Estes são os “melhores fornecedores RH”, segundo a APGpremium

Perante o atual contexto, as empresas tiveram de se adaptar e criar soluções criativas. A Pessoas falou com as empresas distinguidas pela APG pela forma exemplar como lidam com estas temáticas.

Já são conhecidos os vencedores da iniciativa “Melhores Fornecedores RH 2021”, promovida pela Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas (APG), em parceria com as empresas Qmetrics e Mínimos Quadrados. “Consultoria”, “Formação, coaching e desenvolvimento pessoal”, “Outsourcing”, “Recrutamento, seleção, avaliação de competências e outplacement”, “Segurança e saúde no trabalho”, “Serviços de assessoria jurídica” e “Trabalho temporário” são as categorias distinguidas.

De acordo com a APG, as empresas premiadas foram avaliadas pelos seus clientes, de modo anónimo, através de um inquérito composto por um conjunto de questões relacionadas com a imagem do fornecedor de recursos humanos, a qualidade dos produtos e serviços prestados, os colaboradores, o preço apercebido, a satisfação global, o serviço e a lealdade ao fornecedor RH. A Pessoas falou com as empresas vencedoras para saber quais os maiores desafios no mercado de fornecimento de recursos humanos neste momento e como antecipam o futuro.

O futuro dos recursos humanos tem “pouco espaço para generalistas”

A MTW Portugal recebeu o prémio da APG na categoria de “consultoria”. À Pessoas, a consultora em comunicação estratégica para líderes disse que o futuro dos recursos humanos tem “pouco espaço para generalistas”. “Recomendo que comece a planear como vai encontrar o seu nicho de mercado e construir um histórico de sucesso internacional nesse mesmo nicho”, aconselha Sara Batalha, CEO da MTW Portugal e da MTW Adaptive Learning, acrescentando que as empresas de sucesso serão também aquelas que têm uma resposta para uma cultura de aprendizagem adaptativa.

"O impacto da inteligência artificial na proficiência das aprendizagens críticas para o negócio já deixou de ser um ‘nice to have’ e passou a ser um ‘need to have'.”

Sara Batalha

CEO da MTW Portugal e da MTW Adaptive Learning

“O impacto da inteligência artificial na proficiência das aprendizagens críticas para o negócio já deixou de ser um ‘nice to have’ e passou a ser um ‘need to have’”, continua a responsável. Olhar para a inteligência artificial como uma “melhor amiga” é, para Sara Batalha, crucial para o sucesso do negócio.

“Possuir um leque consistente de competências, mas simultaneamente diversificado, tornou-se um trunfo”

O mundo muda cada vez mais rapidamente, mudam as competências e as necessidades das empresas. A formação, o coaching e o desenvolvimento profissional passaram a ser temas ainda mais importantes com a pandemia mundial e as empresas que querem investir no seu talento devem implementar estratégias de learning & development sólidas.

“Num contexto socioeconómico muito difícil e de emprego instável, como aquele em que estamos a viver, possuir um leque consistente de competências, mas simultaneamente diversificado, tornou-se um trunfo”, considera Carlos Manuel Silva, diretor do núcleo do Cenfim da Marinha Grande, uma das empresas vencedoras da categoria “Formação, coaching e desenvolvimento profissional”, juntamente com a Cegoc, a Dynargie e a MTW Portugal.

Para o responsável, é preciso fazer um “aprofundado diagnóstico das dificuldades das empresas” em matéria de retenção e transferência do seu conhecimento e saber-fazer. “Uma empresa que não consegue reter, transferir e desenvolver o seu know-how é uma empresa frágil e que pode comprometer o seu futuro”, acrescenta, salientando que as pessoas são o fator estratégico da mudança e a sua formação, inicial e ao longo da vida, deve constituir-se como uma prioridade social e económica.

"Ninguém nasce ensinado. Nascemos com características que precisam de ser trabalhadas e desenvolvidas. Precisamos de ser estimulados.”

João Guedes Barbosa

Country manager da Dynargie

Apesar de o futuro ser, ainda, incerto, João Guedes Barbosa, country manager da Dynargie, considera que uma coisa é certa: as escolas vão continuar a existir e os professores também. Podemos ter mudado do giz para o touch, mas “não há adaptação e evolução humana sem contextos educativos”, diz à Pessoas. “Ninguém nasce ensinado. Nascemos com características que precisam de ser trabalhadas e desenvolvidas. Precisamos de ser estimulados”, continua.

O futuro do mercado dos recursos humanos passa, obrigatoriamente, pela aposta na transformação digital e na agilização dos processos. Maria João Ceitil, HR consulting coordinator da Cegoc, acredita que, no espetro temporal de cinco a dez anos, as soluções de desenvolvimento de competências com base no digital learning estarão perfeitamente instaladas no mercado e os processos de reskilling e upskilling perfeitamente alinhados com o negócio.

Ainda que soft skills como a resiliência, flexibilidade, trabalho em equipa ou criatividade sejam cada vez mais valorizadas no mercado, a HR consulting coordinator da Cegoc diz que nota um crescimento no desenvolvimento de hard skills em recursos humanos, nomeadamente no que diz respeito a soluções ligadas ao agile HR, projetos de engagement e temas como employee experience e employer branding.

“Continuar a garantir um serviço premium a candidatos, trabalhadores e mercado empresarial é o maior desafio que todos abraçamos neste momento”

Contratar talento de topo continua a ser crucial para o sucesso das organizações. O processo tem já sofrido algumas alterações, mas precisa ainda de ser adaptado. Um dos maiores desafios do momento é precisamente adaptar a abordagem ao modelo remoto. “Por melhor que seja a qualidade de imagem e áudio, é diferente de estar com a pessoa na mesma sala, reagindo à linguagem corporal”, começa por dizer Álvaro Fernández, diretor geral da Michael Page.

Também a integração dos novos talentos deve ser feita com “muito cuidado”. “Ao trabalhar sozinho, o novo colaborador pode sentir-se deslocado, se não houver uma comunicação regular”, continua. Apesar das adaptações que considera fundamentais, para Álvaro Fernández, o trabalho flexível veio para ficar, permitindo que as empresas “satisfaçam as suas necessidades de talento” e “controlem custos”.

A principal dificuldade deste tipo de modelo passa, no entanto, por manter a cultura empresarial. “Esta aceleração tecnológica e digital traz desafios de cultura e ADN, em que só a médio/longo prazo conseguiremos medir e analisar o binómio eficiência versus identidade corporativa. Conjugar tudo isto num contexto de incerteza e continuar a garantir um serviço premium a candidatos, trabalhadores e mercado empresarial é o maior desafio que todos abraçamos neste momento”, refere António Carvalho, head of operations da Kelly Services, que partilhou o prémio na categoria de “Recrutamento, seleção, avaliação de competências e outplacement” com a Michael Page.

Haverá “uma maior consciencialização dos gestores das empresas em relação aos benefícios” da segurança e saúde no trabalho

Com a pandemia mundial e a necessidade de conter a propagação do vírus, a área de segurança e saúde no trabalho foi, e continua a ser, também uma das mais importantes. A Atlanticare e a Centralmed foram as empresas distinguidas pela APG com o prémio de “Segurança e saúde no trabalho” e ambas concordam que a Covid-19 contribuiu para provar a importância desta área nas empresas.

Para Pedro Malpique, diretor comercial e marketing da Atlanticare, no futuro, haverá uma “maior exigência das entidades reguladores no cumprimento da legislação” e, por sua vez, uma “maior consciencialização dos gestores das empresas em relação aos benefícios obtidos com a organização dos serviços de segurança e saúde no trabalho”.

"Será necessário desenvolver produtos e serviços mais acessíveis, digitais, simples e que apresentem soluções integradas e adaptáveis às necessidades específicas de cada cliente.”

Rute Castanheiro

Diretora geral da Centralmed

As soluções “tailored made” apresentam-se como uma tendência crescente para uma maior diversificação de estruturas de investimento customizadas às necessidades de cada negócio. “Será necessário desenvolver produtos e serviços mais acessíveis, digitais, simples e que apresentem soluções integradas e adaptáveis às necessidades específicas de cada cliente”, explica Rute Castanheiro, diretora geral da Centralmed.

“Os tempos são de incerteza, não só quanto às condições de futuro como também no que concerne à avalanche legislativa”

Embora seja sempre difícil prever o futuro, existem algumas tendências na área dos recursos humanos que já são possíveis de prever para a próxima década. “As pessoas e as tecnologias, que já andavam de ‘mão dada’, num futuro próximo andarão ‘abraçadas’”, começa por dizer Ana Cláudia Rangel, managing associate da Raposo Bernardo & Associados, a sociedade de advogados distinguida como “melhor fornecedora RH” na categoria de “Serviço de assessoria jurídica”.

Na ótica dos recursos humanos, Ana Cláudia Rangel avança que um dos grandes desafios passa pela adaptação a novos procedimentos e novas regras. “Os tempos são de incerteza, não só quanto às condições de futuro como também no que concerne à avalanche legislativa a que este tipo de situações obriga”, diz.

“Em Portugal, o número de recursos humanos qualificados é insuficiente”

No mercado de trabalho temporário, um dos maiores desafios consiste na “seleção e recrutamento dos melhores profissionais e em assegurar resposta atempada e eficaz a todas as necessidades dos clientes”, conta António Duarte, administrador da Success Work, empresa distinguida na categoria de “Trabalho temporário”, à Pessoas.

"Em Portugal, o número de recursos humanos qualificados é insuficiente para dar resposta a essas necessidades, requerendo novas estratégias de abordagem ao mercado.”

António Duarte

Administrador da Success Work

António Duarte afirma que as solicitações dos clientes da Success Work, em particular do setor hoteleiro, onde tem maior número de clientes, têm vindo a aumentar nos últimos anos, mas salienta que há um grande problema no país ao nível de qualificação. “Em Portugal, o número de recursos humanos qualificados é insuficiente para dar resposta a essas necessidades, requerendo novas estratégias de abordagem ao mercado”, refere, acrescentando que uma das principais apostas da empresa é a reconversão de carreiras por via da formação.

Em 2018, a Success Work criou uma academia de formação, a SW Academy, para promover o desenvolvimento das competências dos seus trabalhadores temporários no setor da hotelaria, assim como o acolhimento de novos trabalhadores temporários, através da sua integração num projeto formativo de cariz, sobretudo, prático. “Pretende-se que a SW Academy funcione como um antídoto para o desemprego, através da reconversão profissional ou da oportunidade de primeiro emprego”, explica.

Para Rita Mourinha, responsável da Seresco em Portugal, empresa distinguida como melhor fornecedora RH na categoria de "Outsourcing" o mercado de trabalho terá uma apresentação muito diferente da tradicional nos próximos cinco a dez anos. "O planeamento da força de trabalho será cada vez mais objetivo e de acordo com as funções e competências", começa por dizer.

Por outro lado, a executiva antevê também que a forma híbrida de trabalho seja a predominante, com empresas e colaboradores a trabalharem em regime misto, em horários ajustados. "Acreditamos que existirão em maior número do que atualmente, casos no mercado de trabalho, em que o trabalho remoto seja a opção escolhida, possibilitando aos colaboradores nessas condições e com competências digitais, poderem trabalhar na íntegra noutra zona do país ou do mundo onde o acesso a redes de comunicações o torne possível", explica a responsável da Seresco em Portugal.

As estratégias das empresas irão privilegiar, também, o bem-estar das pessoas, que devem ser foco da organização. Tendências emergentes que devem, ao mesmo tempo, ser o foco dos recursos humanos neste momento, considera Rita Mourinha.

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