Risco de default das linhas Covid é inferior a 16%, garante CEO do Banco de Fomento

Banco de Fomento vai oferecer às empresas, em simultâneo, soluções de financiamento e de capitalização, vai reforçar instrumentos de capitalização da IFD e vai desenvolver canais digitais.

As linhas de crédito operacionalizadas pelo Banco Português do Fomento (BPF) têm um risco de incumprimento inferior a 16%, garantiu esta quarta-feira a presidente executiva da instituição. Numa audição no Parlamento, Beatriz Freitas avançou que as contas do banco e dos instrumentos financeiros que passaram a estar sob a sua alçada serão apresentadas até ao final do mês.

“A perda estimada não é de 16%, mas bastante menos”, disse Beatriz Freitas aos deputados. “As imparidades ligadas as estas linhas são acompanhadas ao longo do tempo e não é nada que se estime desse valor”, acrescentou, precisando que os valores referentes ao final do ano passado “estão a ser a terminados com as contas, e atualizados com a segunda vaga da pandemia de Covid-19”.

Beatriz Freitas rejeita a acusação de que a apresentação das contas esteja atrasada, já que o prazo de apresentação das mesmas, para todas as empresas, foi alargado em virtude da pandemia. As contas serão retroativas a 1 de janeiro de 2020 e o processo será “mais complexo tendo em conta a fusão” das três instituições – SPGM, IFD e PME Investimentos.Pela primeira vez, as nossas equipas vão apresentar as contas de forma consolidada e individual”, disse Beatriz Freitas, acrescentando que as contas dos fundos que estão a sua alçada “já estão a ser fechadas e os conselhos gerais já começaram a ser marcados para fazer a sua apresentação”.

Os deputados insistiram na necessidade de clarificação do papel do Banco Português de Fomento na capitalização das empresas, sobretudo, tendo em conta as mensagens diferentes que têm sido veiculadas pelos diferentes elementos do Executivo: o ministro do Planeamento admitiu que o Estado poderá vir a entrar no capital das empresas enquanto o ministro da Economia tem dito o contrário. Beatriz Freitas sublinhou que está a ser dada primazia aos instrumentos de quase capital, mas também remeteu para o ministro da Economia a apresentação final dos produtos os quais estão a trabalhar e que estão “previstos e financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência”. “O Plano ainda não está aprovado por Bruxelas e a discussão com Governo sobre qual o melhor formato para o implementar ainda está a ser feito”, disse a responsável, adiantando, contudo que “vai abranger vários tipos de dimensões de empresas”.

Sublinhando o papel de colmatar falhas de mercado, Beatriz Freitas admitiu que é necessário “tratar as micro e pequenas empresas de forma diferente e mais cuidada” – “o que temos feito nos últimos meses”, garantiu – e anunciou que voltaram “a olhar para os instrumentos de capital da PME investimento e da IFD”, como por exemplo o Fundo 200M, o Portugal Tech e Portugal Growth, desenvolvido em parceria com o Fundo Europeu de Investimento. “São instrumentos que tiveram sucesso e que agora urge reforçar”, disse Beatriz Freitas.

Quanto às moratórias, a responsável disse que, tendo em conta a base de dados do banco relativamente ao tecido empresarial português “a questão das moratórias vai colocar-se nos setores mais afetados, como o turismo”. “Estamos a trabalhar com o Governo em medidas, que ainda não estão definidas e não irei elaborar sobre elas, que permitam às empresas destes setores fazer face à saída das moratórias em setembro. Estamos a falar com o regulador e temos de ter em conta os regulamentos da EBA, que têm de ser cumpridos. Há uma série de variáveis a ter em consideração. Dentro destes grupos de trabalhos mais alargados, em muito pouco tempo chegaremos a um entendimento que possa permitir ao ministro da Economia anunciar o que serão as medidas para estes setores mais afetados”, disse.

A fusão das três instituições vai agora permitir ao banco oferecer às empresas, em simultâneo, soluções de financiamento e de capitalização. “O que o BPF vai fazer no futuro é olhar para uma empresa e conseguir criar soluções de financiamento e recapitalização, o que não era possível no passado porque estava em sociedade financeiras diferentes”, explicou. “Esta fusão permite ir muito mais à frente”, garantiu.

Financiamento das empresas com maturidades maiores, soluções de cofinanciamento e apresentar produtos que juntem recapitalização e financiamento, são algumas das vantagens que o BPF pode apresentar às empresas, disse a responsável. “As questões de análise de risco da banca são totalmente diferentes. As nossas matrizes de risco têm incorporadas questões relativas à digitalização e à inovação que são matérias de difícil apreensão pelos nossos parceiros porque há dificuldade de olhar para o projeto de digitalização e ver nele uma mais-valia”, exemplificou.

Beatriz Freitas anunciou ainda que estão a “desenvolver canais digitais para ter maior proximidade com todas as empresas portuguesas”, que estão a reformular as agências das sociedades de garantia mútua espalhadas pelo país para poder dar mais assistência às empresas e que estão a contratar mais pessoas, tal como o ECO avançou, para poder fazer face aos novos desafios do banco – nomeadamente a vertente verde – já que os 125 colaboradores que têm neste momento são manifestamente poucos.

“A integração de colaboradores de outra sociedade financeira em phase out”, a Parvalorem, é explicada com esta necessidade disse Beatriz Freitas. “Fizemos um processo de seleção e entrevistámos várias pessoas”. “Temos consciência que muitas áreas do banco têm de ser reforçados ao nível de recursos humanos, nomeadamente toda a área de controlo interno, por obrigação imposta pelo regulador”.

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