Siza Vieira deixa Vítor Fernandes em stand-by no banco de fomento

Ministro da Economia anunciou que vai eleger o conselho de administração do Banco Português de Fomento mas sem Vítor Fernandes no lugar de presidente para proteger a instituição.

Pedro Siza Vieira não deixa cair o nome de Vítor Fernandes do Banco Português de Fomento. Mas o ministro da Economia anunciou que o Governo vai proceder à eleição do novo conselho de administração da instituição sem o nome do chairman que designou há meses, isto por causa das dúvidas levantadas com a Operação Cartão Vermelho.

“Não vou antecipar juízos em função de factos e situações cuja evolução desconhecemos. Vamos proceder à eleição do conselho de administração e Vítor Fernandes não será eleito nesta altura. Iremos designar um presidente do conselho de administração interino dentro da equipa que neste momento está selecionada e foi validada pelo Banco de Portugal”, afirmou Siza Vieira aos jornalistas no Porto.

De acordo com o Ministério Público, o antigo administrador do Novo Banco terá, alegadamente, favorecido Luís Filipe Vieira na dívida de 54 milhões de euros da Imosteps, nomeadamente ao dar informações sobre o processo de venda da dívida. Estando referenciado no processo, Vítor Fernandes foi alvo de buscas por parte dos procuradores e dos inspetores da Autoridade Tributária, mas não foi constituído arguido nem lhe foi imputado qualquer alegado ilícito criminal.

As informações deste processo estão a ser analisadas pelo Banco de Portugal, que já havia dado luz verde a Vítor Fernandes no cargo de chairman do banco de fomento, que vai ser responsável pelos fundos europeus. No limite, poderá agora ter de reavaliar a idoneidade do gestor.

Siza Vieira diz já ter falado com o antigo administrador da Caixa e do Novo Banco, que lhe garantiu que “não tem conhecimento de nenhum facto que corresponda a uma violação do dever funcionais ou seja lá que for”.

Ainda assim, o ministro disse que vai esperar por informações que pediu à Procuradoria-Geral da República sobre o seu envolvimento no processo antes de qualquer decisão final. “Solicitei à PGR que fosse esclarecido, se for possível à luz das leis do processo, qual a situação processual de Vítor Fernandes, se foi constituído arguido, se há alguma investigação quanto à sua atuação”, frisou.

Nessa medida, e para “proteger o banco e as suas equipas operacionais”, a decisão do Governo passa por nomear um chairman interino, assegurando assim que este caso “não contamine a posição do banco de fomento”.

Siza Vieira ressalvou que a decisão do Executivo de não nomear para já Vítor Fernandes não corresponde a qualquer juízo sobre o gestor.

Iniciativa Liberal, Bloco de Esquerda e PAN já vieram a público dizer que Vítor Fernandes não reúne condições para ser eleito presidente do conselho de administração do Banco Português de Fomento, enquanto o PSD pediu informações ao Novo Banco sobre as decisões do antigo administrador nos últimos anos.

(Notícia atualizada pela última vez às 18h58)

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