Venda de Seguros de Vida sai do abismo

  • ECO Seguros
  • 18 Maio 2021

Com 9,5% de subida no 1º trimestre face a 2020, o ramo Vida inverte uma tendência de quebra de dois anos. Toda a produção sobe, exceto automóvel, e a sinistralidade continua a reduzir, mas menos.

A produção do setor segurador alcançou 2 818 milhões de euros no primeiro trimestre de 2021 (1ºT), com as vendas a crescerem 5,7% face a idêntico período do ano passado, indicam dados divulgados pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS) baseados nos reportes que as empresas de seguros (com sede em Portugal e as sucursais de seguradoras com sede na UE) remeteram à Supervisão (ASF).

O valor dos prémios emitidos nos ramos não Vida progrediu 2,7%, para 1,53 mil milhões de euros, com os seguros de Vida a totalizarem cerca de 1 286 milhões, em incremento de 9,5% e a interromper uma série de quatro trimestres consecutivos de declínio.

Acompanhando arranque de ano globalmente mais positivo para o setor, os PPR (planos poupança-reforma) inverteram a quebra homóloga que teve pico em junho de 2020 (-79,8%) e venderam mais 6,4% nos primeiros três meses de 2021.

A produção no negócio não Vida inverteu a ligeira descida do último trimestre de 2020 (-0,6%), embora a variação relativa se apresente menos expressiva do que os 7,0% do incremento homólogo do 1º trimestre de 2020. Decompondo a atividade por ramos, observou-se variação homóloga de sinal negativo em Automóvel, com menos 1,7% face ao acumulado até março de 2020, para 472 milhões de euros e Acidentes de Trabalho (-0,1%, para 279 milhões) praticamente estabilizado. Esta evolução foi reforçada com acréscimos de 9,2% em Doença, para 329 milhões e de 6,3% em Multirriscos, a faturarem 249 milhões de euros.

Já os custos com sinistros, que tinham subido no 3º e 4º trimestres de 2020, respetivamente 46% e 18% igualmente em taxa variação homóloga (tvh), diminuíram 3,5% no primeiro trimestre de 2021, totalizando 3,05 mil milhões de euros.

Fonte: APS; Tratamento ECOseguros

A despesa das seguradoras com a sinistralidade ascendeu aos 819 milhões de euros em não Vida (758 milhões foi o total de montantes pagos), enquanto nos seguros Vida totalizaram 2,23 mil milhões, do qual 640 milhões vertidos aos aforradores de PPR, embora com a quantia de resgates/reembolsos a crescer 14,7%, significativamente menos do que as tvh de 80,3% e 40,9% observadas, respetivamente, nos trimestres terminados em setembro e dezembro do ano passado.

Custo com sinistralidade automóvel em declínio menos acentuado

Os encargos com os sinistros automóveis decresceram 12,7% nos 12 meses de pandemia contados até março último, a abrandarem face a cerca de 18% do último trimestre de 2020, mas ainda a refletir as restrições de circulação fora de casa. Consequentemente, a taxa de sinistralidade no ramo auto manteve-se descendente. Doença e Riscos Múltiplos foram os únicos segmentos não Vida com incremento nos custos com sinistros, respetivamente, com tvh de 6,3% e 2,5%.

Excluindo variações ascendentes em PPR, Responsabilidade Civil Geral, Transportes e Diversos, as taxas de sinistralidade desceram para a generalidade dos ramos de seguro, indica a APS com base nos reportes à Supervisão (ASF) e que, num ou noutro caso, a informação poderá não equivaler rigorosamente à obtida através de outras estatísticas da APS, ressalva a associação.

As provisões técnicas (Vida) totalizavam 39,15 mil milhões de euros no final do trimestre, encolhendo 5,2% face a março de 2020, um recuo absoluto que rondou os mil milhões de euros. Do total provisionado, 16,94 mil milhões referiam-se a PPR, em variação homóloga negativa de 10,25%. Excluindo estes produtos aforro, as provisões Vida para produtos ligados, não ligados e capitalização somaram 22,21 mil milhões de euros.

Produção caiu nos últimos dois anos inteiros

Após incremento de 11,8% em 2018, face ao ano precedente, e decréscimo anual de 5,8% na produção em 2019, o ano marcado pela emergência da pandemia (Covid-19) averbou quebra homóloga de 18,7%, cerca de metade do decréscimo estimado pela associação do setor cerca de dois meses antes do fecho do ano.

A produção de seguro direto diminuiu 19% em 2020, somando dois anos consecutivos de declínio, conforme divulgado por ECOseguros.

A produção total (9,92 mil milhões de euros) repartiu-se em 4,56 mil milhões pelo ramo Vida (-34,8% face a 2019) e em 5,36 mil milhões pelo mercado não Vida (+3,0% e a desacelerar em comparação aos 7,9% de 2019), segundo indicadores agregados pela APS com base em amostra abrangente de associados.

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