Mais de metade das empresas nacionais têm dificuldade em recrutar

Em Portugal, 60% das empresas admitem sentir dificuldade em preencher as vagas que lançam para o mercado, três pontos percentuais acima do valor registado em 2019.

Quase 70% dos empregadores em todo o mundo relatam dificuldades na contratação de novos colaboradores. Este é o valor mais elevado desde 2006, evidenciando os problemas de escassez de talento que o mercado de trabalho atravessa. Em Portugal, o valor alcança os 60%, três pontos percentuais acima do valor registado em 2019, de acordo com o estudo “Talent Shortage 2021”, realizado pela ManpowerGroup junto a mais de 40 mil empregadores a nível global, dos quais mil em Portugal.

“A pandemia está a provocar uma profunda transformação no mundo do trabalho. Nos últimos meses, novos modelos de trabalho ganharam protagonismo, bem como novas preferências e aspirações dos trabalhadores, ao nível das oportunidades de carreira, dos valores ou do propósito da empresa. Ao mesmo tempo, a revolução nas competências está a intensificar-se e observamos uma procura crescente de novas competências e funções especializadas por parte das organizações”, começa por explicar Rui Teixeira, chief operations officer do ManpowerGroup Portugal, em comunicado.

“A escassez de talento é uma realidade para muitas empresas nacionais, e só aqueles empregadores que souberem responder às novas necessidades, e construir uma proposta relevante e alinhada com os valores dos candidatos, serão capazes de atrair e reter o melhor talento.”

Os dados do estudo “Talent Shortage 2021”, do ManpowerGroup, que inquiriu 42.000 empregadores globalmente, dos quais 1.000 portugueses, mostram que 18% e 42% das empresas nacionais sentem muita e alguma dificuldade em recrutar, respetivamente, sendo que 29% afirma não ter dificuldade na contratação e 11% não sabe dar uma resposta.

Logística e operações entre as mais difíceis de preencher

Em Portugal, as funções de operações e logística são aquelas que registam o maior número de empregadores a relatar dificuldades em contratar (25%), seguindo-se as funções de indústria e produção, com 20%.

Já em vagas relacionadas com as áreas de recursos humanos, administração e office suport, a escassez de talento é também uma realidade: 17%, 13% e 11% dos empregadores, respetivamente, assumem dificuldade em preencher estas posições.

Nas funções ligadas a tecnologia e data e a vendas e marketing, a dificuldade na atração das competências certas é relativamente menor, sendo relatada por 8% e 4% dos empregadores, respetivamente, indica o ManpowerGroup.

Na região EMEA (Europa, Oriente Médio e África), a dificuldade em contratar talento nas funções de IT e data é claramente mais acentuada na região EMEA, onde atinge os 14%, colocando estas skills na terceira posição do ranking de maior escassez de talento.

Soft skills ganham cada vez mais importância no CV

“Se já antes da pandemia a procura de competências transversais estava a crescer, com a aceleração da digitalização, aumenta a necessidade, por parte das empresas, de atraírem e comprometerem as competências soft que complementam a automatização e lhes conferem uma maior agilidade e resiliência face aos momentos de disrupção”, pode ler-se.

Em Portugal, 32% dos empregadores definem a responsabilidade e a disciplina como a competência em maior escassez, em linha com o resultado a nível da região EMEA (34%).

Seguem-se a capacidade de liderança e de influência social, mas também a colaboração e o trabalho em equipa, ambas priorizadas por 26% dos recrutadores nacionais. Também a resiliência, tolerância ao stress e adaptabilidade são apontadas como competências em falta (24%), seguidas do raciocínio e resolução de problemas (21%).

Pequenas e microempresas com maiores dificuldades na atração de talento

No que toca à dimensão, é nas organizações mais pequenas que a escassez de talento é mais sentida, com 67% das microempresas e 69% das pequenas empresas a declararem ter dificuldade em recrutar. A situação é ligeiramente atenuada no caso das médias e das grandes empresas, muito embora mais de metade destes empregadores – 52% e 58%, respetivamente – declarem também ter dificuldades em aceder ao talento que necessitam.

Inversamente, a nível global, a escassez de talento é sentida de forma mais acentuada nas grandes empresas, com 74% dos empregadores com mais de 250 de colaboradores a identificar dificuldades em contratar, à semelhança de 72% das médias empresas.

França de um lado, China na ponta oposta

A escassez de talento é especialmente sentida no continente europeu. O destaque vai, contudo, para a França, onde 88% dos empregadores revelam dificuldade em contratar. Seguem-se a Roménia, com 86%, e a Itália, com 85%.

No polo oposto estão a China, Estados Unidos da América, Índia e África do Sul, países onde apenas 28%, 32%, 43% e 46% das empresas dizem que a tarefa de adquirir as competências que procuram nos candidatos é um obstáculo.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história e às newsletters ECO Insider e Novo Normal.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Mais de metade das empresas nacionais têm dificuldade em recrutar

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião