DBRS inaugura vaga de ratings de olho na dívida e no malparado

Agência de notação financeira deverá manter o rating para a dívida nacional. Mas não deixará de renovar as suas preocupações com a dívida pública e com o malparado da banca após o fim das moratórias.

A mais otimista das agências de rating em relação a Portugal volta a olhar o país esta sexta-feira. A DBRS é quem dá a notação mais elevada à dívida portuguesa entre as agências internacionais: “BBB high”. Os especialistas não esperam grandes novidades. Mas isso não quer dizer que a agência canadiana não vá renovar os alertas relativamente à subida galopante do endividamento e ao fim das moratórias, que pode representar uma ameaça para a banca.

A DBRS inaugura mesmo uma vaga de anúncios sobre o rating português. Dentro de duas semanas será a vez de a Standard & Poor’s pronunciar, no dia 10 de setembro. Depois é a Moody’s, na sexta-feira da semana seguinte. A Fitch só mais tarde, em novembro.

A última decisão da agência canadiana foi anunciada em fevereiro. Nada mudou. Meio ano depois, apesar da maior certeza em relação à evolução da pandemia, com as notícias mais positivas a surgem na frente da vacinação, persistem dúvidas sobre a capacidade de a economia conseguir finalmente arrancar. A variante Delta veio baralhar as contas. Pelo que a DBRS deverá conservar o rating.

"Para a DBRS, e tendo em conta a sua última análise feita a Portugal, as fragilidades nacionais assentavam na capacidade da performance da economia nacional e no excesso de endividamento. Estes deverão voltar a estar em foco.”

Filipe Silva

Diretor do Banco Carregosa

“No nosso entender o rating de Portugal deverá ficar inalterado”, diz Filipe Silva, diretor do Banco Carregosa, ao ECO. Já Henrique Tomé, da XTB, abre a porta a uma surpresa no outlook: “Embora seja provável que a agência mantenha o rating português, estamos numa fase de recuperação da atividade económica e isso deve-se refletir em melhorias sobre as perspetivas futuras”.

Ambos os especialistas concordam neste ponto: a DBRS vai deixar avisos sobre a dívida pública. Em junho, o endividamento do Estado atingiu os 277,5 mil milhões de euros, um novo máximo histórico.

“Para a DBRS, e tendo em conta a sua última análise feita a Portugal, as fragilidades nacionais assentavam na capacidade da performance da economia nacional e no excesso de endividamento. Estes deverão voltar a estar em foco, sendo que, e enquanto o suporte do BCE se mantiver, o acesso à liquidez não será um problema, algo que se tem verificado com o rollover constante na dívida nacional e com taxas historicamente baixas”, realça Filipe Silva.

Henrique Tomé lembra que “os atuais apoios socioeconómicos, que têm contribuído para o aumento da dívida, continuam dependentes da evolução da pandemia no país, sobretudo ao longo dos próximos meses”. Isto quer dizer que, se o quadro de saúde pública se agravar, o Governo pode ser chamado a intervir novamente, provocando nova subida da dívida.

"O crédito malparado continua a ser um fator de risco e com o fim das moratórias é algo que terá de ser acompanhado de perto para se evitar males maiores.”

Henrique Tomé

Analista da XTB

O analista da XTB recordou ainda o fim das moratórias em setembro, que se pode revelar problemático para os bancos. “O crédito malparado continua a ser um fator de risco e com o fim das moratórias é algo que terá de ser acompanhado de perto para se evitar males maiores”.

Quanto à economia, ainda que tenha acelerado nos últimos meses, Portugal continua a ficar nas últimas carruagens do comboio da recuperação económica, apontava a OCDE há dias. Para Filipe Silva, a capacidade de regeneração económica “irá depender do acesso que as empresas irão conseguir ter à liquidez disponibilizada pelo BCE, bem como da eficácia do plano de vacinação, para ver se se consegue a abertura total da economia e o voltar para uma normalidade”.

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