BCP aumenta lucro para 57,8 milhões apesar de imparidades com a Polónia

Banco aumentou a cobertura de non-performing exposure por imparidades para 65%, enquanto reduziu a exposição a crédito malparado. Avisa que há "incertezas" no futuro que obrigam a gestão cautelosa.

O BCP lucrou 57,8 milhões de euros no primeiro trimestre do ano. Apesar do impacto das provisões feitas na Polónia e do reforço das imparidades e provisões (de 242,8 milhões de euros), os resultados líquidos do banco liderado por Miguel Maya aumentaram 63,8% face ao mesmo período de 2020.

O resultado líquido do grupo de 57,8 milhões de euros no primeiro trimestre de 2021 (+63,8% face ao primeiro trimestre de 2020) foi conseguido “apesar do reforço de 112,8 milhões de euros nas provisões para riscos legais associados a créditos em francos suíços concedidos na Polónia”, explicou o banco nos resultados divulgados esta segunda-feira.

A Polónia, onde o BCP controla o Bank Millennium, era uma preocupação devido ao caso dos empréstimos em francos suíços que têm obrigado a unidade polaca a registar provisões extraordinárias para fazer face a eventuais encargos com decisões judiciais desfavoráveis.

Além deste montante, o banco liderado por Miguel Maya fez ainda um “reforço expressivo das imparidades e provisões, totalizando 242,8 milhões de euros nos primeiros três meses de 2021″. Assim, a cobertura de NPE por imparidades cresceu 10 pontos percentuais para 65%, enquanto a exposição a crédito malparado (non-performing exposure – NPE) foi reduzida em 827 milhões face ao período homólogo.

O “forte impacto das imparidades não só da Polónia, mas também associadas à própria pandemia” reduziu os lucros em 41 milhões de euros. Aliás, a atividade internacional do banco passou de lucros a prejuízos também sobretudo devido ao desempenho da subsidiária polaca. Apesar disso, as contas do banco superaram as expetativas dos analistas.

As projeções do CaixaBank/BPI apontavam para uma subida dos lucros para 48 milhões de euros. Em antecipação dos resultados e graças ao sentimento positivo face à banca europeia, a instituição financeira registou, em bolsa, o maior ciclo de ganhos desde julho de 2018 e acumula um ganho de 30% em nove sessões.

BCP quer gestão “cautelosa” para mitigar “incertezas”

Excluindo imparidades e provisões, os resultados aumentaram 5,8% para 329,5 milhões de euros, com Miguel Maya a sublinhar a “evolução estável” do negócio “num contexto muito marcado por restrições à atividade económica”. A margem financeira reduziu-se em 2,5% para 376 milhões de euros e o produto bancário deslizou 1,4% para 588,8 milhões, mas o resultado operacional core cresceu 5,4% para 294,6 milhões.

O crédito performing do grupo aumentou 4,9% para 2,5 mil milhões de euros e os recursos totais de clientes em 7,1 mil milhões (ou 8,9%). A ajudar nas contas esteve também a redução de 9,2% nos custos. As comissões mantiveram-se “muito estáveis” (menos 1%) para 145,6 milhões de euros.

Quanto ao futuro, Miguel Maya disse apenas não ter ainda “visibilidade” porque “há muitos temas em aberto”, nomeadamente a evolução da pandemia, do processo judicial na Polónia ou a contribuição do banco para o Fundo de Resolução (que tem impacto nas contas do segundo trimestre do ano).

Naturalmente que gostávamos de ter uma rendibilidade maior, mas o que posso dizer é que estamos conscientes que estamos a fazer um bom trabalho e temos conseguido mitigar os efeitos dessas incertezas. Temos feito uma gestão cautelosa, com enorme rigor num contexto muito difícil, atuando ao nível dos proveitos e simultaneamente com preocupação com os custos”, acrescentou.

(Notícia atualizada às 19h00)

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