Governo está a “bater à porta errada” nas margens dos combustíveis, diz o CEO da Galp Energia

"Defendemos que 80% do aumento das margens que alegam se devem a erros de cálculo", diz Andy Brown. Diz que o Governo está a "bater à porta errada".

O CEO da Galp, Andy Brown, critica a “medida travão” aprovada pelo Governo para fixar as margens das petrolíferas e, dessa forma, fazer descer os preços dos combustíveis na bomba, que estão em máximos de dois anos. “É um momento interessante para estar em Portugal”, ironizou.

O responsável da Galp mostrou-se “desiludido” com a forma como se calculam as margens em Portugal e disse mesmo que “há muitos erros” nos cálculos apresentados, garantindo que vai comunicar esta opinião ao Governo português.

“Se olharmos para o relatório da ENSE, vemos que há muitos erros na forma como calculam as margens. Defendemos que 80% do aumento das margens que alegam se devem a erros de cálculo. Não temos falado sobre isto, mas é uma grande desilusão”, disse Brown.

Andy Brown diz desconhecer os pormenores da nova legislação — que abre a possibilidade de “potenciais intervenções de curto prazo no caso de cenários de margens extremas” — e a forma como a mesma vai afetar a Galp Energia, mas diz que “é errada esta ideia de que é nas margens que fazemos dinheiro”, sublinhando ainda os 60% de impostos que pesam sobre o peso dos combustíveis.

They’re barking up the wrong tree [Estão a ladrar à árvore errada, numa tradução literal do inglês]”, atirou durante a call com analistas e investidores para apresentar os resultados do primeiro semestre da Galp Energia. Em português, é o mesmo que dizer que o Governo está a “bater à porta errada”.

“Se olharmos para os preços em bomba hoje em Portugal, 12% vai para os custos de distribuição por 700 postos de combustível que gerimos, 900 colaboradores da Galp, mais 2.500 de staff indireto, um enorme número de pessoas. Se eu olhar para o negócio comercial, ele gerou apenas 7% do total do nosso EBITDA no segundo trimestre do ano. Já a refinação é apenas 1% do EBITDA. Ou seja, 8% no total e 40% dos trabalhadores. Esta ideia de que é aqui que ganhamos todo o dinheiro tem de ser esclarecida junto dos consumidores portugueses. É triste, porque temos 60% de impostos, estamos no top 5 das cargas fiscais mais pesadas da Europa. Estão claramente a bater à errada e faremos nossa posição bem clara perante o Governo português. Qualquer tipo de intervenção direta por legislação no preço dos combustíveis é errada em qualquer país”, disse Andy Brown.

Em causa está o estudo da Entidade Nacional do Setor Energético (ENSE), que apurou um aumento de 33% nas margens da gasolina e de 8% nas margens do gasóleo desde 2019, levando o Ministério do Ambiente e da Ação Climática a anunciar uma proposta de lei para travar o que diz serem “aumentos duvidosos” das margens das petrolíferas e gasolineiras no país.

Segundo o Governo, se a medida travão estivesse já em vigor, a gasolina poderia ficar nove cêntimos mais barata e o gasóleo um cêntimo. Com a descida dos preços do petróleo, esta semana promete já descidas de alguns cêntimos nas bombas, apurou o ECO junto a fonte do setor.

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