“Start & Stop”. A chave para o equilíbrio entre produtividade e bem-estar

Ambientes profissionais exigentes podem ter um impacto negativo na saúde física e mental das pessoas. O “Start & Stop” ensina-o a parar, recuperar e repor o equilíbrio necessário entre a vida pessoal.

Num mundo repleto de incerteza, transformação e, muitas vezes, até de caos, a capacidade de fazer start & stop é cada vez mais importante, sobretudo tendo em conta que os desafios ao bem-estar parecem aumentar. Neste livro, o autor José Soares defende que é urgente saber desligar, o que começa, desde logo, por incentivar os profissionais a parar. “Se não o fizermos vamos pagar um preço muito elevado”, considera.

“As pessoas têm direito ao dolce far niente sem se sentirem culpabilizadas”, afirma José Soares, em conversa com a Pessoas. Esse saber “desligar” e voltar a “ligar” é a chave para conseguir um verdadeiro equilíbrio entre produtividade, saúde e bem-estar.

Autor: José Soares

Editora: Ideias de Ler

O “Start & Stop” é o resultado de anos a trabalhar com pessoal com atividades de elevado desempenho, desde atletas a CEO. Todos eles com uma característica comum: a capacidade de alternar o tempo de foco e concentração com o tempo de descanso. Este livro acaba por ser quase uma continuação do “Reload. Menos Stress. Melhor Performance”, a anterior obra de José Soares, mas agora também focado no ambiente de pandemia, com um impacto significativo na saúde, em particular, na mental.

José Soares é professor catedrático de Fisiologia na Universidade do Porto, consultor de programas de bem-estar e performance em várias empresas e tem trabalhado com atletas de alta competição. É, por exemplo, o performance manager de Miguel Oliveira, piloto português de MotoGP.

4 questões a José Soares

A pandemia da Covid-19 trouxe maior flexibilidade aos profissionais. Está, por outro lado, a agravar problemas de cansaço, depressão e até burnout…

Os dados estão aí: aumento do consumo de antidepressivos, de indutores de sono e de ansiolíticos. Por exemplo, nos Estados Unidos, o número de prevenção do suicídio passou de nove dígitos, número normal, para três dígitos, número de emergência. Numa primeira leitura, parece que este ambiente traz mais liberdade e maior disponibilidade, mas todos os resultados apontam que o momento de saturação está a chegar. A maioria esmagadora das pessoas não tem um ambiente suficientemente adequado para trabalhar e falta-lhes o convívio com os colegas.

Ainda que haja exceções, há muitas pessoas a sentirem-se isoladas e deprimidas com este ambiente que estamos a viver. A visão muito cool da primeira fase da pandemia está a desvanecer-se.

Como é que se pode ser altamente produtivo e, ao mesmo tempo, ter uma vida equilibrada e saudável?

Esse é o grande desafio. A vida equilibrada e estável assenta em muitas variáveis, como a saúde, o bem-estar, o equilíbrio financeiro, a vida familiar, a identificação com os valores da empresa, e por aí fora. Tudo isso é difícil de alcançar em ambiente pandémico. Por isso, os problemas começam a aparecer de forma cada vez mais acentuada.

A minha sugestão mais urgente é: tentem separar bem a vida pessoal da vida profissional, seja do ponto de vista físico, seja do ponto de vista mental. Não é bom trabalharmos no mesmo local onde fazemos toda a outra parte da nossa vida. Tem de haver fronteiras.

Qual o papel do empregador no sentido de promover um equilíbrio entre saúde e produtividade?

O empregador deve criar formas de vigilância de sinais e sintomas de “descompromisso” e de alterações da saúde mental. Têm de ser criados, numa primeira fase, uma espécie de observatórios do comportamento dos colaboradores e, depois, implementar medidas de apoio que vão ser diferentes em função do tipo de empresa, do grau de diferenciação dos colaboradores e até das suas tarefas. Mas é preciso vigiar, avaliar e implementar.

Aprender a desligar é, sobretudo, um desafio cultural?

Sem dúvida. Digo muitas vezes que as pessoas têm direito ao dolce far niente sem se sentirem culpabilizadas. Tal como nos atletas, também no mundo corporativo, trabalhar muito não é difícil. Complicado é recuperar entre as reuniões, tarefas pessoais e profissionais do dia e entre dias. Por exemplo, nas dezenas de workshops que tenho feito há uma queixa comum: problemas de sono. Porquê? A principal razão é a interferência da vida profissional na vida pessoal. É urgente estimular as pessoas a desligarem. Se não o fizermos vamos pagar um preço muito elevado.

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