Mais de 60% das empresas portuguesas implementam estratégias de bem-estar

Portugal, Brasil e Índia são os países que ocupam o pódio das empresas que mais implementam estratégias de promoção do bem-estar dos colaboradores.

O bem-estar dos colaboradores é uma preocupação de cada vez mais empresas que, com a pandemia da Covid-19, decidiram reforçar as suas estratégias e estar mais atentas à saúde, física e psicológica, das suas pessoas. Em Portugal, as organizações não só estão atentas, como já passaram à ação: 64% adotam programas que promovem o bem-estar dos colaboradores, revela o “2021 Global Wellbeing Survey”, realizado pela Aon.

“A Covid-19 veio influenciar a realidade global das empresas. Quando olhamos para o bem-estar verificámos que as prioridades das empresas portuguesas foram também afetadas. A tomada de decisão passou a ser mais suportada por D&A [data & analytics]; há uma maior majoração custo-investimento do benefício oferecido tendo por base o índice de utilização do mesmo; e começaram a usar-se as soluções de bem-estar para promover a reputação enquanto empregador”, afirma Joana Coelho, HR solutions senior associate da Aon, à Pessoas.

Além de mais de metade das organizações nacionais implementarem estratégias promotoras do bem-estar, o estudo da multinacional britânica revela também que 38% das empresas portuguesas consideram o bem-estar um fator extremamente importante para a organização. Valor alinhado com os resultados apurados na região EMEA (Europa, Oriente Médio e África) e a nível global, 39% e 38%, respetivamente.

A aposta no bem-estar dos colaboradores tem retorno, sendo possível verificar-se um impacto positivo no desempenho das empresas que optam por este tipo de programas, principalmente na satisfação e retenção de clientes.

“Uma melhoria de 3% no bem-estar dos colaboradores pode significar um aumento de 1% na satisfação e retenção dos clientes“, salienta Joana Coelho. E pode representar também um crescimento de 1% nos lucros da empresa. “Sendo que a satisfação e retenção de clientes, bem como a saúde financeira da empresa, são indicadores chave para a continuidade e crescimento de negócio, fica claro que o bem-estar e a motivação podem de facto trazer valor acrescido para o negócio.

Resistência à implementação de programas

Ainda que o cenário português esteja acima da média global, o “2021 Global Wellbeing Survey” destaca que ainda existem algumas barreiras à adoção plena de programas de bem-estar nas empresas. Entre estas estão os níveis de investimento nesta área (51%), a dificuldade em avaliar o retorno das ações de promoção do bem-estar (44%) e os baixos níveis de engagement e interesse dos colaboradores para iniciativas de bem-estar (42%).

“É preciso uma estratégia robusta a longo-prazo, que seja adaptada às reais necessidades dos colaborares, e que permita o desenvolvimento da cultura organizacional, por forma a direcionar o seu foco, em primeira instância, para o ativo mais importante da organização: as pessoas. Só assim se atingirá uma força de trabalho mais saudável, motivada e resiliente, e, consequentemente, se alcançarão melhores resultados de negócio”, considera a HR solutions senior associate da Aon.

Riscos e preocupações

Globalmente, o stress é o fator que tem maior impacto no desempenho de bem-estar das empresas. Quase 70% das organizações destacam-no como o maior risco, seguindo-se o burnout (46%) e a ansiedade (37%).

saude mental nas empresas

Em simultâneo, os dados recolhidos demonstram que o work-life balance (65%), a saúde mental (40%), o ambiente de trabalho (40%) e a saúde física (33%) são atualmente as principais preocupações das organizações no desenvolvimento de iniciativas de bem-estar.

“A falha na atração e retenção de talento está no top 5 dos fatores que as empresas identificam como sendo capazes de criar um maior impacto negativo sobre o negócio, acima do abrandamento económico provocado pela Covid-19. Ao mesmo tempo, as maiores preocupações de bem-estar das empresas refletem claramente um alinhamento com as transformações que o mercado de trabalho tem vindo a sofrer”, conclui Joana Coelho.

O inquérito da Aon foi realizado entre março de 2020 a setembro do mesmo ano e envolveu 1648 empresas de 41 países, sendo que 63 foram empresas portuguesas.

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