BCE revê em alta crescimento. Zona Euro acelera 4,6% este ano e 4,7% em 2022

Lagarde disse que banco central está "mais otimista" em relação à economia da Zona Euro. Ainda assim, frisou que vai manter uma "mão firme" na política de estímulos para evitar travões na retoma.

O Banco Central Europeu (BCE) reviu em alta as perspetivas de crescimento da economia da Zona Euro, com a presidente Christine Lagarde admitir que o banco central está mais otimista do que estava há uns meses. Ainda assim, vai manter uma “mão firme” na política de estímulos, para evitar travões na recuperação.

Segundo as previsões adiantadas esta quinta-feira por Lagarde, o bloco da moeda única deverá crescer 4,6% este ano e 4,7% em 2022, o que representa uma melhoria de 0,6 pontos percentuais em relação às projeções de março. Para 2023, o outlook do banco central não sofre alterações: a atividade económica crescerá 2,1%,

“Passamos muito tempo a olhar para as projeções trimestrais e aprofundamos cada um dos itens. Poderia dizer que estamos um pouco mais otimistas em relação às perspetivas económicas do que há três meses. O último sinal que estamos a receber é de uma forte recuperação no segundo trimestre e, esperançosamente, (isso) será amplificado no terceiro trimestre”, admitiu esta quinta-feira a presidente do BCE na conferência de imprensa após a reunião de política monetária.

O staff técnico do banco central também deu conta de uma aceleração dos preços na região, embora ainda abaixo da meta prevista no mandato do BCE de “perto, mas abaixo de 2%”. “Estamos longe do nosso objetivo final. Certamente não estamos onde gostaríamos de estar quando a pandemia acabar”, sublinhou Lagarde aos jornalistas.

A taxa de inflação situar-se-á nos 1,9% este ano (contra os 1,5% projetados em março), baixando para 1,5% em 2022 e 1,4% em 2023.

Mão firme nos estímulos, mas há divergências no conselho

Face a este cenário, o BCE decidiu manter os juros e a política de compra de títulos de dívida num ritmo acelerado no próximo trimestre no âmbito do Programa de Compras de Emergência Pandémica (PEPP). “Vamos fazer isso nos próximos três meses de acordo com as condições do mercado, que incluem claramente a sazonalidade”, disse Lagarde, lembrando que, nos meses de verão, as compras do banco central costumam ser mais reduzidas.

“A conclusão a que chegámos [sobre a abordagem de política], eu diria mão firme“, atirou a presidente do BCE, admitindo, ainda assim, que houve “debate” no conselho de governadores em torno do ritmo de aquisições. “Houve aqui e ali algumas visões divergentes e um consentimento não unânime no conselho”, precisou.

O PEPP tem um envelope de 1,8 biliões de euros e estará ativo até final de 2022. Lagarde reiterou que é prematuro discutir quando é que o programa será desativado. “Repito o que disse em Lisboa. É demasiado cedo, é prematuro, é desnecessária qualquer discussão“, afirmou.

A instituição tem comprado cerca de 80 mil milhões de euros em títulos de dívida por mês no âmbito do PEPP neste trimestre, que compara com um montante mensal de 62 mil milhões no primeiro trimestre do ano.

O BCE informou ainda que taxa de juro principal foi mantida em zero e aos bancos será cobrada uma taxa de 0,50% sobre os depósitos no banco central.

(Notícia atualizada às 15h58)

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