Dona do Meo avança para despedimento coletivo de 300 pessoas

Decisão da operadora surge depois de o programa de rescisões amigáveis Pessoa ter ficado aquém do objetivo. Alexandre Fonseca anuncia também aumentos salariais transversais.

A Altice Portugal vai avançar para um despedimento coletivo abrangendo 300 colaboradores, depois de ter ficado aquém do objetivo dos acordos de rescisão amigável anunciados. A dona do Meo tem ainda a expectativa de chegar a acordo amigável com os colaboradores abrangidos neste anunciado despedimento coletivo.

Uma decisão difícil, mas que se afigura como indispensável, essencialmente devido ao contexto muito adverso que se vive no setor das comunicações eletrónicas”, justifica Alexandre Fonseca, CEO da Altice Portugal, numa missiva enviada aos colaboradores a que o ECO teve acesso. Neste comunicado, a Altice avança também “que está a ser considerado um aumento salarial na empresa, de forma transversal, a incluir no Acordo Coletivo de Trabalho“. Os aumentos, a acontecer, deverão ser só a partir de 2022.

“Foi tomada a decisão de se avançar com um processo de rescisões unilaterais de contratos de trabalho, na figura de despedimento coletivo. Esta medida abrange menos de 300 colaboradores e será iniciada a breve trecho pelos Recursos Humanos. Sempre tendo presente a preocupação com os nossos colaboradores será dada a possibilidade de, querendo, aceitarem condições de saída muito vantajosas quando comparadas às condições previstas na Lei. A escolha deste mecanismo é realizada tendo presente que é o único meio que pode garantir aos trabalhadores o acesso a medidas de proteção social, nomeadamente ao subsídio de desemprego”, justifica Alexandre Fonseca, no e-mail enviado aos cerca de 12.500 colaboradores da empresa.

Programa Pessoa aquém dos objetivos

A empresa tinha este ano avançado com a segunda fase do Programa Pessoas, tendo como objetivo a saída de até 2 mil colaboradores, mas dos 1.700 que aderiram ao programa foram aceites apenas 1.100 candidaturas. Em finais de maio, já admitia poder avançar para rescisões unilaterais. Agora avança mesmo para um despedimento coletivo de três centenas de colaboradores.

“A estratégia adotada e a gestão implementada nos últimos anos, no que respeita aos Recursos Humanos, controle de custos e presença no mercado, permitiu-nos reduzir significativamente a necessidade de executar uma reorganização de maior dimensão e profundidade. É por estes motivos que a decisão tem um alcance muito menor do que as estimativas iniciais apontavam, quando o Plano Integrado de Reorganização foi desenhado e anunciado publicamente”, refere Alexandre Fonseca, na missiva aos colaboradores.

“As decisões tomadas hoje vão assegurar o futuro da Empresa, que lidera um setor responsável por mais de 2% do PIB do País”, diz ainda.

Em simultâneo com esta redução de quadros, a Altice anunciou internamente que está “a ser considerado um aumento salarial na empresa, de forma transversal, a incluir na revisão do Acordo Coletivo de Trabalho”, diz fonte da companhia, tendo ainda anunciado um Programa de Apoio, através da atribuição de bolsas a filhos de colaboradores que ingressem no ensino superior no ano letivo 21/22.

Nos últimos dois anos, a Altice Portugal fez crescer o número de colaboradores diretos em 5.500, totalizando atualmente 12.500. Direta e indiretamente, a Altice Portugal conta com 17 mil colaboradores.

Frente de sindicatos reúne amanhã para decidir medidas

“A frente de sindicatos reúne quarta-feira de manhã para analisar a situação e decidir que medidas conjuntas vão ser tomadas”, adianta Jorge Félix, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do grupo Altice Portugal (STPT), ao ECO. A posição surge depois de uma reunião com o CEO da operadora, Alexandre Fonseca, João Zúquete, administrador com o pelouro dos RH, e a direção de recursos humanos da companhia.

“Foram sempre nos dizendo que o despedimento não se iria colocar na empresa, mas o certo, se os colaboradores não chegarem a um acordo, podem sair por via da figura do despedimento coletivo”, diz.

As “pessoas já foram identificadas” e companhia pretende chegar, sempre que possível, a um acordo de rescisão. “São condições muito atraentes que levarão naturalmente o colaborador a aceitar acordo”, transmitiu o CEO ao Sindicato, mas sem adiantar os pormenores da oferta que a empresa tem em cima da mesa.

A administração também transmitiu a vontade de negociar o Acordo de Empresa. “Tínhamos uma proposta de aumentos, com efeitos retroativos, mas a resposta só nos veio agora: aumentos salariais só para 2022”, diz Jorge Félix. Não foram adiantados detalhes da proposta de aumentos. “Desde 2018 que não temos aumentos transversais – o último foi de 1% – temos tido só acertos”, diz o presidente do STPT.

(Notícia atualizada às 16h47 com posição do STPT)

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