caiu 3,3% em cadeia, ficando longe do impacto do confinamento do segundo trimestre de 2020, mas acima de várias previsões. “Se compararmos com o PIB do primeiro trimestre de 2019, verificamos que a queda é de 7,5%, um valor idêntico ao verificado para a recessão do conjunto de 2020“, calcula o Fórum.

Para o segundo trimestre, a expectativa é de recuperação até porque “não parece haver razão para temer novos confinamentos, pelo menos não com a severidade do último”. Contudo, “existe também a incógnita das falências e desemprego adiado“, recorda o Fórum para a Competitividade, criticando os apoios público por serem “manifestamente insuficientes”. Mas, “mesmo que o não fossem, haveria sempre empresas a não conseguir sobreviver a esta crise”, admite, perspetivando que “nos próximos trimestres haja uma clarificação sobre a destruição de capacidade produtiva e de emprego daí resultante, constituindo um travão à retoma“.

Ainda assim, há boas notícias para o futuro, como é o caso da indústria. “Os indicadores de confiança de abril foram promissores, com destaque para a indústria, voltando já a apresentar valores semelhantes aos anteriores à crise sanitária, o que sugere que este setor pensa que estamos em vias de regressar à normalidade produtiva”, assinala a nota. Porém, o setor do turismo continua muito condicionando pelo que o Fórum recomenda que se defina uma meta ambiciosa de ter “120% da média de vacinação da UE” em Portugal para atrair mais turistas pela segurança.

Em relação ao mercado de trabalho, o Fórum reconhece que a taxa de desemprego está num “valor abaixo da generalidade das estimativas para o conjunto do ano”, mas argumenta que isto sugere que “haja ainda desemprego adiado, que se deverá ir revelando ao longo dos próximos trimestres“.

PRR não terá impacto no crescimento potencial e é focado no curto prazo

Nesta nota de conjuntura de abril, o Fórum para a Competitividade faz duras críticas ao Programa de Estabilidade 2021-2025 e ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). “O próprio Governo considera que o PRR não vai ter qualquer impacto visível no potencial de crescimento da economia portuguesa, uma clara confissão antecipada de fracasso“, escreve o economista Pedro Braz Teixeira, criticando o “foco no curto prazo, uma vez que só aí é que a evolução da economia depende da procura, já que no médio e longo prazo, o que é importante é a oferta”.

Braz Teixeira considera que esta estratégia de estímulo da procura sem se cuidar da oferta traduz-se em “inflação e/ou défices externos”, que foi “o que tivemos entre 1995 e 2011, com os péssimos resultados conhecidos: estagnação económica e uma dívida externa explosiva, de 8% para 110% do PIB”. O economista critica o Governo por se focar na despesa pública e identifica “a falta de foco na promoção do investimento produtivo, a desvalorização do capital humano e da produtividade, ignorando, assim, as componentes da oferta que era essencial desenvolver”.

“Em resumo, quer o PRR quer o Programa de Estabilidade 2021-2025 são programas de curto prazo, de mera gestão da conjuntura, sem uma verdadeira visão de desenvolvimento“, conclui a análise de Pedro Braz Teixeira.

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